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RTP celebra o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa

Ontem celebrou-se o 20º aniversário do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa e a RTP aproveitou a ocasião para promover o debate e a reflexão em torno da evolução da liberdade de imprensa e os desafios colocados na atualidade, tendo recebido os convidados nas suas instalações.

O Espalha-Factos assistiu ao evento, que teve início por volta das 14:20h, altura em que o painel foi ocupado por José Lopes de Araújo, da Direção Jurídica e Institucional, e por Luís Filipe Costa, jornalista e realizador, para dar as boas-vindas ao público assistente e introduzir um tema que seria uma constante no programa – a censura.

Antes de iniciar a apresentação do documentário A Mordaça, da autoria do próprio Luís Filipe Costa, o mesmo alerta que só o facto de “estarmos aqui é exercer essa liberdade”, que foi conquistada após o 25 de Abril de 1974, remetendo para a importância da consciencialização das diferenças entre o passado histórico e a atualidade.

A Mordaça deu então início ao programa proposto pela RTP, contando com a participação de personalidades portuguesas que partilharam como viveram um período da historia portuguesa no qual as malhas da censura estavam mais apertadas e não deixavam “respirar” a produção cultural nacional.

No documentário, o teatro é apresentado como um forte exemplo da repressão que se sentia ao verificar-se a raridade com que uma peça era entregue à censura e voltava isenta de cortes parciais – ou totais – num grande número de paginas. O cinema, a literatura, a música e os meios de comunicação social não eram alvos de uma menor repressão e o sentimento de humilhação sentido pelos diversos artistas e profissionais generalizava-se.

Depois de uma hora a conhecer o carácter repressivo da censura sobre os diversos meios de expressão da mente humana, o mote estava dado para o debate, com Pedro Braumann como moderador do debate, substituindo Alberto da Ponte, Presidente do Conselho de Administração da RTP, que apenas marcou presença durante alguns minutos para dar a sua palavra acerca da importância da celebração deste dia. Instantes depois, Paula Cordeiro, Provedora do Ouvinte, José Carlos Abrantes, Provedor do Telespectador, Fausto Coutinho, Diretor de Informação da Rádio e Paulo Ferreira, Diretor de Informação da Televisão, ocuparam o resto do painel juntamente com Pedro Braumann.

O painel aproveitou para nomear diversos desafios que os meios de comunicação social enfrentam hoje em dia, tais como a quebra de receitas e consequente perda de qualidade da informação, uma certa restrição da liberdade em função das capacidades económicas, a multiplicidade de plataformas de consumo de informação, e a preocupação com as tendências de consumo dos media por parte dos cidadãos e com a qualidade do serviço público.

Foi após esta intervenção que finalmente foi dada a palavra aos convidados, tendo o Espalha Factos aproveitado para perguntar aos responsáveis da RTP se consideravam que o canal tem vindo a prestar um bom serviço público, aproveitando a vantagem de contarem com benefícios estatais. O painel afirmou que “o financiamento público é tanto uma vantagem como uma desvantagem”, explicando que o que diferencia um canal público de um canal privado é o facto de o primeiro estar mais fortemente sujeito ao escrutínio dos telespectadores ao passo que, no caso dos privados, o descontentamento apenas se resolve com a simples “mudança de canal ou estação de rádio”.

Por outro lado, defendeu-se ainda que meios de comunicação com conteúdos “que não motivam o interesse do público em geral acabam por ser abandonados” e que isso representa um obstáculo à prestação de um bom serviço público, já que não se pode esquecer a perspetiva económica “e uma perspetiva económica passa pela dimensão de mercado”. Porém, se “ o jornalismo for isento, plural, tiver diversidade e permitir contextualizar então está a prestar um serviço que interessa”.

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