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Arte contemporânea portuguesa invade Paris no mês de junho

O Acordo de Amizade e Cooperação Paris-Lisboa celebrou quinze anos. No âmbito da iniciativa Chantiers d’Europe, Portugal vai ter oportunidade de mostrar em Paris o estado da arte nacional, durante todo o mês de junho. Do teatro à dança, da música às artes visuais, passando pelo cinema, pela literatura ou a performance, trinta eventos permitirão a passagem pela capital francesa de um grupo de mais de 50 artistas e autores.

Ao jornal Público, Emmanuel Demarcy-Mota refere que sempre defendeu  a importância das ligações entre as cidades, mais do que entre os países, porque são elas os verdadeiros centros da criatividade, o futuro da cultura”. Demarcy-Mota, diretor do teatro municipal da capital francesa, o Théâtre de la Ville, sublinha o envolvimento ativo de António Costa no projeto, assim como do congénere parisiense.

A apresentação do programa desta colaboração decorreu na quarta-feira, na Câmara Municipal de Lisboa, onde Costa explicou à Lusa a emergência de exportar o produto português e mostrar que a nossa variedade vai para além do sector têxtil e do calçado, mostrando-se contundente quanto à necessidade de exportar ideias e projetos criativos, em particular, a produção cultural contemporânea.

Paris continua a ser uma capital artística e cultural, um ponto de referência que, defende Demarcy-Mota, precisa de acolher e de se deixar cativar por ideias oriundas de países periféricos. Apesar da crise no sector cultural que Portugal atravessa, o diretor de teatro francês enfatizou a vitalidade artística na capital portuguesa e o papel desta, que pode tornar-se determinante para expansão económica, não obstante a falta de apoios.

A mostra tem similaridades com as edições anteriores de Chantiers d’Europe, mas demonstra maior pluralidade nas disciplinas que abrange, o que só foi possível com o envolvimento do Institut Français, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Camões. A encerrar as festividades, no dia 29, o Parc Montsouris será palco da Festa da Lusofonia.

A companhia Teatro Praga teve “carta branca” no festival.

O festival terá como destaque o teatro. Demarcy-Mota permitiu que a companhia Teatro Praga, formada em 1996, levasse ao espaço que dirige duas produções de anos passados. Estarão em cena Eurovision, um monólogo a duas vozes que trata da questão das identidades no continente europeu, e Discotheater, um patchwork de pequenas cenas. Paris não é uma cidade estranha para os membros do Teatro Praga, que já estiveram na capital por diversas vezes a apresentar outras peças.

O teatro acolhe também produções de Tiago Rodrigues, Mónica Cale, entre outros. O encenador Joaquim Benitedirector do Festival de Teatro de Almada, falecido em Dezembro, será homenageado por Demarcy-Mota, de quem era amigo. Benite foi responsável por trazer a Almada uma série de produções teatrais francesas.

O Théâtre des Abbesses receberá quatro peças do coletivo Bomba Suicida: GuintcheThe Recoil of Words3 Interludes et le Galop du NezLa Première Danse d’Urizen Síncopa, esta última baseada num texto de Valter Hugo Mãe. O duo de Sofia Dias e Vítor Roriz também vai apresentar o seu trabalho em Paris.

O grande destaque musical será Carminho, a atuar no dia 5, na sala grande da instituição dirigida por Demarcy-Mota, concerto que assinalará a abertura oficial do evento. O crítico Jacques Erwan enfatiza a sensibilidade e o talento da jovem fadista no programa do evento.

Mísia marcará também presença na capital francesa, onde já é uma figura ilustre. Sentimental Duplex é o concerto que levará ao público parisiense, num gesto de homenagem às duas cidades que acolhem a maior parte da sua vida. Ao piano terá Fabrizio Romano, que acompanhará Mísia em canções de Genet, Piaf e Moustaki, mas também Pessoa, Amália e Carlos Paredes. Lula Pena também consta no programa.

O cinema português é bastante conhecido em França e a seleção foi feita por António Câmara Manuel, em colaboração com o Centro Cultural Centquatre. Serão exibidos nos espaços do programa o Filme do Desassossego, de João BotelhoAlice, de Marco MartinsAquele Querido Mês de Agosto Tabu, de Miguel GomesO Gebo e a Sombra, de Manoel de OliveiraA Última Vez Que Vi Macau, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, e as curtas de João SalavizaArena e Rafa.

O programa integral do Festival poderá ser consultado na páginal oficial do Théâtre de La Ville.

Ao público português também será proporcionada uma programação sobre as artes parisienses, a decorrer no Outono. O destaque será a estreia mundial, em Setembro, de um espetáculo do Théâtre du Soleil, com a participação da atriz Ariane Mnouchkine, e a Festa do Cinema Francês.

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