Captura de ecrã 2013-05-11, às 12

Glee – uma temporada de mudanças

Esta quarta temporada de Glee foi muito diferente de todas as anteriores. Metade do elenco fez a sua graduation e rumou para novos caminhos, fora do New Directions. Vimos também surgirem um conjunto de novas personagens e o regresso de alguns rostos conhecidos. O enredo tornou-se bicéfalo, numa tentativa de criar dois núcleos: o de McKinley High Scholl e o de NYADA, em Nova Iorque. Analisamos em detalhe o que resultou melhor e pior destas mudanças.

Nem tudo foi suave nesta mudança de ares. Por vezes, sentiu-se que os autores simplesmente criaram duas séries dentro de uma só. Com histórias e ambientes completamente diferentes, não foi uma missão fácil. Provavelmente um dos episódios em que houve a melhor integração dos dois núcleos foi o primeiro, intitulado The New Rachel, e que fez um ótimo paralelismo entre passado, presente e futuro.

Para mim o novo núcleo de Nova Iorque tem um extremo potencial. O trio Rachel (Lea Michele), Kurt (Chris Colfer) e Santana (Naya Rivera) combina muito bem, e poderão dar boas histórias nos próximos tempos. Ainda assim, tiveram alguns acidentes de percurso (Brody?). No entanto, foi notória a dispersão dos autores, que tiveram de dar conta de um excessivo número de personagens. E isso notou-se principalmente nas personagens de McKinley. Com várias novas personagens a entrarem e com as antigas a continuarem a aparecer em participações especiais, por vezes a série lidava com demasiadas coisas ao mesmo tempo. Personagens veteranas como a Tina (Jenna Ushkowitz) ou o Artie (Kevin McHale) não tiveram oportunidade de brilhar. O elenco adulto teve, em geral, a sua pior temporada, com menos tempo de antena e com as piores histórias.

Outro problema desta temporada – e que já era recorrente em temporadas anteriores – foi a insistência de Glee em ocasionalmente nos atirar temas sérios e graves de repente, mas não os tratar da melhor forma. É uma comédia, bem sabemos. Mas isso não permite que, quando os escritores se propõem a abordar a bulimia, o façam de qualquer maneira. Ou lidam com esses assuntos de forma séria, ou então o melhor será nem ir por esses caminhos.

A música continuou a ser um dos pontos fortes da série, que já ultrapassou as suas 500 interpretações, e que continuou a proporcionar ótimos momentos ao longo desta temporada.

O episódio que me fez ter orgulho de seguir a série: É uma escolha fácil. O episódio 6.04, intitulado The Break Up, foi o que mais emoções despertou, foi dos que soube melhor conjugar as histórias e as personagens, além de ter sido decisivo para todo o restante da temporada. Finn (Cory Monteith) e Rachel, Blaine (Darren Criss) e Kurt, Britanny (Heather Morris) e Santana e Will (Mathew Morrison) e Emma (Jayma Mays), as quatro relações sofreram uma volta de 180 graus.

glee rachel finn

O episódio que me fez atirar o comando ao ecrã: O 11º episódio da temporada, de nome Sadie Hawkins, mostrou bem algumas das falhas de Glee. Um dos destaques foi uma história completamente atirada ao acaso que foi a paixoneta da Tina pelo Blaine e… do Blaine pelo Sam (Chord Overstreet).

Melhor personagem: Santana e Ryder (Blake Jenner). A Santana tem o poder latino e a honestidade brutal que dão sempre grandes cenas. Desde que foi para Nova Iorque viver com a Rachel e o Kurt a personagem ganhou um novo fôlego. E estamos para sempre gratos por ela ter ajudado a expulsar o Brody de cena. Já o Ryder considero ter sido uma das melhores aquisições da temporada, com um sólido crescimento a cada episódio. O seu relacionamento tanto com o Jake (Jacob Artist) como com a Marley (Melissa Benoist) foi das melhores partes desta temporada.

Pior personagem: Kitty (Becca Tobin). É uma segunda versão da Quinn (Dianna Agron), mas menos conseguida e mais irritante. E não teve nenhuma história decente ao longo da temporada, o que não ajudou.

Melhor romance: Sam e Britanny e Jake e Marley. Considerando que os principais casais estiveram separados durante quase toda a temporada, a minha escolha acaba por recair em personagens mais secundários. Sam e Britanny fizeram uma parelha surpreendente, mas que resultou muito bem. Já Jake e Marley estão no bom caminho para se tornarem os novos Finn e Rachel.

glee ryder jake

Expectativas para a próxima temporada: Espero que Glee consiga dividir melhor as histórias entre os vários núcleos e as várias personagens, que deixe de tratar de forma negligente temas sérios e que abandone o registo excessivamente caricatural que ás vezes o caracteriza. Além disso, espero que o Finn regresse rápido e volte a juntar-se à Rachel, que o Kurt e o Blaine (ainda) não se casem, que mais personagens se mudem para Nova Iorque (Mercedes? Puck?) e que o Jake, o Ryder e a Marley ganhem mais destaque.

Nota final: 6/10.

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