Captura de ecrã 2013-05-16, às 00

Castle: Um ano de Caskett

A quinta temporada da série Castle terminou na passada segunda-feira nos Estados Unidos, deixando mais uma vez em aberto o que poderá acontecer na próxima. Castle já nos habituou a estas season finales surpreendentes, com as pontas soltas a provocar a emoção dos espectadores. E a temporadas que, apesar de algo repetitivas, nos levam a querer sempre mais: mais Castle, mais histórias bizarras. E mais Caskett.

Romance, drama e muito humor marcaram estas quatro temporadas de Castle. E, quatro temporadas depois, de “andam ou não andam”, FINALMENTE vemos Castle (Nathan Fillion) e Beckett (Stana Katic) juntos. Nesta quinta série perdem-se talvez os momentos humorísticos, a dúvida se de facto aconteceria algo entre eles, o “sim ou não” constante na sua relação. Ganha-se, no entanto, uma dimensão pessoal que já antes nos interessava mais acompanhar e que acaba por distinguir a série das demais policiais. A dupla Caskett mantém-se divertida e invencível na resolução dos homicídios, num estilo novelístico talvez mais notório agora. Mas a incerteza marca o início da temporada, na recuperação do final apoteótico da anterior, e volta a sentir-se nos últimos episódios, com uma relação que, passado um ano, parece continuar tão incerta.

Um ano condensado em pouco mais de mil minutos, mas recheado de situações imprevisíveis e novos desafios para o nosso herói escritor. Das tentativas de esconder a relação da esquadra ao rapto de Alexis (Molly C. Quinn) – com dois episódios intensos-, passando pela fantasia de ficção científica de Beckett, um episódio filmado por uma câmera amadora, um episódio natalício fofinho, ou ainda um DVD cuja visualização resulta na morte da pessoa. Infelizmente, em 24 episódios, são bastantes os fillers e contam-se pelos dedos das mãos os que valeram muito a pena ser vistos. De qualquer forma, Castle – a série e a personagem – tem o dom de criar uma expectativa positiva que nunca se deixa transformar numa desilusão. Há uma regularidade e uma esperança sempre presentes.

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Pessoal, divertida e nostálgica. O tom com que Castle nos deixa em expectativa para a sexta temporada é, mais uma vez, de incerteza; de dúvida, entre o ficar em casa e o arriscar, o partir à aventura pela porta da direita ou pela porta da esquerda. Tomar decisões nunca foi fácil, ainda menos quando afecta os que nos rodeiam. E o que é mais curioso no meio disto tudo – e particularmente na season finale – é que tudo isso é deixado nas mãos de Beckett: é nela que se focam os últimos frames da temporada, é a ela que cabe a tomada de decisões. Castle torna-se um mero peão nesta luta pela melhor escolha, a escolha que vem verdadeiramente do coração.

O episódio que me fez ter orgulho na série: 22 – Still. É um dos últimos episódios, na onda nostálgica que caracteriza o final desta temporada, e tem um duplo significado: a necessidade de Kate estar quieta, parada no mesmo sítio, correndo o risco de fazer explodir uma bomba, e ao mesmo tempo a película cinematográfica, aqui metaforizando os flashbacks de Beckett e Castle sobre quem gostou de quem primeiro, os seus beijos, as provocações, as situações perigosas que ultrapassaram, o porquê de ele a seguir no seu trabalho. Não são apenas clips, são uma mistura entre a história presente, o romance deles, a situação de alto risco, e um passado em comum já tão recheado de história(s). É a forma de ele a entreter e é, ao mesmo tempo, uma verdadeira homenagem à série. Tem lá tudo, a essência toda de Castle. Nem por um momento duvidamos da sobrevivência dela, mas a circunstância criada para este filler bem jeitoso acaba por nos agarrar ao ecrã.

O episódio que me fez atirar o comando ao ecrã: 21 – The Squab and the Quail. É difícil nomear um, mas é curioso como este, tão próximo do anterior, me tirou ligeiramente do sério. Uma nova personagem, bem-parecida, surge na história, e a estagnação da relação de Kate com Castle deixa-a levar-se pelas palavras deste homem poderoso e em perigo. Sim, ele beija-a. É um pseudo-romance forçosamente incluído, apenas para espicaçar Beckett, mas totalmente previsível, aborrecido e desnecessário, ainda por mais com os desenvolvimentos dos episódios seguintes, culminando no último. Passámos tanta temporada a querer Caskett que é impossível sermos convencidos, tão pouco tempo depois, de que um acontecimento destes vai abalar aquele romance.

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Melhor personagem: Castle, se dúvida. Não há como contorná-lo, não há como não gostar dele. A sua aparente altivez de pessoa rica e sabida fazem-nos rir, bem como os seus medos, a sua crença no sobrenatural, nas criaturas fantásticas: a sua imaginação fértil. Por muito que gostemos de Kate e que, sem ela, a própria personagem de Castle fosse consideravelmente diferente, é ele que dá alma à série, como lhe dá nome. É com ele que rimos, é por ele que sofremos. a sua preocupação com a família e com Kate notam-se nas pequenas coisas e as curtas expressões que faz contam-nos tanto sobre ele, as suas opiniões e constatações. É uma personagem forte desde o início, com uma faceta eternamente criança, mas na qual observamos uma certa evolução nesta temporada. Castle cresce, faz-nos gostar ainda mais dele.

Pior personagem: Não há uma personagem que consiga identificar como a pior da temporada ou da série. Gostava que Laney e Esposito, por serem personagens tão interessantes, tivessem um pouco mais de protagonismo, mas não podemos exigir isso de uma série que tem duas personagens ditas principais e um rol tão importante de secundários. As de curta duração são tão esquecíveis, na maioria das vezes, que não se tornam sequer más aos nossos olhos.

Melhor história: A micro-história do episódio 19 – The Lives of Others, que é também o episódio 100 da série. Uma bonita homenagem à Janela Indiscreta de Hitchcock, com Castle de perna partida a observar a vizinhança através da janela, munido de um par de binóculos, descobrindo um crime no prédio da frente. Ninguém acredita nele; não há provas, apenas o seu aborrecimento de estar em casa e as supostas alucinações de quem quer muito que algo aconteça para se entreter. Emocionante, perturbador e verdadeiramente cheio de suspense e humor. E aquele desenlace de “prenda de aniversário” fez o meu dia.

CASTLE - "Watershed" - In the Season Finale, an interview with a high-profile federal law enforcement agency forces Beckett to reconsider what she wants out of her job -- and out of her relationship with Castle. Meanwhile, the body of a young woman is found floating inside the water tank of a skid row flop house, but as the team investigate, they discover that her final resting place is just one of many strange things about her death, on "Castle," MONDAY, MAY 13 (10:01-11:00 p.m., ET) on the ABC Television Network. (ABC/Richard Cartwright) STANA KATIC, NATHAN FILLION

A maior surpresa da temporada: A vida dupla de Ryan: a revelação de que o detective esteve “undercover” num gangue, com uma identidade muito distinta do polícia reservado e sério que a esquadra conhece. O renascer da sua personagem clandestina é bastante interessante. Igualmente surpreendente é, obviamente, a season finale, mais precisamente os últimos momentos: aquele fôlego que fica em suspenso com a questão levantada, que nos faz sorrir e suspirar ao mesmo tempo. Vou continuar a conter-me para não contar.

A maior desilusão da temporada: Talvez o desvio do foco na vingança de Beckett. Era uma história bastante rica, credível, embora já tivesse sido extensamente aproveitada nas temporadas precedentes. A única menção é no episódio em que Kate é profissionalmente “obrigada” a proteger o Senador Bracken, apesar de saber que ele é o responsável pela morte da mãe. Uma decisão difícil, mas que nos faz respeitar e admirá-la ainda mais. De qualquer forma, é pena que histórias como esta sejam rapidamente abandonadas até os argumentistas voltarem a ver nelas possíveis focos de interesse.

Expectativas para a próxima temporada: Mais casos emocionantes, originais. Um melhor balanço entre as histórias pessoais e os casos de homicídio por resolver. Um comeback em grande da nossa dupla favorita: que o romance continue a ser o que nos leva a querer seguir a série. Uma temporada igualmente intensa e interessante, mas ainda mais diversificada e peculiar. Que continue a fazer-nos sonhar.

Nota: 7,5/10

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