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Offbeatz #103

Depois de uma semana de folga, o Offbeatz regressou na passada quarta-feira. A 103.ª edição primou pela diversidade musical, com  Algodão, Black Bambi, Brando Fel e The Hypers como convidados.

A noite começa com a apresentação do videoclip de Postures, tema de Black Bambi (a.k.a. Miguel Bonneville), realizado pelo próprio. A ideia para o vídeo surgiu através de umas posturas de ioga, hobby pessoal do artista. Em conversa com o Espalha-Factos, Miguel explica o porquê de fazer o paralelismo entre o desporto e a música: «Eu faço ioga há muito tempo e queria transmitir esta ideia de descondicionar o nosso corpo das nossas posturas diárias normais. Estamos sempre sentados ou de pé, contra a gravidade, e com o ioga o corpo tem oportunidade de desfrutar de outras posturas. A música também pode ser um elemento de descondicionar o nosso ouvido». O trabalho de Miguel Bonneville não se cinge apenas à música, misturando-se com as áreas do teatro e da dança, sendo que todos os domínios se influenciam mutuamente.

http://vimeo.com/49420952

O segundo cantor convidado pelo Club Offbeatz para apresentar o seu mais recente vídeo foi o ex-vocalista dos Da Weasel, Pacman. O seu projecto a solo enquanto Algodão reúne já dois álbuns editados. Eu Não Sei Quando Te Perdi faz parte do seu último trabalho discográfico, lançado no início deste ano, A Gramática Da Paixão Dramática. Em formato spoken word, as apaixonantes melodias de Algodão muito diferem dos géneros musicais alegres que se avizinhariam ao longo da noite no Musicbox.

Sobem ao palco os Brando Fel, que acrescentam uma agradável novidade à setlist do concerto. Pelo meio de canções gravadas no álbum Grand Hotel (2011), emerge Bairro Alto como «uma proposta de roteiro», nas palavras do vocalista e guitarrista Vasco LimaConfusão em marchaMá fama e Fortuna fazem ainda as delícias dos ouvintes.

Acompanhando as palavras lusitanas, a música do grupo é o verdadeiro sinónimo de harmonia. A conciliação de diferentes sonoridades, provenientes de uma infindável miríade de instrumentos é exímia e muito prazerosa. Gonçalo Martinho, responsável pelos teclados, acrescenta: «A nossa música é assim porque nós somos complicados por natureza (risos). Não conseguimos reduzir as coisas a três instrumentos. As nossas ideias e aquilo que nós sempre viemos a fazer desde o início em que o Vasco e eu começámos a pensar a coisa, sempre achámos que era importante haver uma sonoridade abrangente, que trouxesse sons dos sopros, que dão uma identidade muito forte à nossa banda, das teclas, das percussões, da bateria, do baixo, da guitarra… Isso dá-nos riqueza, dá-nos oportunidade de fazer coisas diferentes, até porque a complementaridade é muito grande. É a nossa ideia de como as coisas hão-de soar bem, no fundo. Não é nenhum tipo de pretensiosismo».

O percurso da banda inicia-se em 2005, mas «os Brando Fel como hoje se apresentam começam a sério com o EP homónimo, em 2009», confessa o vocalista. Em relação a futuros lançamentos discográficos, Vasco adianta: «Somos uma banda completamente independente. Não temos editora por trás, portanto o que fazemos é por nós, pelas nossas carteiras. Deste modo, vamos dar algum tempo até lançarmos coisas novas. O álbum que gravámos tem muito para descobrir, ainda».

Segue-se um registo completamente distinto: o verdadeiro e possante rock n’ roll português chega com os The Hypers, que apresentam ao público do Musicbox o seu single You’re Never Too Old, que conta também com a participação de Selma Uamusse, dos Wraygunn. A banda representa a habitual tríade do rock, com guitarra, bateria e baixo, com uma música vibrante. Para o concerto do Club Offbeatz #103, os The Hypers decidiram «tirar os meninos todos da apatia», segundo o guitarrista e  vocalista Gonçalo Larsen, com Truth Or DareClose to Me, Nature Calling e You’re Never Too Old, reservando ainda a surpresa de She’s a Pole Dancer para o final do concerto. «Vamos ser rebeldes e tocar mais uma! Viva a anarquia!», exclama o vocalista.

Os The Hypers terminam a noite de quarta-feira com um enérgico concerto, cheio de vitalidade, primando constantemente a interacção com o público, com extrema simpatia. Em relação à sua irreverência e vivacidade inquestionáveis, o baixista Ricardo refere que «ouvir a nossa música e ouvir rock significa ter uma certa necessidade, apetência e gosto pelo soltar energia, pelo viver de forma enérgica, e depois tudo o resto vem por acréscimo… Aquilo que sai é mexermo-nos, é curtir», ao que o baterista Pedro acrescenta: «Nós gostamos de ver o caos em cima do palco. E é esse caos que nós pretendemos levar por esse Portugal fora».

Neste momento, o grupo está a considerar gravar o primeiro álbum de longa duração. «Falta-nos agora isso: um álbum fixe, um álbum forte». Contudo, como acontece com as bandas do underground português, há sempre obstáculos sobre os quais Ricardo fala abertamente, com sentido de humor apurado: «Creio que o nosso investimento de 2 euros à sexta feira não tem tido retorno ate agora… o euromilhões ainda não nos saiu. A grande barreira é sempre o dinheiro». Pedro ainda expressa a sua opinião em relação a esta questão adiantando que «o público português não tem o hábito de ir assistir a um bom concerto. Se for algo megalómano, em que as pessoas têm de pagar 40 euros, elas vão, mas se for uma coisa pequena parece que as pessoas não se esforçam para procurar. Parece que querem que seja impingido e actualmente, a música portuguesa tem de ser procurada».

* Por opção da autora, este artigo foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1945

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