A saga Balas & Bolinhos regressou para uma última aventura. Desta vez Tone, Rato, Culatra e Bino invadiram os palcos em vez das telas de cinema. Balas & Bolinhos Mesmo à frente ao teu focinho é o nome do espetáculo que passou este fim-de-semana pelo Coliseu do Porto e que no final do mês, a dia 30, passa também pelo Coliseu dos Recreios em Lisboa. O Espalha-Factos foi ao até ao Porto e diz-te o que perdeste, ou o que vais poder contar.

O dia de sábado estava pouco convidativo para ir passear à baixa do Porto, a chuva e o frio afastavam a vontade de lá ir, ainda assim aventurei-me. Depois de jantar, fiz-me à rua Passos Manuel e logo reparei que não estava sozinho nesta aventura. À medida que ia subindo, me ia apercebendo que mais pessoas estavam ali para irem ao Coliseu ver o Balas.

Já no Coliseu, foi fácil ver que não havia lugar para mais ninguém. Três milhares de pessoas vestiam a plateia da principal sala de espetáculos portuense. É importante falar deste público. Sabiam para o que iam, não iam para a surpresa para conhecer coisas novas. Acima de tudo era um público fã, que mesmo antes do espetáculo começar, já ia soltando algumas frases que ficaram conhecidas na trilogia.

Pouco depois das 21h30, após um período de espera para dar tempo ao público mais atrasado de se sentar, o espetáculo começa. E logo neste início o público responde com gargalhadas, foi um bom presságio. A peça, que foi misturando por diversas vezes cenas do filme, reproduzidas em vídeo, com outras cenas mas representadas em palco, começou com uma viagem ao passado dos quatro heróis. Pudemos ver Tone, Rato, Culatra e Bino como pré-adolescentes, num concurso pouco vulgar. Depois disto, começa a sequência de representação de cenas dos três filmes.

Foi uma fórmula arriscada, esta da repetição, pois o público já sabia como terminavam as frases de cada personagem. No entanto Luís Ismael, criador do projecto, e companhia conseguiram dar a volta ao assunto. Ao atualizarem para os dias de hoje algumas das situações. Exemplo disso foi logo no início uma crítica à televisão portuguesa e às apresentadoras da mesma. Mas as críticas tiveram como alvo outros temas – a política foi um deles. Numa alusão ao ditado popular, Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão, os quatro iam roubar a Assembleia da República. A esta crítica o público reagiu com uma salva de palmas ensurdecedora.

Continuamos a ver a viagem pelos três filmes, continuamos a rir das mesmas piadas. Não por falta de originalidade ou de inovação por parte dos autores, apenas porque há frases em que é impossível não reagir.

Falando dos actores, apesar de não terem muita experiência nos palcos, J. D. Duarte (Culatra), Luís Ismael (Tone), Jorge Neto (Rato) e João Pires (Bino) estiveram à altura das exigências. Com um especial destaque para Jorge Neto – a exigência que o Rato pede é incrível. Quer a nível corporal, como na fala, Neto foi exímio, destacando-se dos seus colegas.

Balas & Bolinhos Mesmo à frente ao teu focinho foi uma ótima forma de nos despedirmos da única trilogia do cinema português, uma saga que é um case study em Portugal, tendo conseguido levar público português como nenhuma outra. Agora resta esperar que Luís Ismael tenha outro rasgo criativo semelhante, pois o público está pronto para mais aventuras destas.

 

*Artigo escrito, por opção do autor,  com as normas do acordo ortográfico de 1945.