esben and the witch

Wash the Sins Not Only the Face

Trio britânico formado em 2008 por Rachel Davies, Thomas Fisher e Daniel Copeman na cidade de Brighton, no sul da Inglaterra, os Esben and the Witch são um jovem projecto que procura, com as suas canções, misturar influências do Gothic Rock e da Dream Pop com a sensibilidade e leveza da Indie Pop. Depois da promissora estreia de 2011, com Violet Cries, o trio lançou no início deste ano o seu segundo LP; intitulado de Wash the Sins Not Only the Face, o disco tem o selo da Matador Records e está nas lojas desde 21 de Janeiro.

Elogiado pela crítica pela forma exímia com que resgatou das malhas do tempo o negrume do universo Gothic e o depurou com uma beleza fina e etérea retirada directamente da Dream Pop, criando algo que podemos chamar de Gothic Pop, Violet Cries trazia consigo um conjunto de canções Pop surpreendentemente poderoso e fez dos Esben and the Witch, de um dia para o outro, uma das mais discretas promessas que a música alternativa britânica tem para nos oferecer.

Wash the Sins Not Only the Face, segundo LP do trio, apresenta-se como a primeira confirmação séria dessa promessa, trazendo-nos um bem-vindo refinamento da fórmula de Violet Cries; mantendo como base a conjugação de momentos contemplativamente lentos, bucólicos e fantasiosos (ou não fosse o nome da banda tirado de um conto de fadas dinamarquês) com passagens mais aceleradas e energéticas, os Esben and the Witch conseguem, neste novo disco, polir algumas arestas e demonstrar um grande crescimento musical.

Esse crescimento nota-se, desde logo, no fluir da música; as mudanças de ritmo surgem neste Wash the Sins Not Only the Face de forma muito mais natural, com os crescendos e os diminuendos a revelarem grande leveza e dinâmica. Também na produção, a cargo de Tom Morris e da própria banda, é possível notar uma maior maturidade estética, com os Esben and the Witch a demonstrarem uma nova amplitude e densidade, num esforço que demonstra uma franca melhoria em relação ao (por vezes tísico) disco de estreia.

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Na voz, Rachel Davies mostra-se fiel a si mesma, mantendo um registo que varia entre a languidez etérea e a firmeza assertiva e que traz à mente comparações com PJ Harvey, Siouxsie Sioux ou Chelsea Wolfe. No departamento lírico, também não se pode dizer que existam aqui grandes divergências com o trabalho desenvolvido em Violet Cries, com Davies, única letrista deste Wash the Sins Not Only the Face, a usar e abusar (no bom sentido) de uma imagética surrealista e digna de sonhos e lendas.

Contudo, não se pode dizer que tudo seja risonho neste Wash the Sins Not Only the Face; apesar de todas as melhorias acima referidas e do notável crescimento que se faz sentir nesta obra, o segundo álbum dos Esben and the Witch conta com alguns defeitos que o fazem ficar, na minha opinião, algo aquém da perfeição. A encabeçar essa lista de “problemas” está uma certa discrepância de qualidade entre canções, com alguns momentos mortos a retirarem vivacidade ao disco. Por cima disso está, também, uma certa homogeneidade excessiva que se vai fazendo sentir ao longo da obra, o que só lhe retira brilho e a impede de atingir voos maiores.

Quanto a faixas individuais, devo destacar pela positiva a encorpada When the Head Splits, a agridoce Yellow Wood, a frenética Despair e a bipolar Smashed to Pieces in the Still of the Night. Por outro lado, as insípidas Slow Wave e Putting Down the Prey e a moribunda The Fall of Glorieta Mountain apresentam-se, na minha opinião, com as piores canções deste conjunto e são bem demonstrativas das falhas de Wash the Sins Not Only the Face.

Frio, atmosférico e balançando indecisamente entre o sombrio e o luzidio, Wash the Sins Not Only the Face apresenta-se como um digníssimo sucessor de Violet Cries, mostrando uns Esben and the Witch à altura desafio imposto pelo LP de estreia e a aprimorar, de forma hábil, a sua fórmula sonora. É certo que não reinventa a roda e que, em certos pontos, este álbum acaba por revelar algumas falhas; porém, a verdade é que, no fim de contas, todos esses problemas acabam por ser menores em face à qualidade das canções presentes neste Wash the Sins Not Only the Face.

Nota final: 8.0/10

*Este artigo foi escrito, por opção do autor, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945

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