Desde 24 de março, e em cada domingo, o Espalha-Factos tem uma nova iniciativa. Depois de, com o A Recordar, termos relembrado grandes atores e atrizes que não viram o seu talento reconhecido (ou apenas tardiamente tal aconteceu) ou caíram no esquecimento, desta vez iremos destacar algumas dos nomes mais Queridos de Hollywood, numa rubrica com o mesmo título.

O enorme sorriso e os longos caracóis ruivos fizeram dela um rosto incontornável na história do cinema, mas foi a sua versatilidade, na comédia romântica e nos papéis mais dramáticos, que a tornaram uma das atrizes norte-americanas mais populares. Julia Roberts começa como a prostituta Vivian em Pretty Woman e é como Erin Brockovich, dez anos depois, que conquista definitivamente o seu lugar ao sol em Hollywood. Entre a dedicação a causas humanitárias, as inúmeras ligações românticas e as ameaças de abandono da carreira, é também uma das atrizes mais bem pagas da atualidade.

Julia Fiona Roberts encanta as câmaras desde 1967, quando nasce na Georgia, Estados Unidos, a 28 de outubro. Gostava de ser veterinária, mas acaba por estudar jornalismo e, aos 17 anos, vai viver para Nova Iorque para perseguir o sonho de ser atriz. É o irmão, Eric Roberts, quem a ajuda a conseguir o primeiro papel importante, em Blood Red, mas já antes contracenara com Liam Neeson em Satisfaction e mostrara o seu charme em Pizza, Amor e Fantasia. Mas é em 1990, com Pretty Woman: Um Sonho de Mulher, que se transforma numa estrela de um dia para o outro. Ao lado de Richard Gere, com quem voltará a contracenar mais tarde em Noiva em Fuga, o público conhece melhor esta jovem atriz de sorriso aberto e oferece-lhe até uma nomeação para o Oscar, a segunda já, depois de Flores de Aço (1989).

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Aos 23 anos tinha já um séquito de fotógrafos à sua volta e espalham-se os rumores de drogas e anorexia, com o seu emagrecimento. No entanto, a sua carreira prolifera com Dormindo com o Inimigo, A Escolha do Amor, Dossier Pelicano, Amor e Mentiras ou a participação, como Sininho, no filme Hook, de Steven Spielberg. Uns melhores, outros piores, sempre na onda das comédias românticas a que nos começa a habituar ao longo dos anos 90. Época em que também tem uma participação especial na série Friends e casa com Lyle Lovett, dez anos mais velho, com quem fica de 1993 a 1995, quando o casamento termina.

Jules, como é chamada pelos amigos, passa depois por filmes como Mary Reilly, Michael Collins, Toda a Gente Diz Que Te Amo (musical de Woody Allen), bem como por outra participação televisiva na série Lei e Ordem. É uma fase mais calma da sua carreira, mas nem por isso mais tranquila: começam os rumores do surgimento de uma “nova Julia Roberts“, com candidatas como Sandra Bullock, Julia Ormond ou Julianne Moore. Só em 1997, quando regressa com O Casamento do Meu Melhor Amigo, onde Roberts contracena com Dermot Mulroney e Cameron Diaz, e Teoria da Conspiração, ao lado de Mel Gibson, volta a sentir-se amada pelo público.

Notting Hill, de 1999, é a comédia romântica por excelência, com Hugh Grant a partilhar o estrelato com a atriz norte-americana, que faz curiosamente o papel de atriz norte-americana, apaixonada por um livreiro britânico. Notting Hill é o palco da ação, do romance e de mais um sucesso a juntar à carreira da nossa “querida” desta semana, mostrando-a como uma verdadeira estrela de Hollywood que, aos poucos, se ia assumindo como tal.

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A entrada no novo milénio traz a Julia Roberts a confirmação do seu talento traduzida em prémios. O Oscar para melhor atriz chega logo em 2001, entre Noiva em Fuga e A Mexicana, com o drama biográfico Erin Brockovich, do ano 2000. Um papel de protagonista que exige muito de Julia Roberts, forçando-a a aprender a escrever com a mão direita, sendo ela canhota, para mais se parecer com a personagem, a juntar à dificuldade de representar no cinema uma pessoa ainda viva, ainda para mais uma mãe solteira desempregada que abalou as bases da sua pequena vila e de uma grande empresa. O cachet que recebe pelo papel torna-a a primeira mulher a superar a barreira dos 20 milhões de dólares. Esquece-se de agradecer à própria Erin Brockovich, mas afirma “eu adoro o mundo!” e arrecada também um dos seus três BAFTAs com este filme.

É considerada uma das pessoas mais bonitas do mundo – disse-o a revista People em 2000, mas muitos outros tops menos oficiais continuam a incluí-la. Tem a sorte de ter contracenado com grandes estrelas do cinema e de ter namorado com algumas delas também. Liam Neeson (com quem viveu), Kiefer Sutherland (de quem esteve noiva), Jason Patric, Matthew Perry e Benjamin Bratt foram alguns dos atores com quem manteve relações românticas. No filme A Mexicana, com Brad Pitt, Julia conhece o futuro marido, o cameraman Danny Moder, com quem casa em 2002 e do qual tem atualmente três filhos. Mas antes disso há ainda lugar para O Par do Ano e Ocean’s Eleven, numa nova colaboração com Steven Soderbergh (uma das quatro da sua carreira), novamente contracenando com Brad Pitt – e para um longo escândalo nos media sensacionalistas, com a sua relação com Bratt e o casamento de Moder ainda a decorrer.

O Sorriso de Monalisa, em 2003, é outro dos seus sucessos, a juntar a Closer – Perto Demais e Ocean’s Twelve, ainda antes do nascimento dos filhos gémeos. É com o primeiro que ganha, mais uma vez, cerca de 25 milhões de dólares, um dos seus salários mais altos da indústria de Hollywood. A partir daí é novamente uma época pouco próspera para a sua carreira, com o tempo que os dois filhos lhe ocupam. O regresso acontece inicialmente com a participação no videoclip de Dreamgirl, de Dave Matthews Band, em 2005, vídeo esse que demora 12 dias a ser filmado na perfeição – e ao qual a própria atriz procura dar tudo de si, sendo também ela fã assumida da banda. O palco está pronto para o seu regresso ao grande ecrã, o que acaba por se dar com Jogos de Poder, com Tom Hanks, depois de dar voz a dois filmes animados.

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Não abandona a carreia como diz que pode vir a fazê-lo, e ainda bem. Estreia-se na Broadway em 2006, ao lado de Bradley Cooper e Paul Rudd, na peça Three Days of Rain, e é embaixadora da Lancôme, um dos rostos da UNICEF e de outras campanhas humanitárias pelo mundo fora, usando a sua imagem em prol do bem. Os filmes mais recentes são bastante conhecidos por todos nós: mais comédias românticas, talvez não tão épicas como o sucesso Pretty Woman, mas que continuam a granjear-lhe reconhecimento. Dupla Sedução, Dia dos Namorados, Comer, Orar, Amar Larry Crowne, que a volta a juntar a Tom Hanks, são o seu percurso até 2011. O último filme lançado é Espelho Meu, Espelho Meu! Há Alguém Mais Gira do Que Eu?, que a leva a mostrar um lado negro diferente do que mostrara até à data. Em preparação encontram-se agora August: Osage County e o filme para televisão The Normal Heart, para 2013 e 2014 respetivamente.

Versátil, portanto. E bonita, e charmosa, e querida dos amantes de cinema. Já lá vai o tempo em que era criticada, na escola, por ter uma boca grande e usar óculos grossos. Fez do seu sorriso e sua imagem de marca e chegou até onde chegou graças à sua persistência e vontade de ir mais além. A notoriedade foi-lhe permitindo, aos poucos, ir escolhendo os papéis que de facto queria fazer – e, embora nem sempre o tenha feito adequadamente, a História não se esquecerá da queridinha de Notting Hill ou de O Sorriso de Monalisa, que vimos crescer desde Vivian Ward.