Steven Soderbergh diz-nos que Efeitos Secundário será o seu último projecto cinematográfico mas nós preferimos não acreditar, principalmente depois de assistir a esta longa-metragem. Sempre fiel a si, o realizador traz-nos um thriller original, que prende todas as atenções da plateia até ao último minuto.

Não somente os medicamentos têm Efeitos Secundários, estes podem igualmente aplicar-se a outras situações da vida. E são eles o centro do novo filme do realizador norte-americano, que promete perturbar e surpreender. O elenco é competente, com quatro nomes sonantes: Rooney Mara, Jude Law, Channing Tatum e Catherine Zeta-Jones.

Emily (Rooney Mara) e Martin Taylor (Channing Tatum) são um casal jovem, saudável e bonito, que tem uma vida bem sucedida, com uma mansão e todos os luxos que o dinheiro pode comprar, até Martin ser preso. Quatro anos mais tarde, Emily aguarda a sua libertação num pequeno apartamento na zona norte de Manhattan, mas esta revela-se tão devastadora quanto a sua encarceração e a jovem entra em profunda depressão. Depois de uma tentativa de suicídio falhada, o psiquiatra Jonathan Banks (Jude Law) é chamado para consultar o caso de Emily. Para não ser hospitalizada, ela concorda em ter consultas com o psiquiatra e iniciar um tratamento à base de antidepressivos, uma decisão que pode mudar a vida de todos os envolvidos.

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O ponto de partida é extremamente apelativo, e o argumento é bem sustentado e construído até ao fim. Seremos levados no balanço de toda a narrativa de Efeitos Secundários e nunca esperaríamos um twist tão surpreendente e inesperado, que deixará qualquer um boquiaberto. O que parece um filme sobre a indústria farmacêutica, psiquiatras, medicamentos e possíveis efeitos secundários, revela-se muito mais do que isso, numa enorme teia de conspiração. O realizador “troca-nos as voltas” e de forma muito competente.

Tecnicamente, Steven Soderbergh não desilude, quer na realização, montagem ou direcção de fotografia, onde assina sob os pseudónimos Mary Ann Bernard e Peter Andrews, respectivamente. No trabalho de fotografia, destaque para a excelente iluminação natural, tão característica no trabalho do realizador. Ao mesmo tempo, a banda sonora de Thomas Newman (o mesmo de 007 – Skyfall) assenta na perfeição e adensa todo o ambiente de conspiração de Efeitos Secundários.

No que toca ao elenco, Rooney Mara destaca-se na pele da protagonista Emily, a quem nos iremos ligar, inevitavelmente. A sua depressão e consequências dela advindas deixam-nos receosos mas, acima de tudo, atentos. A actriz demarca-se da personagem que a catapultou para a fama – Lisbeth Salander em Millennium 1 – Os Homens que Odeiam as Mulheres, de David Fincher – e que lhe valeu uma nomeação o Oscar. Oferece-nos desta vez uma Emily aparentemente frágil e muito perturbada, que luta contra todos os “efeitos secundários” da sua vida. Por seu lado, Jude Law tem uma interpretação competente como Jonathan Banks, o psiquiatra que tenta ajudar Emily, e que depressa se vê contaminado também ele pelos inesperados efeitos que um simples antidepressivo pode provocar.

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Efeitos Secundários é uma despedida em grande de Soderbergh do mundo da realização. Deixar-nos-á curiosos e aturdidos, do início ao fim – e que belo final. Resta-nos esperar que o cineasta volte com a palavra atrás e continue, quem sabe daqui a uns anos, a presentear os seus fãs com mais grandes e surpreendentes projectos.

8/10

Ficha Técnica:

Título Original: Side Effects

Realizador: Steven Soderbergh

Argumento:  Scott Z. Burns

Elenco: Rooney Mara, Jude Law, Channing Tatum, Catherine Zeta-Jones.

Género: Crime, Drama, Thriller

Duração: 106 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.