e-reader

Livros vs. E-books

Na crónica anterior, a minha atenção focou-se na apresentação e esmiuçamento de uma estatística que foi divulgada quanto às vendas eletrónicas, nomeadamente quanto à sua aplicação no mercado livreiro. Só para relembrar, tanto o estudo apresentado como a minha crónica reforçavam o papel positivo das vendas de livros via internet e o bom desempenho que esse canal teve no último trimestre de 2012. Se a passada revisão sobre o assunto veiculava um tom meramente expositivo e informativo, hoje quero elaborar um pouco mais e sair do campo objetivamente estatístico.

O meu objetivo será pegar nos dados e conclusões do dito estudo e tentar extrapolar conclusões quanto ao futuro dos livros na era digital. Resumindo: irá o livro em papel desaparecer? Irão os nossos netos estudar Os Maias e Os Lusíadas num e-reader? Sempre que penso ou elaboro sobre este assunto sinto que estou a fazer um exercício de futurologia e isso deixa-me desconfortável. O futuro do setor é incerto e ninguém sabe precisar o que acontecerá nos próximos anos. Grande parte desta incerteza é gerada pela revolução tecnológica contemporânea que não tem precedentes e pela crise económica que atravessamos, embora estes não sejam os únicos fatores.

É comum avaliar a evolução tecnológica numa ótica positiva mesmo em relação ao que aos livros diz respeito. Mais do que lamentar uma época que já passou e não volta mais, é sensato olhar em frente e procurar as vantagens que se estão a criar para o conhecimento. É certamente errado ficar preso a uma maneira antiga e antiquada de fazer as coisas e tentar combater o progresso. Não se consegue saber em que direção irá o livro evoluir mas é indiscutível a inevitabilidade dessa evolução. Aliás, certas mudanças já estão hoje mesmo em curso.

E-books, e-readers, plataformas de vendas, e-pub, pdf, enfim, uma quantidade imensa de diferentes rumos que cada editora, cada empresa, está a adotar causando apenas confusão e insegurança aos leitores. Não se fará a travessia em massa para o livro digital enquanto não houver consenso no sector quanto, pelo menos, aos formatos a utilizar. Na verdade, o e-book ainda não vingou pois ainda não se inventou um formato estável e relativamente fácil de utilizar. Mas desengane-se quem pense que este formato ideal irá aparecer como que por magia sem que as editoras invistam na sua investigação e desenvolvimento. Enquanto isso não acontecer e não se encontrar um qualquer consenso a nível internacional, o sector vai continuar estagnado, preso a inovações controladas e comezinhas.

Claro que antes de se encontrar um formato ou um leitor mais ou menos universal, é necessário compreender quais as funções e características que se querem dar aos e-books. Se deverão incorporar imagens e vídeos, sons e animação, ou se, pelo contrário, deverão ser um formato digital do que em papel é feito. Ninguém sabe o que fazer nem tão pouco como fazer, mas claro que isso já são contas de outro rosário.

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