Desde 24 de março, e em cada domingo, o Espalha-Factos tem uma nova iniciativa. Depois de, com o A Recordar, termos relembrado grandes atores e atrizes que não viram o seu talento reconhecido (ou apenas tardiamente tal aconteceu) ou caíram no esquecimento, desta vez iremos destacar algumas dos nomes mais Queridos de Hollywood, numa rubrica com o mesmo título.

Ele tem dividido a crítica e arrastado multidões ao longo de quase trinta anos de carreira. O total dos lucros de bilheteira dos filmes em que este inglês participou ultrapassa já os 900 milhões de dólares. Do drama à comédia, passando pelo musical. Sim, falamos de Colin Firth.

Nascido a 10 de setembro de 1960 numa família ligada ao meio académico, Colin Firth cedo percebeu que a sua vocação era o palco. Andou no National Youth Theatre – conseguindo um emprego no departamento de guarda-roupa do National Theatre – e passou depois pelo London’s Drama Center, apostando assim numa formação em teatro clássico.

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As oportunidades foram surgindo naturalmente. Das participações aos pequenos papéis, até chegar às interpretações de destaque. É exatamente em 1995 que Colin Firth obtém o reconhecimento a uma escala internacional com o seu papel de Mr. Darcy na adaptação televisiva da BBC do romance de Jane Austen, Orgulho e Preconceito. Arrecadou um BAFTA e um National Television Award pelo seu desempenho.

A aventura como Mr. Darcy repetir-se-ia alguns anos mais tarde, embora numa versão mais contemporânea. Em O Diário de Bridget Jones – que bateu recordes de bilheteira, arrecadando mais de 150 milhões de dólares – Colin Firth mostra uma faceta que viria a acompanhá-lo em trabalhos posteriores.

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A Rapariga com Brinco de Pérola (que lhe valeu o European Film Award), O Amor Acontece, A Paixão de Shakespeare ou mesmo Mamma Mia! voltaram a mostrar o ator numa história que tem o amor como sentimento chave, embora por vezes não sendo Firth o grande herói romântico da trama.

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A primeira nomeação aos Oscars acontece em 2010 com Um Homem Singular, realizado por Tom Ford. Na adaptação ao cinema do romance de Christopher Isherwood, que Firth protagoniza, o ator interpreta um professor universitário nos anos 60 que tem de lidar com a morte do companheiro e com a construção de uma fachada identitária perante uma sociedade que olha com preconceito a homossexualidade. Não levou o Oscar para casa, mas arrecadou o BAFTA para melhor ator.

Teve de esperar mais um ano pela estatueta dourada. Em 2011, com a sua interpretação enquanto George VI em O Discurso do Rei, realizado por Tom Hooper, Firth arrecadou não só o Oscar para melhor ator. Agraciado em festivais de cinema e entregas de prémios por todo o mundo, o papel valeu-lhe, entre outros, um Globo de Ouro, um BAFTA e um Screen Actors Guild Award. O Toronto International Film Festival projetou o filme no dia de aniversário de Colin Firth. “O melhor aniversário de sempre”, garantiu o ator.

No mesmo ano, Firth é considerado pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo e vê-se distinguido no Passeio da Fama de Hollywood com uma estrela com o seu nome – a estrela número 2429. 2011 mostrou-se assim um ano profícuo para o ator inglês, que parecia atingir um auge na sua carreira.

Para além da representação, Colin Firth dedica-se à escrita e ao ativisimo social. Através da Survival Internacional procura defender os direitos das populações tribais do mundo. Colabora ainda com o Conselho de Refugiados e com a Oxfam – na defesa de um comércio justo.

Dúvidas houvesse e elas estariam dissipadas. Colin Firth tem-se distinguido pela versatilidade, pelo talento e pela capacidade de se associar a projetos marcantes. Sem cair em papéis estereotipados, o ator inglês tem provado merecer o carinho que lhe tem sido dado. “Querido de Hollywood”? Não, do mundo.