Seth MacFarlane, criador da já icónica série de animação Family Guy, estreia-se este domingo, dia 24 de Fevereiro, noutras andanças. O comediante norte-americano está encarregue de liderar as hostes da noite mais importante de Hollywood, por isso mesmo, cessem com a música das grafonolas e com os globos dourados, porque “outro valor mais alto se alevanta”.

Enquanto se faz a contagem decrescente para a cerimónia, o Espalha-Factos achou por bem recapitular alguns dos factos mais importantes desta atribulada Award Season que resultou numa dor de cabeça para os bloggers cinéfilos em todo o mundo que se desdobram em esforços para fazer previsões e cenários de vencedores e vencidos. Se alheados estão desta parafernália de prémios, podem desde já ficar a saber que tudo isto começa em meados de Novembro, com os primeiros prémios dos críticos de cinema, e vai continuando até 24 de Fevereiro, culminando no “prémio dos prémios”, os Oscars. É a este rodopio de galardões, que dura perto de três meses, que podemos apelidar de Award Season.

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Uma das principais conclusões que podemos tirar destes últimos três meses é que este foi, sem dúvida, um bom ano cinematográfico. Várias produções destacaram-se, muitas foram apelidadas de favoritas à derradeira vitória e não houve, este ano, um claro vencedor desde o início da corrida, ao contrário do que aconteceu o ano passado com O Artista a levar todos os prémios e mais alguns para França.

00:30 A Hora Negra foi o primeiro filme a ganhar o favoritismo para os Oscars, os críticos banharam a película de Bigelow em ouro e puseram o filme nas luzes da ribalta sendo, na altura, impensável um cenário onde Kathryn Bigelow fosse ignorada na categoria de realização. Depois chegou o tão esperado épico de Tom Hooper que, não sendo o mais elogiado pela crítica, ganhou de imediato o apoio do público que fez d’Os Miseráveis um sucesso de bilheteira um pouco por todo o lado.

Spielberg entra um pouco a meio da corrida, não sendo acarinhado logo pelos críticos, constrói a reputação de Lincoln através da avalanche de nomeações em prémios mais convencionais como o Critic’s Choice Awards, Globos de Ouro e BAFTAs. Temos ainda A Vida de Pi que, nunca estando na liderança, vai ganhando reputação pela perfeição visual que apresenta em tela e, verdade seja dita, pela reputação que Ang Lee já criou no seio de Hollywood. Django Libertado cai um pouco aos trambolhões no meio da Award Season, o filme de Tarantino começa a aparecer quando a lista dos dez melhores filmes da AFI (Instituto Americano do Cinema)  é revelada. Nunca se assumiu como favorito, mas foi ganhando força para os Oscars que se avizinham, sendo quase impossível alguém tirar das mãos de Tarantino o Oscar para argumento original.

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E agora falemos das surpresas. Guia Para um Final Feliz, de David O. Russell, era apontado para as categorias de representação, mas nunca se pensou que conseguisse escalar tanto nesta temporada de prémios para que, no final, acabasse com 8 nomeações aos Oscars, sendo que está nomeado para todas as categorias principais. As Bestas do Sul Selvagem e Amor foram outras grandes surpresas. Nenhum deles se pode caracterizar como o típico filme académico, são aliás pouco convencionais para receber tanta aclamação por parte dos Oscars, mas isto apenas prova que a Academia está cada vez menos conservadora (temos que nos lembrar que ambos os filmes estão nomeados para realização, um dos mais importantes galardões da noite). No entanto, a surpresa das surpresas, foi o filme de Ben Affleck, Argo. Foi aclamado tanto pela crítica como pelo público, mas tinha perdido as forças face a filmes como Lincoln e A Vida de Pi que reuniam um número muito mais vasto de indicações, mas desde os Critic’s Choice Awards a 11 de Dezembro até ao mais recente Writers Guild Awards que Argo tem ganho tudo o que é premiação. Não era visto como o favorito, mas foi conquistando esse estatuto, mesmo não conseguindo a nomeação para melhor realizador, o que foi baralhar um pouco a corrida.

Finalmente há que falar nos rejeitados. O Mentor, de Paul Thomas Anderson poderá ser coroado como o maior injustiçado de todo o ano. O filme que conta com Joaquin Phoenix no papel principal ganhou tudo o que havia para ganhar nos críticos, mas quando a Award Season começou, deixou-se ficar para trás na corrida, chegando aos Oscars apenas com três nomeações e todas elas nas categorias de representação. O caso mais flagrante é quando a Academia ignora por completo o trabalho feito por Mihai Malaimare Jr. com a fotografia d’O Mentor. Moonrise Kingdom de Wes Anderson, o filme mais peculiar de todo o Verão, foi outro dos mais ignorados nos Oscars este ano. Esta polaroid em movimento que é o filme de Wes conseguiu figurar na lista dos melhores filmes de 2012 pela AFI, mas conquistou apenas uma nomeação para a estatueta dourada (Melhor Argumento Original) e é muito difícil que ganhe, com Django a ser o seu mais feroz concorrente. Estes dois são, para mim, os casos mais flagrantes deste ano, mas muitas outras obras ficaram “a ver navios” quando os nomeados aos Oscars foram anunciados, tais como: Cloud Atlas, Amigos Improváveis, O Cavaleiro das Trevas Renasce, Hitchcock, entre outros.

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Chegando ao fim deste resumo da Award Season resta-nos esperar pelo ponto alto da mesma. Os prémios da Academia são já este Domingo e têm transmissão em directo na TVI. Aconselho vivamente uma noite em branco, principalmente aos apaixonados pela 7ª arte, pois vai ser uma noite de emoções onde nada é muito previsível. Será que Lincoln vai honrar as suas 12 nomeações e ganhar a noite? Por outro lado a Academia pode repetir o “efeitoQuem Quer Ser Bilionário? e entregar os Oscars ao A Vida de Pi. Ou será que mesmo sem a nomeação para realizador, Ben Affleck consegue levar o galardão de melhor filme para casa com o seu Argo? Tudo está em aberto este ano.

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.