Desde 24 de março, e em cada domingo, o Espalha-Factos tem uma nova iniciativa. Depois de, com o A Recordar, termos relembrado grandes atores e atrizes que não viram o seu talento reconhecido (ou apenas tardiamente tal aconteceu) ou caíram no esquecimento, desta vez iremos destacar algumas dos nomes mais Queridos de Hollywood, numa rubrica com o mesmo título.

Os seus olhos grandes e castanhos e a sua aparência franzina e delicada serão para sempre relembrados em todo o mundo. Audrey Hepburn (1929-1993), a diva fora e dentro do cinema, encantou Hollywood e tornou-se um ícone da moda, adorada pela sua ingenuidade, compaixão, sensibilidade e personalidade divertida que deixava transparecer. Integrou a lista das 50 mulheres mais bonitas da revista americana People e será para sempre relembrada com um lugar no Top 100 das Estrelas de Cinema de Todo os Tempos, pela revista britânica EMPIRE.

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Audrey Hepburn nasceu a 4 de maio 1929, em Ixelles, na região Bruxelas, Bélgica, no seio de uma família abastada e de sangue-azul, onde mãe era descendente de reis ingleses e franceses e o pai um banqueiro. Após o divórcio dos pais, deixa a Bélgica e passa a viver entre Inglaterra e Holanda, assistindo aos terrores da Segunda Guerra Mundial e passando por dificuldades, não tendo mesmo o que comer. Hepburn estreou-se no mundo da dança, em ballet, mas decidiu que a sua vida passaria pela representação.

Apesar de nacionalidade europeia, Hepburn mudou-se para os EUA, onde conquistou Hollywood e o mundo, ganhando uma estrela com o seu nome no Passeio da Fama de Hollywood. Depois de participar em pequenos filmes foi escolhida para desempenhar Gigi (1951) na peça da Broadway, com o mesmo nome. Mas o seu derradeiro sucesso estaria no passo seguinte, assim que fez a audição para um dos clássicos de Hollywood: Férias em Roma (1953), onde interpreta a famosa e rebelde princesa Ann. O Oscar de Melhor Atriz seria seu no ano seguinte por esse mesmo filme.

audreyromanNo filme Férias em Roma

Em 1959 chegou a recusar um papel no filme Diário de Anne Frank pois durante o seu tempo na Holanda testemunhou os horrores perpetrados pelos nazis e desempenhar o papel significaria relembrar o doloroso passado.

A atriz quase sempre desempenhava uma jovem ingénua e delicada em romances mas o seu estilo preferido era a comédia. Protagonizou Sabrina (1954) e o clássico de 1956, Guerra e Paz, como a jovem Natasha Rostova. No espaço de 5 anos fez 6 filmes e após a licença de maternidade de um ano e meio, regressa para desempenhar Holly Golightly, a prostituta de luxo de Breakfast at Tiffany’s (1961), que lhe valeu a quarta indicação ao Oscar.

audreysabrinaSabrina, de 1954

Outro momento de destaque foi o seu papel principal no musical My Fair Lady (1964), como Eliza Doolitle, mas a sua voz não foi utilizada durante as canções, o que deixou a atriz imensamente aborrecida e a levou a abandonar as gravações por um dia. Durante a sua vida, gravaria mais alguns filmes: Como roubar um Milhão (1966), Um caminho para dois (1967) e Os Olhos da Noite (1967).

A sua carreira da atriz de cintura fina foi recheada de prémios e nomeações. Arrecadou o Oscar de Melhor Atriz (1954); ou o Prémio Humanitário Jean Hersholt em 1994, após a sua morte. Foi premiada com três BAFTA (British Academy of Filme and Television Arts) como Melhor Atriz Principal e dois Tony, reconhecendo o seu sucesso no teatro americano. E ainda, o Grammy de Melhor Álbum de Historias para Crianças, com Audrey Hepburn’s Enchanted Tales, em 1993.

A expressão de Audrey Hepburn transparecia ternura e sensibilidade e ela sempre se demonstrou uma pessoa racional, não se deixando afetar pela fama. Aliás, a atriz viria a trocar o grande ecrã pela solidariedade. O papel humanitário de Hepburn ocupou permanentemente a sua vida a partir de 1987, quando foi Embaixadora da UNICEF até 1993, ajudando missões na América Latina e África. Uma vez que foi também vítima da Segunda Guerra Mundial, viajando entre Inglaterra e Holanda em refúgio, sentia-se em dívida para com a organização internacional que fez chegar mantimentos após o fim da guerra, salvando a própria vida de Hepburn.

audreyuniced1992somaliaAudrey na Somália em 1992. Retirado do site da UNICEF

Além de ícone do cinema, Audrey seria também lembrada pela sua vontade de ajudar os outros na extrema pobreza, o que a tornava ainda mais admirada entre o público. O ano de 1988 ficou marcado por inúmeras viagens pelo mundo fora em missões da UNICEF, onde Hepburn pôde mostrar o seu domínio em diversas línguas (holandês, inglês, espanhol, francês e italiano), e seria como a atriz passaria os últimos anos, dando palestras ou promovendo concertos com causas solidárias. Em nome do seu trabalho, existe ainda o Audrey Hepburn Children’s Fund, onde o seu filho Luca Dotti é co-fundador.

No que toca à vida pessoal, Hepburn casou por duas vezes. A primeira com Mel Ferrer (1954), união de onde nasceu Sean Hepburn Ferrer, e do segundo casamento, com Andrea Dotti (1969),  deu à luz Luca Dotti.

Audrey Hepburn sempre se mostrou serena, apaixonada pela vida e aceitava o  seu curso natural com relativa facilidade, afirmando que o envelhecimento era um processo natural e uma oportunidade para ter mais tempo para si e para a sua família. Contudo, apesar de considerada um ícone de beleza, a atriz nunca percebeu o porquê do fascínio mundial para com ela. Aliás, afirmava que não entendia por que motivo a achavam bonita, segundo o seu filho Luca Dotti, e achava que tinha “um nariz e uns pés grandes”.

No top das atrizes mais bonitas da história, protagonizou, em 2013, a capa da Vanity Fair e a publicidade dos chocolates Mars, acontecimentos noticiados pelo EspalhaFactos, aqui e aqui. Considerada ainda uma referência de moda, usou vestidos desenhados por Givenchy em vários filmes, mas seria o icónico “pequeno vestido preto” de Breakfast at Tiffany’s que receberia o prémio de melhor roupa no cinema. Uma das três versões originais chegou mesmo a ser leiloada por 484 mil euros, em 2006.

audreyBreakfast at Tiffany’s

Porém, uma das maiores lendas femininas do cinema viria a morrer a 20 janeiro 1993, em Tolochenaz, Suíça, com cancro do cólon. A obra de Audrey Hepburn continua a fascinar e a revelar-se um modelo e foram realizadas ainda três biografias sobre a inesquecível atriz: Audrey Hepburn: The Fairest Lady (1987); The Audrey Hepburn Story (2000); The Magic of Audrey Hepburn (2010), que conta com Jennifer Love Hewit.