Foi na última quinta-feira que decorreu em Alcântara, no Lx Factory, o Move Up 2013. Este evento co-organizado pela Universidade da Beira Interior (UBI) e pelo IADE, trouxe à capital o trabalho dos alunos dos mestrados em Design de Moda e Branding e Design de Moda de ambas as instituições.

A parceria firmada entre a UBI e o IADE tem-se revelado benéfica para ambas as partes. A UBI usufrui do prestígio e da ligação privilegiada a um espaço cosmopolita como Lisboa, algo sublinhado pelo professor Rui Miguel, Presidente do Departamento de Ciência e Tecnologia Têxteis da UBI, na apresentação do evento. Por outro lado, o IADE volta a abraçar o curso de Design de Moda, que abandonou nos anos 90, e a poder utilizar todos os recursos técnicos e tecnológicos disponibilizados pela universidade beirã. Esta parceria foi responsável pela migração do evento Move Up desde a capital da Serra da Estrela até à maior cidade do país, núcleo da moda portuguesa.

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Pormenor de casaco na coleção de Cláudia Mendes.

Em apresentação estiveram os alunos finalistas do mestrado em Design de Moda (UBI) e em Branding e Design de Moda (UBI/ IADE): Claudete Mendes, Marta Santos, Raquel Cruz, Carolina de Freitas, Cátia Ferreira, Liliana Barroso, Vânia Silva, Helio Cabrita, Filipa Gomes, Larissa Manis, Fátima Neto, Catarina Cruz, Inês CamarãoRute Pinto, Roberto Cunha e Ana Tomás.

Depois dos habituais cumprimentos dos coordenadores do evento, o primeiro grupo a ser apresentado foi o do Mestrado em Design de Moda. Inaugurou a passarela a coleção de Cláudia Mendes, Careca Cabeluda. Segura e muito consistente, entre o sportswear e o streetwear, com acabamentos e passamanarias adequados ao tipo de vestuário e confeção impecável. Misturou as tonalidades neutrais com um padrão onde se entrelaçam linhas e formas geométricas e a peça-chave foi um casaco oval em matelassé estampado.

Seguiu-se Carolina de Freitas numa ode à elegância feminina, com uma coleção sóbria, descontraída e intemporal, a apostar fortemente nas malhas.

A tutoria do professor Júlio Torcato fez-se sentir particularmente nas coleções de menswear, todas a abraçar sem medos a alfaiataria. A coleção de Roberto Cunha foi muito bem sucedida na sua execução e mostrou-se atual e divertida, sem perder a elegância e a masculinidade.

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As propostas de alfaiataria de Roberto Cunha.

Os alunos da UBI mostraram uma abordagem limpa e assertiva da criação de vestuário, e que a universidade continua exímia na preparação de designers capazes de gerar ideias comerciais e vendáveis para as indústrias têxteis e de confeção, as mesmas que asseguraram parte do patrocínio das coleções. Sem rasgos de criatividade, todas as coleções pareceram coesas e consistentes.

Depois de um interregno onde se sublinhou a colaboração com uma escola polaca, o evento prosseguiu com a coleção de Maciej Trzmiel e, logo em seguida, dos alunos do Mestrado em Branding e Design de Moda. É meritório de aplauso o esforço que a maioria destes alunos fez para apreender, em menos de um ano, os conhecimentos teórico-práticos que os licenciados nesta área adquirem em três. Apesar disso, foram notórias várias falhas técnicas, quer ao nível da modelagem quer da confeção.

Destaque para duas coleções deste grupo, nomeadamente, as de Filipa Gomes e Inês Camarão. Ex-aluna da UBI, Filipa tem uma afeição especial por malhas que se revelou consistente num guarda-roupa ativo, dinâmico e confortável, em cores outonais, à imagem e gosto da criadora. Por seu turno, Inês Camarão teve a sensibilidade de reinterpretar a obra e a figura de António Variações, numa coleção que consagra as malhas e joga com o conforto e o look desportivo. A imagem do cantor surge como um vulto que encaixa no presente a sua sabedoria.

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Inês Camarão procurou inspiração nos temas de António Variações.

No evento, de forma global, faltou uma comunicação atrativa para o público jovem, o que certamente teria captado maior atenção da imprensa online e bloggers, elementos que são hoje essenciais para a difusão do nome das marcas e das instituições.

Por outro lado, tanto a UBI quanto o IADE, são universidades com grandes recursos técnicos e tecnológicos e um precioso lote de contatos, capazes de suportar trabalhos inovadores e pertinentes numa esfera comercial. Não obstante, a maioria dos alunos carece de vontade de quebrar barreiras ou explorar novos caminhos, o que só se torna possível criando fortes hábitos de pesquisa, adquirindo muita informação em diversas áreas e não deixar que as encostas serranas se tornem muralhas inibidoras. É ainda necessário limar arestas ao nível da confeção e insistir eficazmente em acabamentos adequados ao tipo de peça e material, que sejam de qualidade e acrescentem valor ao vestuário.

Pontos ganhos para a eficiente organização do evento, para a escolha do espaço e pelo set design. Para finalizar, nota-se uma grande evolução nos trabalhos apresentados pelos alunos, ano após ano, vincando cada vez mais uma imagem consistente no panorama académico do Design de Moda em Portugal.

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Hélio Cabrita retornou ao universo infantil com a coleção ‘Pegasus e Chibiusa’.

Imagens: Tiago Loureiro

Com a colaboração de António Vilardebó.