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Noite torreense iluminada pelo lume de Jorge Palma

A ida para um concerto de Jorge Palma é sempre acompanhada de muita expectativa e inquietação por não se saber o que esperar de um músico imprevisível e fora-da-lei. Na passada sexta feira, o Teatro-Cine de Torres Vedras recebeu Jorge Palma, com um espetáculo recheado de clássicos e temas mais recentes, numa junção de música e comédia.

Anunciada a sua entrada pela voz-off da sala, Jorge Palma demorou a chegar ao palco, deixando a plateia inquieta. Com um chapéu de cowboy e um “Boa noite” embargado, a entrada de Palma em palco deixou o público torreense entusiasmado e, muito provavelmente, descansado por ver o artista aparecer. “Vamos lá tocar um bocado”, disse Jorge, sozinho em palco, atacando logo de seguida o tema Obrigação, só com voz e guitarra. Vicente Palma, filho de Jorge, entraria de seguida para o acompanhar ao piano nos temas Acorda, Menina Linda e A chuva cai. O discurso desconexo e embriagado de Jorge fez com que, na grande maioria das vezes, não fosse possível perceber o que dizia entre canções: “Isto hoje está lindo, está!” confessou, honestamente e com sentido de humor, o cantor.

Seguir-se-iam os temas Voo noturno e Imperdoável, tema de Com todo o respeito, o último disco de Jorge Palma, e que soa a um desabafo autobiográfico do cantor: “O que seria de mim sem o meu sentido de humor?” diz a letra e a sua atitude.
 Dá-me lume foi um dos clássicos acompanhado com aplausos pela plateia do Teatro-Cine, ao qual se seguiu Deixa-me Rir, outro dos temas emblemáticos de Palma, introduzido por um devaneio virtuoso ao piano e pelo comentário de que “isto é uma vida bastante…cheia!”.

Novamente sozinho em palco, foi tempo para o momento mais intimista do concerto, com os temas Estrela do Mar e Bairro do Amor. Um dos melhores momentos do espetáculo foi a versão impressionante de Frágil, mostrando que a pouca sobriedade de Palma não afeta a sua genialidade.

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“Quero uma cerveja!” ordenou Jorge, mas ninguém o levou a sério, por isso, o espetáculo continuou com Dormia tão sossegada, Lobo Malvado (tema que fez os espetadores torreenses “soltarem o animal que há em si”, tendo sido, segundo Palma, “a melhor audiência de sempre” a fazê-lo), Maçã de junho e Uma Alma Caridosa, tema escrito em parceria com Carlos T.

Com todo o respeito, tema que dá nome ao último disco, e o hit Encosta-te a mim, foram os temas antes do encore e deixaram a plateia de Torres Vedras completamente rendida.

Depois de saírem de palco após uma grandiosa ovação de pé, Jorge e Vicente voltariam ao palco para interpretar a 4 mãos ao piano o tema O meu amor existe, ao qual se seguiu o clássico de esperança e motivação A gente vai continuar.

Seria suposto o espetáculo acabar aqui, mas o público torreense pediu insistentemente por mais, obrigando Jorge a voltar para os temas e Portugal, Portugal, um hino há mudança e a “dar a volta por cima” nos tempos de crise que atravessamos. Jorge acabaria o espetáculo com um sorriso de missão cumprida, bastante semelhante ao do público da sala lotada do Teatro-Cine, após ter assistido a um belíssimo concerto. Aveiro e Ovar serão as próximas paragens da tour Íntimo de Jorge Palma, já que enquanto houver estrada para andar, o cantor irá certamente continuar.

Fotografia: Facebook oficial de Jorge Palma

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