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Esporádico: Uma iniciativa Humana

A ideia de criar um espaço de divulgação de atividades culturais começou em maio de 2012. Ana Pedro, André Cabrita, Bela Queirós, Inês Viana, Mário Correia, Luís Mendes, Sofia Oliveira e a Teresa Alves queriam aproximar a cultura de um público vasto, pois consideram que os traços culturais de cada indivíduo têm-se perdido ao longo dos anos. É com base nessa máxima que nasce o Esporádico.

Do Direito, à Comunicação Social passando pela Multimédia, Filosofia e também Economia, estes oito jovens tinham um objetivo em comum, apesar das diferenças a nível académico: trazer para junto das pessoas as mais diversas atividades culturais que, com a crise económica, se têm afastado do programa dos portugueses. Foi assim que surgiu o Esporádico, um “espaço livre, imprevisível e subtil onde a integração passa pelas individualidades de cada participante”, explica a equipa ao Espalha Factos. Para isso, apresentam “fins-de-tarde imprevisivelmente bem passados com propostas culturais de qualidade”, sem nunca deixar de parte o carácter “irrepetível”.

Localizada na cidade do Porto, esta organização juvenil é gratuita e aberta a todas as pessoas, daí que seja “obrigatória” a participação do público, visto que a própria divulgação das atividades (muitas vezes feita através da sua página no Facebook) apenas indica o que é essencial, exigindo uma interação entre o grupo de estudantes e os participantes em questão. No fundo, e segundo salientam, cultura implica fazer parte de algo; implica “acontecer” e, para isso, é preciso haver uma participação recíproca.

Foto: Esporádico
Foto: Esporádico

Uma iniciativa humana

Quase um ano após a sua existência, a “reação das pessoas [ao projeto] tem sido aquilo que o Esporádico também é, e pretende ser: Humana”, explicou a equipa ao Espalha Factos. Ao longo destes meses, o público tem-se revelado “heterogéneo, mas fiel e participativo”, como caracterizam os oito membros. Nesse sentido, este grupo de jovens apercebe-se que esta iniciativa cultural tem pernas para andar. Assim, é em conjunto que conseguem ultrapassar as metas e chegar a um público cada vez mais interessado na cultura.

A prova disso aconteceu nas atividades já desenvolvidas. No ano passado, as duas primeiras iniciativas incidiram na área da Música, (onde um concerto de jazz do Quarteto Hoc Opus, na Nova Praça de Lisboa no Passeio dos Clérigos, envolveu o público ao criar composições de voz e movimento, originando uma música) e na História. Esta última ocorreu no Museu Nacional Soares dos Reis, sob o lema “O Peso da História”. Aqui a envolvência do público foi notória: “dividido em dois grupos, [o público] encenou a apresentação de determinadas salas do Museu”, explicaram os membros do Esporádico. Assim, “quebrou-se com o constrangimento que o dito [público] cria à aproximação das pessoas às obras”, acrescentaram.

DR: Esporádico
Concerto de jazz do Quarteto Hoc Opus, no Passeio dos Clérigos. Foto: Esporádico

Ao contrário da maioria dos projetos culturais, o Esporádico não é institucionalizado, nem nunca teve essa vertente como prioritária. Porém, “vem pedindo apoio de cariz, essencialmente, logístico”, comenta a equipa. Devido a isso, “beneficiamos de muita e valerosa receptividade, não só de entidades a quem fomos bater à porta, como também de cidadãos e instituições que vêm pedindo a nossa colaboração”, salientam, destacando o Orfeão da Universidade do Porto, a Fundação Eça de Queiroz, o Museu Nacional Soares dos Reis e a Cidade das Profissões.

Um Esporádico pelo Mundo

Apesar de as primeiras atividades terem apenas tocado duas áreas culturais, os membros do Esporádico garantem que o objetivo é, também, passar pelos outros mundos da cultura. A receptividade do público portuense trouxe força para a continuação do projeto e, inconscientemente, suscitou interesse a alargar a iniciativa além fronteiras. Então, “porque não um esporádico pelo Mundo?”, questionou-se a equipa.

A 24 de março foi dado o primeiro passo nesse sentido. Apresentando fotografias do património histórico-cultural italiano, à semelhança do que tinha sido feito no Porto nas primeiras divulgações da iniciativa, o primeiro “Esporádico pelo Mundo” aconteceu em Roma. E o propósito que impulsionou esta “internacionalização” foi a necessidade de mudar o “íntimo das pessoas, a sua construção e afins”, sublinharam os membros do projeto.

Afinal, e como disse a equipa ao Espalha Factos, “cabe-nos a nós,pessoas, converter a ‘falta de algo’, em ‘ação’. Essa ação tem que gerar felicidade, o que se passa, inevitavelmente, pelas verdadeiras trocas humanas, de pessoas para pessoas. Tão só e tão-tão como elas são “, concluíram.