Robert Redford regressou aos dois lados da câmara, como realizador e protagonista do seu novo filme Regra de Silêncio, um thriller com potencial para ser bem mais do que satisfatório.

Uma época histórica surge como palco da intriga, e a narrativa sustenta-se num elenco com nomes de luxo. Para além de Redford, Shia LaBeouf, Susan Sarandon, Nick Nolte, Chris Cooper, Julie Christie, Anna Kendrick, Stanley Tucci, Brendan Gleeson, Richard Jenkins e Terrence Howard tornam a longa-metragem muito apelativa.

Quando uma antiga activista e uma das mulheres mais procuradas dos EUA é presa, também o advogado Jim Grant (Robert Redford), um veterano activista do mesmo grupo e também procurado pelo FBI e pela CIA, tem de deixar para trás a sua nova vida. Tudo porque percebe que a sua verdadeira identidade está prestes a ser desmascarada por Ben Shepard (Shia LaBeouf), um jovem jornalista que não hesitará em divulgar a sua localização.

_DSC6144.NEF

A premissa é, desde logo, interessante (o argumento, da autoria de Lem Dobbs, é uma adaptação do romance homónimo de Neil Gordon), com algumas imagens de arquivo a compor o início da longa-metragem como uma espécie de contextualização história, já que há uma época verídica por detrás dos episódios relatados. É pena, contudo, que essa explicação não continue no decorrer de Regra de Silêncio. Torna-se difícil a quem não domina a história norte-americana compreender na totalidade os acontecimentos que estão em jogo. Neste caso, mais imagens da época seriam fulcrais para acompanhar e melhor entrar no filme, e, em conjunto com um mais bem concretizado desenvolvimento das personagens, poderiam evitariam as “pontas soltas” que se sentem quando Regra de Silêncio termina.

Ainda assim, este jogo de investigação jornalística – que funciona bem melhor do que a do FBI – versus a fuga de Jim Grant, despertam bastante interesse desde o início, até que a história se começa a arrastar e a tornar um pouco rebuscada. Ainda assim, o decréscimo da curiosidade ao longo do filme é, em parte, compensado por alguns desenvolvimentos inesperados na acção. O espectador consegue, através do jovem jornalista, formular as suas próprias hipóteses sobre o que há para descobrir.

_DSC5167.NEF

O elenco é, sem dúvida, o ponto forte de Regra de Silêncio. Robert Redford revela estar em plena forma, e Susan Sarandon, na pele de Sharon Solarz, a activista detida que desencadeia toda a desconfiança e perseguição em torno de Grant, oferece-nos uma das mais fortes personagens do filme, merecedora de maior desenvolvimento e destaque. Shia LaBeouf é quem nos conduz na investigação e nos introduz mais profundamente na história, e, por seu lado, todos os outros grandes nomes do elenco têm interpretações competentes, sendo sempre um prazer vê-los no ecrã.

01 (1)

Os problemas de argumento poderiam ser minorados, em parte, por uma duração mais curta ou por uma montagem mais cuidada, que intercalasse imagens de arquivo ao longo dos desenvolvimentos da acção, e que iriam, certamente, conquistar mais eficazmente o espectador. Ainda assim, Regra de Silêncio cumpre a função de entretenimento e vale pelo fantástico leque de actores e, claro, pelo regresso de Redford.

5.5/10

Ficha Técnica:

Título Original: The Company You Keep

Realizador: Robert Redford

Argumento:  Lem Dobbs, baseado no livro de Neil Gordon,

Elenco: Robert Redford, Shia LaBeouf, Susan Sarandon, Nick Nolte, Chris Cooper, Julie Christie, Anna Kendrick, Stanley Tucci, Brendan GleesonRichard JenkinsTerrence Howard

Género: Thriller

Duração: 125 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.