The Happy Mess no TMN ao Vivo : Mixórdia bem conseguida

Junta-se um jornalista, um diretor de eventos, um psicólogo, uma coreógrafa, um estudante de arquitetura paisagista e um músico profissional e tem-se “uma banda de amigos para levar a sério” (como disse o jornal Público e citou Miguel Ribeiro), considerada uma das revelações musicais de 2012. Juntam-se alguns curiosos para os ver e ouvir e resulta tudo isto numa noite muito agradável, com boa música nacional.

Com quase uma hora de atraso, os The Happy Mess subiram ao palco do TMN ao vivo, no passado sábado, perante um público expectante para assistir ao primeiro concerto da banda na capital lisboeta.
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Depois de um longo e poderoso instrumental,o enérgico The only one foi o primeiro tema cantado pela voz de Miguel Ribeiro, voz essa que, desde as primeiras audições do EP October Sessions, faz lembrar a de Matt Berninger, dos The National.

Seguiram-se Shape of L e Even if the day was blue, tema do primeiro EP  que terá uma nova roupagem para o novo disco que irá sair. Morning Sun, single de apresentação e visivelmente o tema mais conhecido por entre o público do TMN ao vivo, marcou um dos pontos altos da noite. A energia, o refrão catchy e o ritmo dançável de Morning Sun, provam que a escolha para o single não podia ter sido mais acertada.

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Apesar da sua jovem existência, os The Happy Mess passaram já por algumas “loucuras” e instabilidades na sua formação, tendo recentemente estabilizado, tornando-se numa família “demasiado unida”. Ainda sem roadies para lhe trocar as guitarras, Miguel Ribeiro (vocalista e guitarrista), manteve sempre a boa disposição nas suas intervenções entre temas.

Este foi um “concerto de apresentação ao contrário”, já que foram tocados vários temas inéditos, que só serão editados no próximo álbum de originais da banda. Sorrow’s avenues é um desses temas, que mantém a sonoridade do EP, no que toca sobretudo aos riffs das guitarras e às letras (ainda que a fraca acústica do TMN ao vivo nem sempre permitisse decifrar os poemas) cantadas por Miguel e Joana (o único elemento feminino da banda, detentora de uma presença em palco completamente avassaladora).

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Para além dos novos temas houve também espaço para os mais antigos, como por exemplo Kissing Mirrors, a primeira música alguma vez escrita pelos The Happy Mess, fruto de várias tertúlias com (muitos) copos de tinto. Backyard Girl deixou-nos a pista de que o título do próximo álbum estará de alguma forma relacionado com Backyard, e antecedeu o momento mais intimista do concerto, protagonizado pelo teclista da banda, sozinho em palco, num instrumental arrepiante.

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A reta final do concerto não tardaria a chegar, com uma mensagem de reflexão e positivismo: “Às vezes precisamos de alguma escuridão para ver as estrelas”. Tempo também um tema de amor cujo refrão, ironicamente, canta “I hate you”. Uma canção que deveria ser de amor e acabou sendo uma “painful one”.

A banda sairia de palco mas rapidamente voltaria para tocar novamente o hit Morning Sun, dando um sentido literal ao seu encore. Nesta segunda ronda, Morning Sun teve um sabor mais especial, com o público em palco, a convite dos músicos, a fazer a festa (com direito a confettis e tudo).

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Apesar da sua tenra idade, os The Happy Mess mostraram ser uma banda com grande potencial e da qual, provavelmente, ainda vamos ouvir falar muitas vezes pelos melhores motivos. Embora não sejam, para já, senhores do palco, fica a certeza de que a “mixórdia” que são os The Happy Mess é, sem dúvida alguma, feliz e bem sucedida.

Texto: Joana Andrade

Fotografias: Andreia Martins

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