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Computadores no lugar de jornalistas?

Os computadores conseguem processar rapidamente enormes quantidades de dados e, aproveitando isso, já existem empresas a desenvolver algoritmos para a escrita de notícias de forma rápida, simples e eficaz.

Os computadores têm uma enorme capacidade de lidar com vastíssimos conjuntos de dados, no entanto têm muito mais dificuldade em perceber e usar a linguagem natural, como aquela a que o ser humano recorre diariamente. Contudo, existem mesmo empresas cujo negócio é desenvolver algoritmos que permitam a criação de um texto coerente e de fácil compreensão pelas pessoas a partir do processamento de dados.

A Narrative Science e a Automated Insights são duas empresas norte-americanas que estão a desenvolver este tipo de algoritmo há anos e que são duas das responsáveis pelo levantamento da questão em artigos de jornais, revistas, ou blogues: podem os computadores substituir os jornalistas?

Ambas as empresas começaram por colocar os computadores a escrever notícias sobre números. O produto eram textos curtos sobre resultados desportivos, regra geral competições a que os jornalistas não dão atenção. Através do acesso a uma base de dados com o resultado, o nome e as ações de cada jogador, o algoritmo consegue criar um texto coerente, apesar de não poder fazer comentários adicionais.

A opinião do historiador de tecnologia e cultura Edward Tenner, que já escreveu ensaios sobre a problemática, é de que “A não ser que haja um salto radical no desenvolvimento de algoritmos para resolver as questões muito difíceis da inteligência artificial, vamos continuar indefinidamente a precisar de humanos competentes para a maior parte do trabalho mental e físico.”

Em entrevista à revista Wired, o diretor executivo da Narrative Science disse acreditar que no futuro os programas de computador serão responsáveis por 90% das notícias escritas. Isto não porque irão substituir os jornalistas, mas sim porque permitirá, de forma mais barata, cobrir eventos e temas de nicho a que nenhum jornalista presta atenção.

Edward Tenner vem defender ainda que esta tecnologia permitirá aos jornalistas treinar e melhorar a sua técnica. E justifica-se dizendo que estes algoritmos poderão lembrar os jornalistas de que não existe grande valor acrescentado aos textos que sigam os padrões tradicionais de escrita e incitar os profissionais a procurar “atrair a atenção dos leitores com a qualidade e a originalidade da pesquisa e da escrita”.

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