O grupo LVMH (Louis Vuitton Möet Hennessy) poderá ter que pagar ao estado francês uma avultada multa por, alegadamente, ter comprado sem declarar 22,3% da Hermès.

O dono, Bernard Arnault, é o homem mais rico de França. A sua fortuna deriva do grupo LVMH, o maior conglomerado de empresas de produtos de luxo, ligados à moda e ao lifestyle, que engloba marcas como Louis Vuitton, Marc Jacobs, Fendi, Céline, Givenchy e a marca de champanhe Möet & Chandom.

Em Outubro de 2010 comprou, sem alarido, cerca de 17% das ações da Hermès e, um ano depois, anunciou a compra de mais um lote de ações que totalizava 22,3% do capital da empresa. A maioria das ações tinham sido compradas  a um descendente a família detentora da marca,  Nicolas Puech. Como resposta, os herdeiros da família uniram-se e criaram uma holding que representa mais de metade da marca e detém, até 2031, a preferência pela compra das ações, no caso de alguém querer vendê-las.

A LVMH foi acusada pelas autoridades reguladoras francesas de estar a investigar secretamente através de subsidiários os negócios da Hermès, desde 2001, o que contrasta com a resposta dos advogados do grupo, que suportam a aquisição “inesperada” e “não planeada” das ações, segundo o site WWD. Além disso, a família Hermès vem agora a público levantar a suspeita de que o grupo pretende vender as ações que detém, ao que Pierre Godé, vice-presidente, responde que é uma possibilidade, mas que não dará mais detalhes sobre o assunto.

O caso tornou-se público através do jornal francês Le Monde, cuja capa divulgava o “plano secreto” da LVMH sobre a compra da Hermès. Apesar de Bernard Arnault referir “intenções amigáveis”, a família Hermès não acredita e não aprova as táticas de negócio do presidente do grupo.

Resta recordar que a Hermès é uma empresa fundada em 1837, que se dedica à produção de artigos de alto luxo em pele e é muito procurada pelas suas icónicas carteiras de senhora, entre as quais se destacam a Kelly (associada à figura da princesa Grace Kelly) e a Birkin.