XX

Night + Day com The xx e amigos

No domingo à noite o Jardim da Torre de Belém recebeu o evento Night + Day curado pelos xx. A festa contou com a presença de amigos de longa data num evento que começou ao fim da tarde e se prolongou pela noite dentro.

Perto da meia-noite os xx abandonaram o palco montado no Jardim da Torre de Belém, deixando uma vasta lista de agradecimentos a todas as pessoas que, desde há mais de um ano, contribuíram para aquele feliz evento. Nós estávamos mais ricos: tínhamos presenciado um concerto diferente de qualquer outro dos xx em terras lusas.

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Mas situemo-nos nas seis da tarde. Os PAUS, bonitos convidados, abriram as hostilidades com a sua pujança, enquanto algum público os acompanhou e outro se manteve em mantas ao sol. São como o algodão: não enganam! E aquela meia hora soube a mel.

hélio morais

Entretanto, Xinobi, da Discotexas, animava o público que continuou a chegar, no simpático coreto que se localizava de frente para a Torre de Belém. Pela cabine de DJ improvisada haviam de passar também Kim Ann Foxman, membro dos Hercules & Love Affair, Jamie xx, Pional e mais tarde James Murphy. Sempre acompanhados por Kalaf Ângelo, da Enchufada, que foi anunciando os artistas, pedindo barulho e tirando fotografias.

Ambiente

De volta ao palco, Mount Kimbie, rotulados como banda do post dubstep, apresentaram temas do seu primeiro disco Crooks & Lovers (2010) e de Cold Spring Fault Less Youth (a editar brevemente). E percebe-se porque se dão bem com os xx. Movimentam-se também nas águas do experimental, com uma eletrónica extremamente bem arquitetada e baixo forte e refletem a mesma solidão e isolamento. A dupla britânica fez-se acompanhar em palco com um baterista e contribuiu para os primeiros passos de dança dos presentes.

John Talabot, produtor espanhol que já apresentara fIN no Lux, subiu ao palco quando o sol já se punha. A ele se juntou o seu conterrâneo Pional e contribuíram, com um som poderoso e bem dançável, para um momento excelente da noite, que seria enriquecido com o acompanhamento de Romy Madley-Croft e Oliver Sim no tema Chained, que Talabot e Pional remisturaram. Momento histérico que fez antever a loucura que iria ser o concerto dos xx.

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Noite posta, o público aglomerava-se junto do palco (consta que estavam 10 mil pessoas. E a crise?). Os Chromatics apresentaram Kill for love e o momento mais “fácil” da noite. Com a sua eletrónica pop e a tímida presença de Ruth Radelet, contribuíram para um abanar de anca algo acanhado. E ninguém acaba concertos assim: a versão de Running Up That Hill de Kate Bush e Hey Hey, My My (Into the Black) de Neil Young, bem tratadas, belíssimas, mas demasiado “xoninhas” para encerrar o concerto.

Chegara então o momento da noite. Muitas movimentações em palco fizeram antever que o espetáculo de xx iria ser também visual. E foi. A abrir, Try, belíssima e magnética introdução, com um jogo de holofotes absolutamente fabuloso, deixando de imediato todos “colados”.  Seguiu-se-lhe Heart Skipped a Beat e assim continuou o alinhamento: alternando entre os temas de Coexist e as do homónimo que todos tinham na ponta da língua.

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Alguns temas conheceram versões bastante diferentes com novas roupagens ora mais fortes, ora mais suaves que nos discos. Crystalised teve uma reinterpretação fabulosa, ora alucinante, ora relaxada, como num duelo amor/paixão. Algo parecido aconteceu com Shelter, Reunion (que se colou a Far Nearer, tema de Jamie XX), e Missing, que haveria de ser um dos momentos altos da noite, com o coração a bater forte.

Os xx amadureceram e estão mais vivos em palco. Se as letras têm a mesma dor e sofrimento os músicos parecem estar de melhor com a vida e apresentaram uma cumplicidade que nunca antes lhes víramos. Já não são apenas eles e os respetivos instrumentos. Há um público com o qual dialogam, sorriem e agradecem-lhe, muito, com os tradicionais “Adoramos estar aqui”, “Vocês são o melhor público”. O público respondeu com um histerismo constante – desde gritinhos à “dona-de-casa-em-concerto-de-tony-carreira”, telemóveis sempre no ar a fotografar e a gravar e até mosh (sim, leram bem).

Despedida ensaiada, os xx haveriam de voltar para o nada surpreendente mas bonito encore, tocado por trás de um gigante “xis” duplo feito de luzes que atravessava o palco: Intro (belíssima música que o histerismo coletivo mal deixou ouvir) e Angels, primeiro single de Coexist, a provar que este disco não é, de todo, pior que o primeiro.

Os xx despediram-se com um “até breve”. O evento Night+Day segue para Berlim e depois para os arredores de Londres.

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