Ela é uma das convidadas mais badaladas desta edição e há motivos de sobra para isso. Este sábado teve um sabor especial no IndieLisboa’13. Peaches em cinema e ao vivo no Ritz Club. Ousadia e irreverência na dose certa.

PEACHES DOES HERSELF – 7/10

Uma performance cinematográfica que mostra a carreira da artista canadiana a um outro nível. Em Peaches Does Herself conjuga-se a vertente visual com os temas de sucesso do seu percurso, sem deixar de contar uma história forte.

Com um registo de humor e a descontração ao longo de todo o filme, Peaches faz questão de explorar o corpo humano e a ultrapassagem das suas barreiras. A performatividade de género e a emancipação através da sexualidade são presenças constantes neste trabalho que apresenta inúmeras características do teatro musical.

Em Peaches Does Herself exploram-se questões tabu para que estas deixem de sê-lo. Com uma abordagem natural e que deixa muito para descobrir no que fica por dizer, o filme acaba por ultrapassar o mero registo autobiográfico e artístico para se mostrar uma forma de apresentar ideais e revolucionar pensamentos.

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É com o movimento dos corpos, com as luzes, com a caracterização e figurinos que Peaches consegue levar a sua avante, num registo que roça o estranho mas que não deixa nunca de surpreender e agradar. Consegue-se levar para casa – de uma forma mais ou menos direta – a sua mensagem e essência.

Não ponhamos mais rótulos neste trabalho porque rótulos é algo que não encaixa a Peaches, A própria performer ironiza a questão no início do filme ao introduzir um académico que explora os significados das questões trabalhadas por ela. Post-rock, electrónica, pop, feminismo… esqueçamos isto, Peaches define-se por si própria.

 O warm up ideal para o espetáculo que se seguiria no Ritz Club.

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PEACHES NO RITZ CLUB

A noite foi de contrastes no Ritz Club, embora a sala se mantivesse sempre lotada. Os registos foram diferentes, as reações também. Se Linda Martini se mostrou um concerto muito direcionado para aqueles que acompanham a banda ao longo dos seus 10 anos, Peaches conseguiu chegar a todos e pôr o Ritz a dançar.

Estava programado um DJ Set mas a atuação da artista que tem desenvolvido o seu trabalho em Berlim foi muito mais do que isto. Durante pouco mais do que uma hora, a artista cantou, dançou e pôs o público ao rubro. Uma envolvência única que já tinha conseguido transmitir indiretamente através de Peaches Does Herself.

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A performance continuou assim ao vivo, com a constante mudança de figurinos ao longo da noite. Peaches não só interpretou temas seus – um sucesso inevitável para quem apreciava o espetáculo – como explorou canções de outros artistas. O registo musical foi variando mas nunca perdeu a continuidade – fez sentido como um todo.

Um dos eventos mais esperados do Indie By Night justificou todo o burburinho criado à sua volta nos últimos dias. A programação cinematográfica e musical complementaram-se e proporcionaram uma noite diferente no âmbito do festival.

 A sala esgotada confirmou o impacto que Peaches consegue criar com o seu trabalho. Música, dança, performance sem preconceito, ao bom estilo independente.

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