Orelha Negra espalharam a boa vibe pelo Salódromo da Ajuda, mas o rei da noite foi mesmo o DJ Alesso. A chuva voltou a marcar presença, só que desta vez já não surpreendeu nem interessou a ninguém.

Os portuenses Salto apareciam em letras bem modestas no cartaz desta Semana Académica, em desconformidade com o seu valor. Sabemos que o estilo fresco e dançável resulta bem em festas académicas, como constatámos no Arraial do Técnico do ano passado, mas a hora (22h) imprópria a que este concerto estava agendado acabou por torná-lo, lamentavelmente, quase insignificante.

O DJ Hugo Rizzo ficou encarregue de aquecer as hostes e abrir terreno para o grande nome português da noite, Orelha Negra. Muito sóbrios em palco e com raras interpelações ao público que se ia aconchegando rapidamente lá à frente, fizeram valer a atuação sobretudo pelos samplers arrojados (a intro de Baza, baza do Boss AC foi dos melhores) e os trunfos de Mixtape II, o trabalho mais recente.

Notou-se várias vezes a falta de um frontman para incendiar o recinto, mas a veemência de Fred Ferreira na bateria e as linhas do baixo de Francisco Rebelo nunca deixaram o concerto espalhar-se no marasmo. O compasso lento de produções como M.I.R.I.A.M agradou porque quem lá estava sabia bem o que esperar. Proliferaram a boa onda e leveza de espírito, e um simples abanar de cabeça com os olhos fechados não deixou margens de dúvidas sobre o que este grupo já representa na música nacional.

SAL

Para Alesso juntou-se ainda mais gente, já que todos os que se concentravam nas barraquinhas das Associações de Estudantes “escorregaram” num instante para perto do palco para não perderem pitada. O recinto não estava cheio, mas apostamos que a vista do palco era bem agradável. O set do DJ sueco começou e acabou sem chuva, mas pelo meio até caiu copiosamente. Nada que tivesse interferido com o êxtase ao som de hits como City of Dream ou If I Lose Myself (aliás, alguns até preferiram despir a t-shirt). Mais concentração e muitos mais empurrões do que no espetáculo anterior, aguentar nas filas da frente era só mesmo para os mais dedicados. E não eram poucos.

Por falar em música de carrinhos de choque, lá fomos nós ver contrariada a sentença “Se conduzir, não beba“. A verdade é que esta pista  esteve sempre apinhada e, foi, porventura, o sítio onde se deram os engates mais caricatos desta Semana Académica de Lisboa. Quem preferiu não prestar atenção a Alesso  vagueava pelo recinto em encontros e desencontros. Afinal, Lisboa é a cidade do país com mais estudantes universitários e não há assim tantas oportunidades de congregação de estudantes de pólos tão afastados, simbolica e espacialmente, como acontece nesta cidade.

Com o fim do concerto do prato forte da noite, o espaço da Ajuda foi esvaziando calma e lentamente. Junto às barracas dos cursos fomentava-se alguma mística, com música divertida a passar a um volume suficientemente baixo para dar espaço a boas conversas. A mini-tenda eletrónica estava reservada aos mais resistentes (e inebriados). Falaram-nos de pequenas cenas de violência gratuita provocadas pelo som de Ninja Kore, mas nós fomos lá dar uma espreitadela e só vimos balbúrdia e desorientação típicas do avançar da hora.

Sem grandes stresses nem filas para regressar ao Cais do Sodré, ainda com a tónica positiva do concerto de Orelha Negra na cabeça, despedimo-nos da penúltima noite de SAL. 

Fotografia retirada da página oficial da Associação Académica de Lisboa