Desde 24 de Março, e em cada domingo, o Espalha-Factos tem uma nova iniciativa. Depois de, com o A Recordar, termos relembrado grandes actores e actrizes que não viram o seu talento reconhecido (ou apenas tardiamente tal aconteceu) ou caíram no esquecimento, desta vez iremos destacar algumas dos nomes mais Queridos de Hollywood, numa rubrica com o mesmo título.

Judy Garland é a anfitriã do primeiro Queridos de Hollywood, uma estrela predestinada.

Nasceu em 1922, dia 10 de Junho, em Grand Rapids, Minnesota com o nome de baptismo Frances Ethel Gumm. Era ainda uma adolescente quando começou a sua carreira profissionalmente. Assinou contrato com a MGM aos 13 anos de idade apenas. E, se para muitos actores a fama demora bastante tempo, a jovem Judy, de 17 anos, encantou de imediato com o seu papel de Dorothy em The Wizard Of Oz (1939) de Victor Fleming, que lhe valeu um Oscar juvenil, prémio especial para premiar o seu talento precoce. Abriu-se aqui a porta para o sucesso tão brilhante quanto os sapatinhos vermelhos de Dorothy. Vale sempre a pena recordar um dos momentos mais ternurentos do filme, a canção Somewhere Over The Rainbow, interpretada por Garland, que venceu o Oscar de Melhor Música Original em 1940.

  • Antes de Oz – O arco-íris da carreira promissora

Desde bebé que o palco era a sua casa. Lá interpretava musicais, antes de ser uma estrela de cinema na ribalta, com as suas duas irmãs mais velhas (Susie e Jimmie), sendo as três conhecidas como as Gumm Sisters. Judy continuou a sua carreira como cantora de rádio e actriz até que, no mesmo ano que assinou com a MGM, em 1935,  perdeu o seu pai Francis Avent Gumm (Frank), que faleceu com meningite.

As “Gumm Sisters”

O seu primeiro filme, em 1936, foi Pigskin Parade onde interpretou Sairy Dodd e contracenou com nomes como Betty Grable, Stuart Erwin, Patsy Kelly e Jack Haley. Seguiu-se Love Finds Andy Hardy (1938) onde Judy contracenava com Mickey Rooney.

Love Finds Andy Hardy (1938)

Nem tudo era tão brilhante quanto parecia, para manter a jovem acordada para os seus vários papéis e trabalhos, fora muito cedo apresentada ao poder das anfetaminas (mesmo sem saber na altura o que eram aqueles comprimidos…). As drogas que tomava para controlar o peso e para lhe aumentar a energia levaram-lhe embora a infância e inocência, acabaram por fazer dela uma mulher deprimida e dependente e, mais tarde, conduziram-na à ruína.

  • Depois de Oz – Além do arco-íris uma vida conturbada

Judy e o primeiro marido David Rose

Garland casou pela primeira vez com apenas 19 anos de idade, dois anos após o sucesso do filme The Wizard Of Oz. O seu primeiro marido David Rose era  músico e compositor e, cerca de 10 anos mais velho do que ela. A união durou pouco tempo, já que, em 1944, aquando das filmagens de Meet Me in St. Louis, Garland conhece o realizador Vicente Minellique viria a ser seu marido e, por isso, motivo para se separar de David oficialmente em 1945.

http://youtu.be/7guqfYsG0dE

Vincente Minelli e Judy Garland Minelli no dia do casamento

No entanto, este novo casamento dura pouco mais que o primeiro… Mas da união Garland-Minelli nasce Liza Minelli, a cantora e actriz mais conhecida pelo seu papel de Sally Bowles no filme que lhe deu um Oscar: Cabaret (1972). Liza nasce em 1946 e o casamento da mãe com o pai está praticamente terminado em 1949, sendo que o divórcio saiu oficialmente em 1952. Dois anos antes, em 1950, os estúdios da MGM põem fim ao contrato devido às inconstâncias psicológicas e físicas da actriz, muito devido ao uso abusivo e dependente de substâncias aditivas e, claro, aos altos e baixos da sua vida pessoal e amorosa.

Vincente Minelli, Judy e a filha Liza Minelli

  • A reconstrução da carreira e a Broadway

Apesar das contrariedades, a “miss show business” não desistiu facilmente do seu lugar no estrelato. Nesta fase da sua vida, a partir de 1951, contou com a ajuda do produtor Sid Luft para recomeçar a pôr a carreira de novo nos trilhos. Teve o seu próprio espectáculo no Palace Theater, na Broadway, que levou multidões a assistir durante 20 semanas seguidas. O seu esforço e talento em cima do palco fizeram as más críticas ficarem esquecidas e ganhou ainda um Tony Award em 1952, pelo sucesso do seu espectáculo. Nesse ano casou com Luft com quem viria a ter dois filhos, Lorna e Joey.

Liza, o seu terceiro marido Sid Luft e os dois filhos Lorna e Joey

Apesar desta nova união vir também a fracassar, foi muito positiva para o avanço da sua carreira, já que ajudou no seu papel no filme A Star Is Born, de 1954, pelo qual também é recordada devido à sua excelente actuação. Exemplo disso é o pedaço do filme onde canta The Man Who Got Away, que lhe valeu o globo de ouro e a nomeação ao Oscar, nesse ano.

http://youtu.be/SYoc8h75KVM

Apesar da década de 60 ser mais marcada pelas suas actuações enquanto cantora da Broadway, Judy conseguiu ainda outro grande papel no cinema, no filme Judgment at Nuremberg (1961), do realizador Stanley Kramer, que lhe valeu uma nomeação ao Oscar pela sua personagem marcante: uma mulher perseguida pelos nazis. Este foi dos últimos filmes nos quais entrou, a que se juntam os derradeiros I Could Go on Singing e A Child Is Waiting, ambos de 1963.

http://youtu.be/7rVuEgFL9WU

  • A cantora premiada e a presença televisiva

Judy Garland não passou pela sua carreira de cantora sem nenhum reconhecimento. No ano de 1961 venceu dois Grammys (Melhor Performance de Artista a Solo e Melhor Álbum do Ano, por Judy at Carnegie Hall).

Entre 1963 e 1964 teve o seu próprio programa televisivo, The Judy Garland Show, onde dava uso ao seu maior talento – o de cantora. O programa televisivo valeu-lhe uma nomeação ao Emmy, em 1964. As suas filhas Liza e Lorna, bem como outras personalidades famosas, como Barbra Streinsand, o velho amigo e actor Mickey Rooney ou Peggy Lee foram seus convidados e fizeram actuações neste seu formato televisivo.

http://youtu.be/E60W9FWAk5E

  • A estrela que se apagou: decadência dos últimos dias…

Não obstante todos os seus esforços, tanto na vida pessoal como na sua carreira, parecia que tudo estava a descarrilar outra vez. Depois do término do seu programa televisivo, Judy enfrentava vários problemas pessoais, uma vez que se separou várias vezes de Luft, o seu último marido, mas oficialmente divorciaram-se apenas em 1965, tendo ainda de lutar na justiça pela custódia dos seus filhos. Teve ainda um brevíssimo relacionamento com o actor Mark Herron. Este seu quarto casamento foi também desfeito, depois de alguns meses, tendo terminado em divórcio em 1967.

Judy e Mark

A actriz não parecia conseguir deixar o seu vício das drogas, nem enfrentar a solidão da sua vida naquele momento. Por isso mesmo, deixou-se envolver com o músico e manager numa discoteca Mickey Deans, aproximadamente dez anos mais novo que ela, nesta sua última fase de decadência financeira, psicológica e física. Tiveram um caso e vieram a casar meses antes do falecimento da actriz, em 1969. Neste momento, Judy dava shows em Londres, no Talk of the Town,  mas nada era como antes, e as más críticas começaram a destruí-la dia após dia…

Judy e Mickey

A sua morte não foi algo surpreendente, e dificilmente poderia ter ocorrido de outra forma. Dia 22 de Junho de 1969 é encontrada sem vida no seu quarto de hotel em Londres devido a uma overdose acidental de barbitúricos. A estrela apagava-se e deixava este mundo. Tinha 47 anos.

Judy por Andy Warhol (1979)

Sobre ela foram feitos 10 filmes biográficos. Impressos 20 livros sobre a sua vida e apareceu 32 vezes em capas de revistas. Confere tudo aqui.

Fontes principais da informação: biography.com e IMDb

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.