Depois de Inquietos, em 2011, Gus Van Sant oferece-nos agora Terra Prometida, um drama que arranca bem, cheio de pertinentes dilemas morais e éticos e com Matt Damon a liderar o elenco.

Steve Butler (Matt Damon) é um comercial de uma empresa de gás natural, que é enviado para McKinley, uma pequena cidade rural, com a sua parceira de vendas, Sue Thomason (Frances McDormand). McKinley foi gravemente afectada pelo declínio económico dos últimos anos, pelo que os dois comerciais acreditam que os habitantes aceitarão facilmente a oferta monetária da sua empresa, em troca dos direitos de perfuração nos terrenos. Contudo, o que lhes parecia um simples trabalho e uma curta estadia, torna-se mais complicado pelas advertências do respeitado professor Frank Yates (Hal Holbrook). Ao mesmo tempo, Dustin Noble (John Krasinski), um activista ambiental, chega à cidade, e as tensões aumentam, atingindo um ponto de ebulição.

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Com um argumento forte, de John Krasinski e Matt Damon, a partir da história de Dave Eggers, há uma série de temas importantes e actuais em jogo. Problemas ambientais, dilemas ético-morais, verdades e mentiras, manobras das grandes empresas para lucrar e se expandirem. Muitas questões vão também pairar na cabeça da plateia que tomará uma das partes que se defrontam em Terra Prometida.

As questões surgem, desde logo, na tela: devem aquelas pessoas arrendar os seus terrenos em troco de dinheiro, mesmo com todas as acusações que começam a surgir? E do lado dos comerciais, será justo tentar comprar estas pessoas, mesmo tendo dúvidas sobre a veracidade do que se diz acerca das consequências da exploração daquela Terra Prometida? A reflexão está lançada.

A história decorre com interesse até ao ponto alto da longa-metragem: uma curiosa e sinistra reviravolta acontece perto do final do filme, mas cuja conclusão deixa muito a desejar, fazendo parte da atenção cair por terra. Junta-se ainda ao fraco final, a espécie de romance entre Butler e Alice, uma professora de McKinley, mal encaixado na narrativa que forçosamente ali quis ter lugar e nada acrescenta.

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A seu favor, Terra Prometida tem uma excelente banda sonora, composta por Danny Elfman, que se funde na perfeição com os cenários bucólicos de McKinley, e transmite, ao mesmo tempo, o ambiente pesado e desconfiado que se vive na cidade. Os planos aéreos fazem também realçar a beleza e grandiosidade desta Terra Prometida, bem como o competente trabalho da direcção de fotografia, de Linus Sandgren.

No que toca ao elenco, o destaque vai na totalidade para Matt Damon, na pele do comercial oriundo do campo mas que conseguiu triunfar na vida, Steve Butler, que se depara agora com dilemas éticos e morais que podem mudar a sua vida. O actor tem uma excelente interpretação, deambulando entre a vontade de ser o melhor no seu trabalho, e as fraquezas que vêm ao de cima perante as acusações que se fazem ouvir, e, ao mesmo tempo, pela identificação que o protagonista parece sentir ao chegar à cidade. Também Frances McDormand tem um bom desempenho, na pele da descontraída colega de Butler, Sue Thomason.

Terra Prometida é uma interessante aposta de Gus Van Sant, arriscada e empolgante até ao momento em que prefere jogar pelo seguro e desiludir quem se embalou no meio de questões pouco éticas.

6.5/10

Ficha Técnica:

Título Original: Promised Land

Realizador: Gus Van Sant

Argumento:  John Krasinski, Matt Damon, Dave Eggers

Elenco: Matt Damon, Frances McDormand, Hal Holbrook, John Krasinski, Rosemarie DeWitt

Género: Drama

Duração: 106 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.