TALKFESTdia7

Talkfest’13 (dia 7): Talking about it

No decurso do Talkfest’13, o Espalha Factos esteve esta quinta-feira, dia 7, pelo ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão), onde, por volta das 14h30, começava a conferência «O sucesso dos festivais em Portugal – o início de uma fase decrescente?». Concluído este primeiro colóquio, fomos assistir a um outro sobre «Festivais de música como factor turístico e económico». 

O sucesso dos festivais em Portugal – o inicio de uma fase decrescente?

Esta primeira conferência contou com a presença e participação de Joaquim Albergaria (músico da banda PAUS e curador Vodafone FM), José Costa (Diretor do Festival Sons de Vez), Nuno Cruz (Stage manager e diretor Roadies DC) e Diogo Dias (músico da banda Klepht e apresentador de TV). O debate foi moderado pelo diretor de programas da RFM, António Mendes.

António Mendes começou por frisar o facto de o número de festivais realizados no ano de 2012, bem como o número de passes esgotados  nos mesmos ter diminuído. O primeiro a ser chamado a intervir foi José Costa, que foi peremtório ao afirmar que a suposta tendência para uma fase decrescente dos festivais em Portugal não se verificava no caso do festival Sons de VezO diretor do festival considera-o um «evento eclético, que não segue uma linha rígida», destacando a importância do apoio dado pela Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, o qual permite ao festival não estar dependente de um cartaz de topo.

Joaquim Albergaria Diogo Dias mostraram-se igualmente em desacordo relativamente ao tópico da fragilização dos festivais a nível nacional. O músico dos Paus reconhece que há uma maior indisponibilidade económica por parte do consumidor de festivais de música, apesar de acreditar que «o orçamento das férias é feito a pensar na ida aos festivais», no caso do público mais jovem. Na sua opinião, é tudo uma questão de triagem, ou seja, cabe ao próprio consumidor fazer uma seleção dos festivais a que quer (e pode) ir a cada ano. Ainda assim, crê que este factor não é determinante para o insucesso dos festivais. Já o vocalista dos Klepth fala do Talkfest como um dos melhores exemplos de que os festivais não ultrapassam um momento de crise. «Os festivais em Portugal estão a respirar boa saúde, porque estão a inovar», afirmou Diogo Dias.

Ao contrário de José Costa, Joaquim Albergaria Diogo DiasNuno Cruz concorda que se tem, de facto, registado uma quebra de sucesso nos festivais portugueses, resultado direto da conjuntura económica do país e do mundo em geral. «O público está mais exigente e ainda mais informado», concluiu o director da Roadies DC. Na generalidade das opiniões, a inovação é imprescindível e quem prescinde dela fica para trás. Foi também sublinhado o facto de os festivais não viverem somente às custas do seu cartaz, mas de outras componentes, nomeadamente o convívio interpessoal, tendo-se mencionado, com alguns risos à mistura, o festival Sudoeste. Joaquim Albergaria apresentou ainda um outro argumento no que toca à subsistência dos festivais. Nas palavras do baterista, «o CD está morto e o festival é a única coisa que ainda não é digitalizável, daí continuarem a estar cheios».

Festivais de música como factor turístico e económico

Nesta conferência, que começou por volta das 16h30, participaram Vitor Paulo Pereira (Candidato à presidência da Câmara Municipal de Paredes de Coura e organizador do festival do município), Martim Rodrigues (Gestor de operações Simplicity), Joaquim Durães (Diretor do Milhões de Festa) e Jorge Lopes (Diretor PEV Entertainment e Marés Vivas). A jornalista do Diário EconómicoMafalda Avelar, foi quem moderou o debate.

Vitor Pereira acredita que acabar com o festival Paredes de Coura é prejudicial para a localidade, em termos económicos. O candidato do PS defende que alguns setores de atividade apenas sobrevivem por causa do festival, em especial na área da restauração. Na óptica de Vitor Pereira, «o caminho da música alternativa e independente fez com que o Paredes de Coura perdesse muito dinheiro de início, mas a longo prazo foi a melhor decisão». Salientou a preocupação com as pessoas e as suas necessidades durante o festival, em detrimento das questões ligadas à composição do cartaz. Ficámos a saber que uma banda como os Radiohead exige um milhão de euros de cachet.

«Portugal é um destino com boa relação preço/qualidade, em comparação com os festivais feitos lá fora», defendeu Jorge Lopes. Questionado acerca dos impactos provocados pelo aumento do IVA, o diretor do Marés Vivas afirma que este «torna obrigatório o aumento do preço dos bilhetes». Houve unanimidade quanto à necessidade de o Estado oferecer mais apoios à área do espetáculo e da cultura, em específico aos festivais de música.

Vitor Paulo Pereira ressalvou a importância de se alargar a oferta cultural nos festivais, lamentando o facto de as margens de lucro não o permitirem. Foi também, por várias vezes, mencionada a questão de que o destino dos festivais deve ser um lugar diferente do vulgar, tendo-se encarado a música como um ingrediente importante para vender aos turistas. Foi, inclusive, sugerida a inclusão dos festivais e eventos de cariz cultural nos pacotes de turismo.

Fotografias: Facebook oficial do evento

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