No oitavo dia do IndieLisboa’13 descobrimos dois trabalhos completamente diferentes, mas com um espírito jovem e inovador em comum. Se Gonçalo Tocha viaja até Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012, Andrew Bujalski entra num nicho do universo informático dos anos 80.


torres e cometas

TORRES E COMETAS – 8/10

Gonçalo Tocha mantém a fórmula de sucesso de É na Terra Não é na Lua – um registo de diário documental – mas num filme mais pequeno e com personagens mais divertidas e bem-dispostas.

Com Torres e Cometas, o realizador – acompanhado por Dídio Pestana – vai descobrir Guimarães Capital Europeia da Cultura, não se focando nos eventos culturais mas antes nas figuras e nos locais que caracterizam o berço da nação. O Largo do Toural, um alfarrabista, uma sessão solene ou uma festa popular são alguns dos lugares visitados.

Há uma portugalidade constante ao longo de todo o filme, revelada nas personalidades dos vimaranenses que Gonçalo Tocha descobre. Torres e Cometas é o retrato de uma cidade e das suas gentes, com uma grande dose de boa disposição e humor constantes.

Parte-se à descoberta das histórias e dos pequenos problemas que afligem quem vive em Guimarães. Um mês de experiência na cidade condensado em uma hora, não deixando de ser elucidativo da vivência experienciada e da mutação constante de Guimarães.

Torres e Cometas consegue agradar e entreter, não perdendo nunca o traço documental. Apostando na mesma fórmula – mas não sendo tão brilhante, Gonçalo Tocha consegue voltar a transmitir a essência de uma cidade e dos seus habitantes.

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COMPUTER CHESS – 6,5/10

Os anos 80 ligaram: querem o tabuleiro de xadrez de volta – o virtual, claro. Em Computer Chess, Andrew Bujalski transforma o grande ecrã numa máquina do tempo e leva-nos até um nicho muito específico daquela década: os geeks informáticos.

A ação passa-se num fim de semana em que decorre uma competição entre programadores informáticos de software de xadrez. Um hotel recebe a convenção e os vários participantes, cada um mais peculiar do que o outro. O objetivo é descobrir quem está a ganhar a corrida desta descoberta informática.

A partir daí sucedem-se situações engraçadas decorrentes da interação entre as várias personagens. Com um vocabulário geek, o filme faz-nos acreditar na verdade destas figuras enquanto retratos de uma época. O humor situacional acaba por ser o ponto forte de Computer Chess, dando destaque à competição entre tecnologia e o espírito humano como questão primordial. Às vezes cai-se na monotonia, mas sempre de uma forma reversível.

Gravada com uma antiga câmara de filmar, a imagem de Computer Chess apresenta-se em tons cinzentos e parcialmente desfocada, mantendo-se fiel à tecnologia da altura. O próprio dispositivo é aproveitado para acrescentar um cunho de boa disposição, com as suas falhas características.

Como era ser geek informático nos anos 80? Computer Chess diz-nos que não era nada mau. Ou, pelo menos, era bastante divertido.