cisnegrama

“Cisnegrama” une o teatro e a dança nos Recreios da Amadora

A caixanegra.colectivo de criação, criadores do espetáculo de microteatro “Eu sou o meu país” em cena no Teatro Rápido ainda este ano, estreia no dia cinco de julho Cisnegrama, ou exercício num palco imaginado, a partir de Anton Tchekòv, nos Recreios da Amadora e mantém-se até dia sete do mesmo mês.

Este espetáculo, integrado no projeto destino.moscovo, tem como objetivo “pensar o Teatro, o seu processo criativo, as expetativas que se formam… o que conseguimos”, afirma o coletivo. Cisnegrama é “a promessa do Teatro como se fosse Vida”, onde a criação teatral é representada para o público, em cima do palco, local onde tudo se transforma.

O Espalha-Factos esteve à conversa com Ricardo Mendes, o criador do espetáculo:

EF: O que é o Cisnegrama?

RM: O Cisnegrama surgiu de uma ideia que tínhamos em pegar no trabalho do Tchekòv e ligá-lo a um lado mais visual. Partindo de alguns textos do autor, como O Canto do Cisne, uma peça em um acto para 2 atores e juntando outros textos, tentámos construir uma história diferente. Pretendemos juntar duas obras: a de um autor gigantesco do teatro contemporâneo e outra de um dos maiores compositores de música clássica e ópera, Tchaikovsky.

Este é um espetáculo teatral que tem uma componente de teatro e de dança, ou seja, uma parte das memórias do Cisne, do ator em fim de carreira, será traduzida não pela palavra mas pelo movimento.

EF: Que receção esperam por parte do público mais leigo?

RM: Estamos a falar de um espetáculo muito simples que terá por volta de 50 minutos. Para os mais leigos incluímos aquele mito de quem faz teatro, de quem vive outras vidas e se lembra das suas memórias. Esse é o terceiro ponto do espetáculo. Toda a ação se passa em torno do Teatro havendo uma grande mistura entre a personagem e o ator – haverá com certeza momentos em que a personagem é interrompida para dar lugar ao ator. Quanto à música, as pessoas reconhecem-na, é o Lago dos Cisnes.

Para essas pessoas que poderão não ver esse lado mais artístico, ou intelectual, acho que o interessante é que as pessoas entram, de repente, como se estivessem a meio de um ensaio e a proximidade com os espetadores permite que as pessoas se sintam um pouco parte do espetáculo – há uma grande ligação com o público.

EF: Daí esse exercício num palco imaginado?

RM: Exatamente. E daí a palavra Cisnegrama, que vem da invenção do origami, uma arte japonesa em que, com uma folha de papel e o mínimo de dobras possíveis se consegue fazer imensas formas diferentes. É esse também o trabalho do ator, do encenador e do teatro – partir de um papel em branco, de um palco vazio e inventar uma história. Foi um trabalho feito em origami em que a partir de vários elementos, várias coisas, se criou um espetáculo e personagens.

EF: E este espetáculo é o primeiro ponto de um projeto, destino.moscovo. Qual é esse destino?

RM: É uma brincadeira. Na obra As Três Irmãs elas durante muito tempo dizem “Havemos de ir para moscovo” – moscovo é o objetivo, é ter sucesso. Para nós, caixanegra, um projeto recente, este destino.moscovo é dizer que queremos reinventar, queremos fazer qualquer coisa e que mais importante que chegar a Moscovo, é divertirmo-nos no processo.

Este projeto neste momento tem duas partes, a primeira é esta, e a segunda será provavelmente em Novembro, a estreia de um espetáculo escrito pelo director do Teatro dos Aloés, José Peixoto. Ensaio, já não tão complexa, é a história de três amigas que se juntam para ensaiar precisamente As Três Irmãs e vão descobrindo as semelhanças que têm com as próprias personagens à medida que vão contando a história delas. Seria giro que algum dia conseguíssemos chegar ao terceiro ponto: com poucos meios fazer uma das quatro principais peças do Tchekòv em co-produção com outras companhias.

EF: Últimas palavras para levar as pessoas aos Recreios da Amadora.

RM: Apesar desta conversa complexa, é um espetáculo muito ligeiro, não é difícil de perceber. Acredito que é um espetáculo bonito de se ver, com personagens bonitas que nutrem carinho umas pelas outras. É um espetáculo muito próximo, muito pequenino, as pessoas vão estar próximas de nós. É uma brincadeira sobre o teatro.

Fica então a promessa exclusiva de um novo espectáculo após as férias. Os bilhetes têm um custo de 5 euros e as reservas deverão ser feitas através do mail [email protected] ou dos telemóveis 927 565 841 e 963 711 172. Fica atento porque o Espalha-Factos tem bilhetes para oferecer!

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