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A excentricidade de Gatsby e de Luhrmann

Baz Luhrmann volta aos cinemas com mais uma trágica história de amor embalada numa banda-sonora deveras curiosa. Desta vez adapta um dos maiores romances da literatura norte-americana, o Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald.

Nick Carraway (Tobey Maguire) deixa a sua terra e muda-se para Nova Iorque no verão de 1922, numa era de excessos, abundância e riqueza, conhecida como os loucos anos 20. Perseguindo o seu American Dream, Carraway instala-se ao lado de um misterioso milionário, conhecido em toda a cidade pelas gigantes festas que organiza: o seu nome é Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). Carraway cai assim mesmo no meio de um mundo cheio de luxúria, corrupção e traição.

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O Grande Gatsby veio abrir as hostes para mais uma época de blockbusters de Verão e, abrindo também o festival de Cannes de 2013, é um dos filmes mais esperados do ano. Conta com um elenco de luxo e um realizador que construiu a sua carreira em Hollywood através de sucessos como Romeu + Julieta e Moulin Rouge, que chegou a ser indicado a oito Oscars da Academia, ganhando dois deles. Baz Luhrmann veio conquistando cada vez mais admiradores, principalmente depois de Moulin Rouge, filme que foi considerado por muitos um ponto de viragem em Hollywood, trazendo os musicais de volta para as grandes telas. Mas o realizador australiano não agrada a todos, o seu excêntrico estilo, que transparece tanto na decoração dos sets como nos movimentos da câmara é um dos pontos que mais faz torcer o nariz às pessoas.

O Grande Gatsby não escapa a esta excentricidade desmedida que é por vezes confusa e que, por um lado causa dispersão aos espectadores, mas por outro é completamente fascinante, já que nos convida a ver todo um novo mundo a movimentar-se tão rapidamente diante dos nossos olhos. Explosões de purpurina, dançarinas com lantejoulas, homens a cuspir fogo, maestros a conduzir uma banda de jazz, uma encantadora de cobras a passar, um bêbado a atirar-se à piscina, tudo isto acompanhado por uma música hip-hop de Jay-Z. Se a reunião de todos estes factores parece impraticável, Luhrmann torna-a numa cena de um dos seus filmes e aqui se revela o verdadeiro génio deste realizador. Nada é impraticável na sua mente, por mais fantasioso que seja, tudo é possível e a regra é simples: maior é melhor!

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Mas o grande problema de O Grande Gatsby é, mais uma vez, prestar mais atenção a aspectos técnicos e não tanto ao argumento e elenco, que é relegado para segundo plano. Os sets são estrondosos, o guarda-roupa capta na perfeição a essência dos anos 20, os efeitos em CGI são mais que razoáveis e a banda-sonora é inovadora, tanto como a de Moulin Rouge, com músicas deliciosas que, não sendo bem ao estilo das que se ouviam no anos 20, assentam que nem uma luva nas cenas captadas por Luhrmann. Apenas há um defeito a apontar no campo técnico. O facto de o realizador ter optado por gravar o filme em 3D, que não serve rigorosamente para nada, os espectadores até se esquecem que a longa-metragem é em 3D, não fossem os desconfortáveis óculos a magoar as orelhas.

O filme poderia ser grande, muito maior do que é. Sente-se que o potencial do argumento não foi explorado ao máximo, simplista demais e algo superficial. O elenco tinha tudo para dar certo, de facto, a maior parte esteve realmente bem. DiCaprio conseguiu estar à altura de uma das mais icónicas personagens de ficção americana. Carey Mulligan (faz de Daisy Buchanan) revelou-se competente, conseguindo trazer até nós uma mulher verdadeiramente amargurada pelo passado e desiludida com o presente. Joel Edgerton surpreendeu no seu papel de Tom Buchanan. Mas é de facto uma pena terem escolhido Tobey Maguire para o papel de Carraway, o principal de toda a película. O actor foi razoável, bem acima da média do que já fez anteriormente, mas para quê ter um actor tão medíocre no papel principal quando se tem um elenco de luxo por detrás? Maguire é sem dúvida o ponto fraco de todo o elenco e, infelizmente, é aquele que mais tempo de cena tem.

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Em suma, Baz Luhrmann deixa-nos entrar na sua frenética cabeça durante duas horas e nós contemplamos todo o seu ritmo e excentricidade, mas também nos apercebemos de muitas falhas que fizeram com que O Grande Gatsby não fizesse jus ao seu próprio nome. É bom, mas não é grande.

7.5/10

Ficha Técnica:

Título Original: The Great Gatsby

Realizador: Baz Luhrmann

Argumento: Baz Luhrmann Craig Pearce baseado no romance de F. Scott Fitzgerald

Elenco: Leonardo Dicaprio, Joel Edgerton, Toby Maguire, Carey Mulligan.

Género: Drama, Romance

Duração: 142 minutos

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.

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