gogol bordello

Gogol Bordello queimaram as últimas fitas em Coimbra

É oficial: Coimbra está toda queimada. A última noite da Queima das Fitas’13 iria sempre deixar saudades, mas ao som de Gogol Bordello e Kumpania Algazarra teve outro encanto. Chorem à vontade, estudantes universitários.

Sendo ou não estudante em Coimbra, antes de chegar ao recinto da Queima é obrigatório pagar Portagem. O concerto dos grandes cabeças-de-cartaz ameaçava começar demasiado cedo, ainda com grande parte da multidão a esmagar copos nas imediações. Mesmo assim, quando Gogol Bordello subiram ao palco do Parque da Canção o recinto encheu num ápice.

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É difícil apontar os momentos mais intensos de um concerto muito regular (sempre a cem à hora), mas os primeiros minutos foram mesmo de loucos. E, infelizmente, passaram num instante, entre filas e filas de pessoas que estão à procura dos amigos que insistem em atravessar a multidão. Mas quando as movimentações amainaram correu tudo bem: sempre que o violino de Sergey Ryabtse acelerava poucos ficavam com os pés no chão. Muitos saltos, muita dança e, incrivelmente, poucas cotoveladas. Pelo menos no meu raio de visão.

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Caramba, que alinhamento!, com o melhor de Voi-la Intruder, Super Taranta e Trans-Continental Hustle, principalmente. Eugene Hütz lidera uma banda que nunca descansou nem experimentou serviços mínimos, e quando desafiado com um bem ruidoso “Mão direita, copo cheio, é penalty“, o Wonderlust King, percebendo ou não o que se cantava, não hesitou em responder com o maior dos deleites: “Absolutely!”. À nossa!

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Alcohol candidata-se a uma tradução para a língua portuguesa e a integrar o repertório de alguma tuna. My Companjera, Pala Tute e Sacred Darling, a última, também correram especialmente bem.

Pensava-se que os Kumpania Algazarra atuariam antes desta conquistadora banda de gipsy punk, já que seriam um bom aquecimento. Acabaram por ser igualmente eficazes a “segurar as pontas”, perto das três da manhã, e o mérito prova-se pelo número bastante considerável de gente que conseguiram manter em frente ao palco principal àquela hora da noite. Os estudantes estrangeiros que foram a Coimbra de propósito ver Gogol Bordello gostaram de músicas como Oh cidade!, Wild Zone ou Pudim, o novo single; pelo menos era o que comentavam seis ou sete britânicos extasiados com o grupo português que partilharam comigo o autocarro de regresso a Lisboa.

Pelo avançar da hora e do álcool no sangue, as danças tornavam-se mais aparatosas. Estava mesmo na hora de dar um salto às tendas dos DJ. Por lá tudo normal: numa eram o DJ Fernando Alvim e as canções da moda a fazer a festa; noutra ficam as dúvidas sobre quem girava os discos, mas a certeza de que já toda a gente se estava a marimbar para as normas sociais. Não me lembro de ter passado a Get Lucky dos Daft Punk.

O sol nasce e com ele vêm as lágrimas de quem já sente saudades da Queima mesmo antes de acabar, finalistas babados a usar as bengalas para mil e um fins e caloiros (presume-se) a fazer declarações de amor a Coimbra e a estranhos. Inglória tarefa a dos seguranças, a tentar esvaziar o recinto rapidamente. É difícil ir embora…

Fotografias por Maria Inês Antunes

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