A noite deste domingo marcou o regresso à televisão portuguesa de um dos maiores sucessos da última década. Big Brother, agora numa versão com ‘conhecidos’, é a nova aposta da TVI para dominar o horário nobre. A aposta parece ter sido certeira, tendo em conta as audiências hoje conhecidas – o programa foi o mais visto do dia e superou os melhores resultados de A Tua Cara Não Me É Estranha 3.

Esta versão com celebridades do mais antigo reality-show mostrou a que veio logo na primeira noite. Uma Teresa Guilherme de língua ainda mais afiada do que nas últimas edições de Secret Story não teve qualquer pejo em fazer piadas ligeiras sobre a tentativa de suicídio de um concorrente, em enveredar pela brejeirice sempre que pôde e em ensaiar romances pré-fabricados.

Esta mestre na arte da reality-TV não entrega os pontos e parece preparada para novos esmagamentos televisivos. Nas audiências e na dignidade das transmissões. A lógica do quanto pior melhor já foi muito testada e não falha.

O casting de candidatos, que foi bastante difícil, segundo contam as revistas da especialidade, é o espelho constrangedor da baixa qualidade do produto. Um conjunto de pessoas que, sem exceção, ou são wannabe-famosos, ou estrelas decadentes, ou pior ainda, nem uma coisa nem outra.

Uma parvinha que não para de se rir, um Liliano Mariso que esteve numa boysband, um ator que ficou mais conhecido por ter um surto psicótico do que por interpretar papéis, ex-mulheres de protagonistas do futebol, um velho engatatão do barlavento algarvio e outras figuras inenarráveis. É isto o reflexo de um programa que perverte totalmente o significado da sigla VIP – Very Important People.

Não podia ser de outra maneira. Este é um programa que tem uma casa metade rica e metade pobre, mas que na verdade é 100% desfavorecido de qualquer resquício de decência. E num país que não para de pôr o pé na argola é curioso que os espectadores só estejam disponíveis para ver barracas e barracadas.