Portugal Ao Vivo: Dia 1

Chegou a estação predileta dos festivaleiros.  No passado dia 21, o verão bateu à porta e a receção foi no Estádio do Restelo. 20 anos depois, o regresso do Portugal Ao Vivo contou com cinco nomes da nova geração de músicos nacionais: Miguel Araújo, Wraygunn, Deolinda, The Gift e Pedro Abrunhosa, acompanhado pelo Comité Caviar.

O primeiro Portugal Ao Vivo garantiu lugar na história. Há vinte anos, no dia 26 de junho, o Estádio de Alvalade encontrava-se em euforia, com os concertos de bandas já então consagradas como Xutos & Pontapés, Mão Morta, Delfins e Censurados. O Portugal Ao Vivo foi a verdadeira sagração da música portuguesa.

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Contudo, o primeiro dia desta edição esteve muito aquém das expetativas. Aquele que se suporia ser o arranque do verão, foi pouco mais do que um ligeiro aquecimento. As condições estavam reunidas: o Estádio do Restelo é um espaço muito agradável e o alinhamento musical era de luxo. Porém, é provável que o peso monetário de 30 euros por bilhete e a dificuldade de acessos tenham sido responsáveis pela fraca adesão. E, embora a plateia fosse aumentando ao longo da noite, o público permaneceu passivo desde as 19h00 até de madrugada. Apesar de tudo, o ambiente estava bastante simpático.

Miguel Araújo – 19h00

A tarde iniciou-se com Miguel Araújo em palco, e poucas centenas na audiência. Contudo, o calor ameno de final de tarde e as suaves composições do cantor proporcionaram um concerto ao qual muitos optaram por assistir sentados, no relvado do Belenenses.

Entre os hits Os Maridos das Outras e Fizz Limão, Miguel Araújo fez uma interpretação muito fresca de Vocês Sabem Lá, com uma panóplia de instrumentos diversificada, com saxofone, teclas e cordas.

O cantor confessa, ainda, entre risos: «Não fui ao Portugal Ao Vivo há 20 anos porque os Metallica tinham tocado na semana anterior e a minha mãe não me deixou ir…».

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Wraygunn – 20h15

A sonoridade alternativa de Wraygunn não pareceu animar os portugueses, apesar das incessantes tentativas de Paulo Furtado, entertainer nato. «Vá, pelo menos não estão apertados aí em baixo… Há muito espaço para dançar!», disse em tom de brincadeira, perante um estádio vazio.

Para terminar o concerto, tocaram Love that Woman, acompanhados pela guitarrada de um convidado especial, Zé Pedro, «um dos principais responsáveis pelo estádio do rock português», nas palavras do vocalista dos Wraygunn.

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Deolinda – 21h30

Aquando da entrada dos Deolinda, a plateia já se encontrava ligeiramente mais composta. E o concerto também não decepcionou.

Como poderia deixar de ser, a música bairrista e o espírito tipicamente português a que a banda desde sempre nos habituou marcaram forte presença no Estádio do Restelo. Aliás, as melodias dos Deolinda são um verdadeiro hino à essência do ser-se lusitano, algo que se sente sempre que tocam Movimento Perpétuo AssociativoA Problemática Colocação de Mastro.

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The Gift – 23h00

Seguiram-se os The Gift. «Estamos muito contentes por estar aqui. Finalmente podemos dizer que atuámos num estádio!», afirma Sónia Tavares, ao longo de um discurso em que se demonstrava extremamente agradecida pela existência de iniciativas como o Portugal Ao Vivo, com o objetivo de celebrar a música portuguesa.

O alinhamento escolhido pela banda misturou alguns temas antigos que apresentaram os The Gift ao público português, tais como Music e Driving You Slow, com outros hits mais recentes, como Fácil de EntenderPrimavera.

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Pedro Abrunhosa & Comité Caviar – 00h45

A noite acaba com a subida ao palco de Pedro Abrunhosa, acompanhado pelo brilhante Comité Caviar. E acaba da melhor maneira, com um público mais entusiasmado e participativo.

O músico fez uma grave crítica social e política, utilizando Não Posso Mais e Talvez Foder como modo de incentivar a audiência a revoltar-se perante as adversidades com que os portugueses se têm vindo a deparar nos últimos anos. «Isto é o sindicato dos palhaços pobres contra o sindicato dos palhaços ricos. Tudo é de uns poucos e nós não dizemos nada! Prefiro um país que use as palavras como armas, porque o silêncio é um cancro», gritou.

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Ontem, dia 22, subiram ao palco os veteranos da música portuguesa, representantes da geração original de 1993. O Restelo contou com Sétima Legião, Madredeus, Resistência, GNR e Xutos & Pontapés. Portugal está vivo. A música portuguesa está de boa saúde e recomenda-se.

Fotografias: André Cardoso

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