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IndieLisboa’13: Curtas Portuguesas

São 16 as curtas-metragens integradas na Competição Nacional do IndieLisboa’13. Entre estreantes e nomes que se repetem, a tendência é para uma exploração de novos conteúdos e formas de contar histórias. O Espalha-Factos assistiu a sete destes trabalhos e conta aqui o que trazem de diferente.

coveiro

O COVEIRO – 6,5/10

Inspirado num conto tradicional português, André Gil Mata traz um ambiente sombrio ao seu trabalho. Filmada em película, a curta conta a história de uma criança cuja fealdade condiciona todo o seu percurso. O ambiente é de um pesadelo onde as luzes contrastam com as sombras, num registo que lembra os clássicos do Expressionismo Alemão. Contudo, em O Coveiro, uma história de amor surge para lembrar que há sempre a possibilidade de contrariar as trevas.

entreparedes

ENTRE PAREDES – 8/10

Nunca a rotina foi tão saborosa de assistir no grande ecrã. Uma casa, um casal e o seu quotidiano revelado no anonimato. Num trabalho de fotografia exímio de Tânia S. Ferreira e Gonçalo Robalo, os pormenores dos quadros considerados banais ganham uma beleza não visível na correria do quotidiano. Mesmo sem revelar rostos humanos, tomamos consciência da vivência daquele casal. Entre Paredes é uma nova abordagem que resulta e comprova que o cinema pode mostrar a o mundo de uma forma diferente.

fop

FRAGMENTOS DE UMA OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA – 7,5/10

É de certo uma curta bem-disposta ou não fossem as suas três protagonistas mulheres com uma atitude positiva perante a vida. Fragmentos de uma Observação Participativa leva Filipa Reis e João Miller Guerra a descobrir o quotidiano de três brasileiras a viver em Lisboa, colocando-as a discutir todo o tipo de questões. A dupla de realizadores vê-se durante esta experiência cinematográfica a desconstruir-se a si própria, ao revelar os bastidores e os imprevistos em cena. A prova de que Reis e Miller Guerra sabem descobrir em realidades sociais desconhecidas aquele pormenor que as caracteriza.

pluto

PLUTÃO – 5/10

A efemeridade da classificação de Plutão como planeta serve de motivo para recordar um amor de verão falhado. Para além do paralelismo parecer forçado, a história realizada por Jorge Jácome não consegue agarrar. Uma linearidade pouco precisa, iluminação excessiva e quadros que se esforçam apenas para parecerem bonitos são alguns dos problemas. A história de amor não tem aquela ‘faísca’, o texto pouco mais nos faz sentir integrados. Contudo, trespassa uma nostalgia estranha para quem assiste e que acaba por atribuir sentido àquilo que se está a ver.

racans

RHOMA ACANS – 7,5/10

E se a família de Leonor Teles não tivesse rompido com as tradições ciganas? A estudante de cinema revisita fotograficamente o passado da sua família e parte de seguida à descoberta da identidade cigana que poderia ter sido a sua. Neste trabalho de descoberta pessoal, somos confrontados com uma atenção pelos pormenores que faz toda a diferença. A qualidade estética dos planos de Rhoma Acans acentua os contrastes sociais mas também as semelhanças entre a experiência da realizadora e das jovens ciganas dessa comunidade. A curta-metragem é acima de tudo verdadeira e pura nas suas intenções. Para quem agora se estreia nestas lides do cinema, nota-se que há muito potencial. Fiquemos à espera de trabalhos futuros.

hdosdefuntos

A HERDADE DOS DEFUNTOS – 4/10

Uma sucata, uma mulher vestida com fato-macaco, um leitão no espeto. A Herdade dos Defuntos consegue passar uma atmosfera misteriosa, mas pouco mais do que isso. Num ambiente desértico, um homem chega prestes a morrer e é capturado por essa mesma protagonista. Patrick Mendes inverte a lógica dominador-dominado e introduz nesta curta-metragem um ambiente macabro. Esse é o seu traço mais interessante – de resto, nada mais há a destacar.

forbidden room

FORBIDDEN ROOM – 6/10

Demorou cerca de três anos a realizar ou não fosse uma curta de animação em stop motion recheada de pormenores. O conto do Barba Azul ganha vida em Forbidden Room de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida. Margareth, a esposa deste temível nobre, é tentada a entrar no único quarto onde lhe é negada a entrada. A preocupação estética é notória tanto na composição das personagens e dos ambientes como nos enquadramentos da ação. O ambiente nobre e misterioso é atingido com distinção.

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