Chick Corea

Funchal Jazz Festival (4 de julho): Quando o todo é a soma das partes

O arranque do Funchal Jazz Festival não podia ter sido mais prometedor. O aclamado pianista Chick Corea subiu ao palco do Parque Santa Catarina acompanhado pela sua banda The Vigil e elevou a fasquia para os artistas que vão actuar hoje e amanhã.

Em contraste com as elevadas temperaturas que se registam em Portugal Continental, foi perante um céu muito nublado (ainda cheguei a pensar que iria chover, mas lá se aguentou) que se deu início à 14.ª edição do Funchal Jazz Festival, com a presença de Chick Corea, vencedor de 18 Grammys e com uma carreira de cinco(!) décadas. Factos mais que apelativos para levantar uma enchente no parque, onde não houve cadeiras que chegassem, com muita gente a preferir sentar-se na relva bem tratada ou a conversar na área de restauração (mais ampliada em comparação com o ano passado).

FJF (dia 1)

Passavam 10 minutos da hora prevista (21h30), quando Chick Corea e os seus amigos subiram ao palco. De uma simpatia genuína, antes de começar o concerto propriamente dito, Chick dirigiu-se ao público, algo que foi repetindo no fim de cada música, dando até a palavra aos restantes membros. No longo alinhamento, com direito a um intervalo de 20 minutos – até porque eram os únicos a tocar no dia de ontem – fez-se um flashback por todo o repertório do pianista, com destaque para o álbum mais recente, lançado este ano, The Vigil.

FJF (dia 1) 2

Para além do virtuosismo de Corea, tanto no piano como no piano electrónico (e ainda deu um pulinho na percussão, como quem não quer a coisa), vimos a alegria do baixista Christian McBride (uso o adjectivo alegria porque não houve nenhuma situação em que não o visse senão a sorrir e a rir-se para o líder do palco), o tecnicismo de Charles Altura na guitarra (que apesar do inegável talento que tem, se mostrou sempre mais comedido), a ambivalência de Tim Garland (a facilidade como trocava de saxofone para flauta ou para o clarinete baixo era impressionante, só ao alcance dos melhores) e os ritmos contagiantes do americano Marcus Gillmore na bateria e do venezuelano Luisito Quintero na percussão. Não foi só a “atracção” Chick Corea a destacar-se no concerto. Houve espaço para todos brilharem e mostrarem o seu irrefutável talento. No palco não estiveram só homens, mas sim “Senhores do Jazz”, que com todo o mérito fazem com que sejam considerados dos melhores músicos do estilo da actualidade.

FJF (dia 1) 3

Depois deste concerto, apenas digo que os artistas do dia de hoje, Santos/Melo 4to + John Ellis e a espanhola Concha Buika, têm um grande sapato para calçar.

Todas as fotografias estão disponíveis no Facebook oficial do evento.

* Por opção do autor, este artigo foi redigido ao abrigo do acordo ortográfico de 1945

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