Antonio-Zambujo

António Zambujo encanta na sua estreia em Torres Vedras

No passado sábado, noite de derby decisivo, António Zambujo conseguiu a proeza de esgotar o Teatro-Cine de Torres Vedras. Numa viagem pelos vários álbuns do cantor, com especial destaque para Quinto, o mais recente e considerado o melhor álbum nacional de 2012 pela redação da revista Blitz. O público torreense ficou rendido ao dar uma voltinha na Lambreta de António Zambujo.

Acompanhado de guitarra portuguesa, clarinete, trompete e contrabaixo, António Zambujo, vestido de fato e gravata, subiu ao palco para cerca de duas horas de concerto, iniciadas com a canção A casa fechada. Pela primeira vez na cidade de  Torres Vedras, António Zambujo agradeceu ao público do Teatro-Cine por “terem trocado” o Porto-Benfica pelo seu concerto, desejando que a troca valesse a pena.

O timbre único da voz de Zambujo, muitíssimo bem sustentado pelos sopros e pelas cordas que o acompanhavam, resultou de forma excelente desde os primeiros temas, como os já conhecidos Algo estranho acontece e Fortuna. Os “retratos da vida real” feitos pelas letras do cantor foram perfeitamente ilustrados por Queria conhecer-te um dia e Flagrante, temas que, pelo seu sentido de humor, provocaram algumas gargalhadas na plateia.

Seguidamente, sozinho em palco, foi tempo para António protagonizar um dos pontos altos da noite, com o seu êxito Lambreta a ser cantado em uníssono por todo o público torreense. “Pena a lambreta só ter dois lugares!”. Já com o quarteto de volta, foi tempo para Guia, tema homónimo do último disco e no qual a harmonia entre guitarras se fez notar particularmente. Houve ainda espaço para temas mais antigos, como Apelo e Lábios que beijei.O desabafo auto-biográfico de Fado Desconcertado fez as delícias da plateia, mas Gotinha de água marcou o momento mais intimista da noite, com António e a plateia do Teatro-Cine a sussurrarem o refrão em coro.

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“Então, o jogo nunca mais acaba?”, desabafou Zambujo, visivelmente impaciente. Um instrumental poderoso, protagonizado pela secção de sopros, introduziu A tua frieza gela, tema que contou com um falsete cómico da parte do cantor alentejano. Depois de Noite estrelada, Quando tu passas por mim, e do clássico Zorro (cuja letra foi adaptada à cidade, com “ter o torreense todo nos meus pés”), Barroco tropical e Não me dou longe de ti marcaram a reta final do concerto.

Já informado (provavelmente por algum dos seus músicos, pelas suas entradas e saídas de palco) da derrota do Sport Lisboa e Benfica, o seu clube de eleição, António Zambujo brincou com a plateia, aconselhando a direção do teatro a mudar a cor das cadeiras, de vermelho para azul. Houve ainda tempo para Reader’s Digest, tema da autoria de Miguel Araújo, antes do encore.

Visivelmente emocionados os cinco músicos sairiam de palco, mas Zambujo voltaria logo de seguida para cantar e tocar à guitarra, sozinho em palco, o tema Valsinha, de Vinicius de Moraes. Já com os seus músicos de regresso, foi com Amor de mel, amor de fel que se deram as despedidas finais.

O espetáculo no Teatro-Cine de Torres Vedras foi mais uma prova das qualidades de António Zambujo, deixando-nos a concordar com Caetano Veloso que, a semana passada em declarações à imprensa, o considerou “um dos melhores cantores do mundo da atualidade”.

À saída do teatro, ouvia-se alguém comentar: “foi um concerto muito interessante”. Não podemos discordar.

Fotografia: Facebook oficial de António Zambujo

 

 

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