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Talkfest’13 (Dia 6): Alguém nos viu a dançar

Já arrancou o Talkfest’13! O festival que promete não só muita música como muita “conversa”, começou ontem, em Lisboa. Durante o dia, os DJ‘s Mastiksoul Ride, os músicos Zé Pedro (Xutos & Pontapés) e Jorge Romão (GNR) e os jornalistas Andreia Vale (pivot CM TV) e João Moleira (pivot SIC Notícias) foram alguns dos oradores/moderadores dos cinco debates que se realizaram no ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão). A noite trouxe Capitão Fausto Salto.

Depois de um número de dança introdutório, a Aula Magna recebeu com aplausos a chegada dos Capitão Fausto. A jovem banda, que reside e estuda em Lisboa, trocou as voltas ao senso comum e começou logo com Sobremesa. Ainda assim, foi preciso esperar pela Febre para que se desse a primeira convulsão do lado da plateia. Era apenas uma questão de tempo até que as pessoas se sentissem desinibidas o suficiente para começarem a pular num auditório onde o normal é estar-se sentado. O vocalista Tomás Wallenstein deu, é claro, o primeiro embalo.

Tomás Wallenstein
Tomás Wallenstein

O álbum Gazela foi percorrido de uma ponta à outra, apenas com ligeiros desvios para dar um lamiré do segundo álbum, que ainda está por lançar. Estes Capitão Fausto têm uma arma na mão, da qual, tanto pode sair um tiro pela culatra, como um disparo vitorioso. Se, por um lado, a relutância quanto ao lançamento do novo álbum os pode tornar fastidiosos e previsíveis, por outro, a insistência em sets repletos do álbum Gazela pode ter o feliz resultado de convencer por completo o público, que tem cada vez mais as letras na ponta da língua. A julgar pelo concerto de ontem, o tiro foi, de facto, certeiro: rara foi a música que não causou entusiasmo no auditório.

Independentemente disso, há que sublinhar a performance de palco da banda, cada vez mais sedimentada e confortável. Causa especial deleite ver como brincam com a transgressão do andamento rítmico, provocando tanto a sensação de slow motion, como a de correria. Talvez aquele solo versátil e estimulante do baterista Salvador Seabra tenha também ajudado bastante a escapar a uma monotonia ameaçadora.

Os Salto subiram ao palco por volta da meia-noite. Guilherme Ribeiro, vocalista, chegou encapuzado e com muita boa disposição. O trio proveniente do Porto abriu logo com Por Ti Demais, uma das músicas que reúne mais apreço da parte do público. Num concerto sóbrio e sem muitas aventuras, os Salto conseguiram, com relativa facilidade, pôr a Aula Magna a dançar. O teu par, tema afamado pelo refrão «Se alguém nos visse a dançar», foi o melhor exemplo disso mesmo. Se alguém nos viu a dançar? De certeza absoluta que sim. Resta esperar que nenhuma câmara o tenha registado.

Salto

O público, esse, foi visivelmente contagiado pelo espírito festivo que a banda se esforçou por transmitir. Tanto assim é que, ao contrário do que se havia passado no concerto dos Capitão Fausto, os assobios e os gritos organizados conseguiram trazer o conjunto nortenho de volta ao palco.  

Talkfest’13 prossegue durante o dia de hoje, com mais conferências e uma noite entregue aos aposentos de Doismileoito Pontos Negros. 

*Fotografias cedidas pela organização

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