Quem é Soosh? A pergunta impõe-se, porque Soosh é um nome que, até à data, passou completamente ao lado de quase toda a gente. Até agora, contava apenas com um EP homónimo editado, que conheceu a luz do mundo em 2011 e onde este britânico começou a evidenciar que se tornaria, num futuro não muito longínquo, um caso sério no panorama da electronic music mundial. Nele samplava ousadamente nomes como Sibylle Baier, autora de um dos melhores álbuns folk da história da música internacional, de uma maneira bastante salubre, sem sequer lhe estropiar o conceito e dava-nos a garantia: a garantia do seu inegável potencial. 

Lançado no passado dia 25 do último mês, Colour is Breathe é um álbum que aguardava com alguma expectativa. Porém, depois de ouvir algumas vezes, posso agora dizer que Soosh maturou a sua música, incrassando-lhe o corpo e descingindo-se no seu público-alvo. O potencial converteu-se em certeza. Nem sequer hesito em dizê-lo: Colour is Breathe é o meu álbum favorito de 2013 até ao momento.

Imaginem coisas a acontecer em todos os lados, coisas de todas as formas e feitios. Coisas que nem sequer existem. Nem nunca existirão. Simplesmente coisas. Coisas a invadirem-nos os ouvidos ininterruptamente com vozes a surgirem-se lá pelo meio e a darem o aviso que ainda estamos neste mundo. Soosh consegue transpor-nos para outro mundo com uma sapiência tamanha e com muito d’Ardour na bagagem. Não surpreende, por isso, a produção do registo; de baixa fidelidade e que aromatiza os nossos tímpanos com rastos de batidas lentas à la downtempo, em que emergem as influências cliché IDM que Soosh tanto extravasa e mescla com o experimentalismo inerente à sua génese musical: os alicerces da sonoridade patenteada em Colour Is Breathe prendem-se a nomes como Boards Of Canada ou Flying Lotus, mas o que mais é vincado em Colour Is Breathe acaba por ser o modo como Shoroosh Kahvari interliga as suas texturas sonoras – fá-lo de uma maneira bastante peculiar e, talvez, apostando mais na voz do que aquilo que é usual. O resultado? Profundamente triunfante: vertentes dreamy acabam por ser enfatizadas, anunciando o dream hop como uma das características mais vincadas da música de Soosh, no meio de batidas hipnóticas e, por vezes, desconcertantes.

É certo que nem sempre Colour Is Breathe consegue manter o mesmo nível; existe alguma discrepância entre algumas faixas do registo, que começam a ser denotadas com maior exactidão na segunda metade do álbum, quando surgem temas como Colour Is Breathe ou Light Shadow, que prometem muito, mas que nunca rebentam. Porém, todos os possíveis defeitos são aniquilados por todas as restantes faixas: sublimes de uma ponta à outra, faixas catapultadas por beats pujantes, já inolvidáveis nos meus ouvidos, e que ecoam pelo nosso crânio à medida que vão correndo, cimentando os crescendos como máxima de Soosh na sua arquitectura sonora.

Em compêndio, Soosh é um daqueles nomes que Pitchfork’s e coisas do género ainda não descobriram e que quando descobrirem se vão render à sua genialidade: se ando enamorado com Teebs há já algum tempo, Soosh pode muito bem ser um amante: porque a sua essência está lá, contudo mais dreamy. E nada me fará descrer que Colour Is Breathe é o melhor álbum de 2013 até à data. Hiperbolismos? Não, apenas a consequência de o ter ouvido de fones no máximo. A consequência da viagem. A consequência de viajar no mundo de Soosh. A consequência de coisas que nem sequer existem.

Nota final: 8.7/10

Este artigo foi redigido, por opção do autor, ao abrigo do acordo ortográfico  de 1945