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Chuva, reggae e muito soul na Queima de Coimbra

Confere aqui a reportagem dos dias 6, 7 e 8 de maio da Queima das Fitas de Coimbra. Hardwell foi mesmo incrível, não foi?

Dia 6 de maio: Mastiksoul contra o mau tempo

O quarto dia de festa estudantil foi abençoado pela chuva. Era quase uma da manhã quando Keemo & Schild subiram ao palco da Queima. Para recompensar os estudantes que se aventuraram fora de casa num dia em que o clima parecia não querer ajudar, o duo de DJ’s passou músicas bem familiares ao público. Californication dos Red Hot Chili Peppers e Beautiful Lie de Cosmo Klein fizeram as delícias dos resistentes, enquanto Keemo & Schild se esforçavam por criar uma atmosfera animada e descontraída, condicionada pelas más condições meteorológicas.

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Porém, uma plateia já ‘enxuta’ e mais composta aguardava o cabeça de cartaz, Mastiksoul. O DJ e produtor português escolheu Don’t You Worry Child de Swedish House Mafia para abrir o concerto que iria contar com músicas de outros artistas conhecidos como Nirvana, Richie Campbell e Hardwell. Usando a sua mestria para combinar hits internacionais com os seus beats tribais tão característicos, Mastiksoul prolongou a atuação até às quatro da manhã, altura em que uma nova carga de água ameaçava estragar o ambiente efusivo que se sentia no Pátio da Canção.

7 de maio: O poder do reggae ‘tuga’

 Souls of Fire trouxeram o reggae português à Queima das Fitas de Coimbra. O concerto começou ao som de Pontas Soltas, um dos singles do último álbum (homónimo), mas o ponto alto da noite só chegou com a tão célebre lição de História. Ao fim de uma hora de espetáculo pôde-se ouvir Tu Eras, uma das faixas mais conhecidas do último trabalho.

Em conferência de imprensa, os Souls of Fire afirmaram quererem mostrar “um tipo de reggae diferente, com músicas quase todas em português” e deixaram no ar a possibilidade de ainda no final do ano terem “coisas novas para apresentar”.

Se Souls of Fire encantaram, Richie Campbell deslumbrou. O artista, que vem pela segunda vez ao palco principal da Queima da Fitas, considera “um prazer” ter uma noite inteiramente dedicada à “reggae music”.

Richie Campbell

Everytime I Cry, Blame It On Me e That’s How We Roll fizeram furor, colocando toda a gente a cantar. Pela altura em que chegou Love is An Addiction já o público se encontrava colado às grades agitando os braços enquanto cantarolava a letra que vinha sabida de cor. Focused foi uma das últimas músicas apresentadas pelo artista que começou a carreira como um dos sucessos do YouTube.

Para aqueles que questionam o facto de Ricardo Costa cantar em inglês, o próprio explica, em conferência de imprensa, que essa era a língua falada em sua casa: “a minha mãe nasceu em Inglaterra e o meu pai no Zaire”. O seu sucesso não se traduz, por isso, na língua em que canta, mas sim no suor e nas lágrimas que coloca no seu ofício. Como o próprio indica, nada se consegue com, pelo menos, “80 por cento de trabalho”, o resto é preenchido com ”outras coisas”.

8 de maio: Fenómeno Hardwell

O dia 8 de maio de 2013 terá, com certeza, um lugar privilegiado na memória de todos aqueles que se dirigiram, nessa data, ao Pátio da Canção. Uns vieram do norte, outros do sul. Todos tiveram de enfrentar a chuva insistente que fustigava o rostos e o corpo das centenas de pessoas que se juntaram para assistir a um dos maiores concertos da Queima das Fitas de Coimbra.

Capas e guarda-chuvas abriram-se e estenderam-se para criar um manto tingido, ora de negro, ora de cor, que abrigasse o pessoal da chuva durante o tempo de espera. À hora marcada Hardwell abriu o palco com uma chuva de confetti que aqueceu o público e o libertou dos seus agasalhos. O rastilho estava montado, a fogueira ateada, o importante era não deixar a chama morrer.

As escolhas musicais do DJ foram tão originais como ele próprio. Começando com Spaceman, um inédito da sua autoria, o set estendeu-se às obras de outros DJ’s, entre os quais Avicii e Calvin Harris e aos trabalhos de bandas famosas como One Republic ou Linkin Park.

De repente, a multidão estoirou em histeria quando se ouviram os primeiros acordes do hit Can’t Hold Us, de Macklemore. Hardwell só teve de aproveitar a deixa para inserir o seu novo single, Never Say Goodbye, que levou toda a gente ao êxtase total. Robbert van de Corput despediu-se com um “obrigado” em português dito junto às barreiras de segurança, bem perto do público.

Em conferência de imprensa, Hardwell diz que a sua performance é a mesma “quer atue perante 20.000 ou 40 pessoas”. A sua profissão, diz, é exigente e trabalhosa, dado que requer uma pesquisa e dedicação imensa para dar às pessoas aquilo que elas querem ouvir sem nunca “repetir sets”.

Textos de Elisa David. Fotografias de Maria Inês Antunes

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