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Talkfest’13 (dia 7): Vergonha alheia

O segundo dia do Talkfest’13 contou, para além das habituais conferências durante o dia, com as presenças musicais dos Doismileoito Pontos Negros. Com a Aula Magna praticamente despida, ambas as bandas procuraram, com estratégias diferentes, salvar a noite do fracasso. 

Conto Contigo foram as primeiras palavras ouvidas no auditório lisboeta, debaixo de um ambiente que ficou a anos-luz do da noite anterior. Seguiu-se o tema Cão 90’s. Ficou a sensação de que a setlist não foi preparada com muitos cuidados, uma vez que as músicas que deram início ao concerto eram, talvez, alguns dos melhores argumentos da banda junto do público, exceção feita a Quinta-feira, que ficou guardada mais para o fim. De facto, este Cão nem ladrou, nem mordeu.

É sempre perigoso ser unidirecional na atribuição de culpas quanto ao insucesso de um concerto. Ora, temos um público incapaz de ajudar ao espetáculo, ora temos uma banda incapaz de agarrar esse mesmo público quando a iniciativa não parte dele. Que eles (os Doismileoito) o tentaram não há qualquer dúvida. Mas, será que mandar duas ou três piadas enquanto se afinam as guitarras é suficiente? O resto do concerto provou o contrário. Na verdade, se não fosse o tema Quinta-feira, a assistência tinha permanecido colada às cadeiras durante toda a atuação. Por exemplo, é no mínimo estranho uma música como Caratéquide, com bastante potencial para causar o “alvoroço” na plateia, ter sido interpretada de forma tão desleixada. 

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Já os Pontos Negros foram a outra face da moeda. E é preciso fazer uma breve nota: quando começou o concerto, havia provavelmente ainda menos público do que em Doismileoito. O que fez aqui a diferença foi a irresignação de Jónatas Pires, vocalista, que logo na primeira música (Senna) foi autoritário com a plateia, arriscando-se mesmo a dizer «é uma ordem que todos fiquem de pé, isto é rock». É certo que ainda houve quem continuasse a querer “ver teatro”, mas nada comparável ao concerto anterior.

Quem viu algumas das últimas prestações do quarteto de Queluz, pode facilmente testemunhar que os Pontos Negros têm dado largos passos no que diz respeito ao seu diálogo com o público, diálogo esse que é também coadjuvado pela preocupação nítida em causar a surpresa, através de esquemas rítmicos imprevisíveis e de um registo vocal que não se fica por oitavas facilmente alcançáveis. Ao contrário de muitas outras bandas e artistas a solo, os Pontos Negros não incorrem no erro de chegar ao palco e fazer play no álbum. Não, eles reciclam, reinventam e apanham-nos desprevenidos.

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Tudo FloresceConto de fadas de Sintra a Lisboa, Gabriela Duro de ouvido são os temas que merecem maior destaque, dada a envolvência que causaram no escasso público. Ao palco, subiram ainda convidados como Diego Armés, dos Feromona, e Pedro de Tróia. Apesar do esforço visível dos Pontos Negros, a noite acabou por ficar muito aquém das expectativas. Muitos foram os momentos em que a vergonha alheia me assombrou.

 

Fotografias: Facebook oficial do evento

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