Tales of a Gangster Squad é o nome do livro da autoria de Paul Lieberman que reunia um conjunto de sete reportagens publicadas no Los Angeles Times. A obra serve agora de inspiração ao filme que estreia hoje nas salas de cinema portuguesas: Força Anti-Crime (Gangster Squad).

O novo trabalho de Ruben Fleischer regressa à Los Angeles de 1949 dominada pela máfia de Mickey Cohen (Sean Penn). É cada vez maior a influência do gangster na vida da cidade, controlando inclusive os poderes económicos e judiciais.

GANGSTER SQUAD

Numa Los Angeles sufocada pelo poder crescente de Cohen, torna-se necessário encontrar uma maneira de evitar que o seu bando de malfeitores consiga controlar ainda mais a cidade. Assim, o chefe do departamento policial de Los Angeles decide convocar uma espécie de gang policial para combater os criminosos.

Para tal, é chamado o Sargento John O’Mara (Josh Brolin) que fica incumbido de encontrar um esquadrão secreto de polícias que o ajude a colocar Mickey Cohen na cadeia e restaurar a tão desejada paz, que o levou a vir viver com a mulher para Los Angeles após a sua experiência na guerra.

O processo mais interessante de acompanhar ao longo do filme é o da constituição desta equipa-maravilha que procura acabar com a máfia da cidade. Com a ajuda da mulher Connie (Mireille Enos), preocupada com a segurança do marido, o sargento vai criar um gang que conta com cérebros de diferentes áreas para conseguir lidar com a ameaça dos bandidos.

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Entrando muito em reflexões de caráter moral, Força Anti-Crime mostra como estes agentes de autoridade estão eles próprios dispostos a ultrapassar as barreiras legais para restaurar a paz em Los Angeles. O esquadrão torna-se ele próprio uma espécie de ‘máfia anti-máfia’ que desperta atenção pelos métodos que utiliza e pelo impacto que esse movimento sem rosto acaba por criar  na cidade.

A partir daqui nada parece avançar no filme. Dá-se um jogo constante do rato e do gato entre os gangs de Cohen e de O’Mara. É sempre a mesma busca por descobrir as intenções da máfia de Los Angeles, misturando como intenções adicionais para essa busca os dramas familiares de O’Mara e o romance repentino e intenso entre o Sargento Jerry Wooters (Ryan Gosling) e Grace Faraday (Emma Stone).

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São tiros a mais, explosões a mais, perseguições a mais. E enquanto as personagens se entretêm numa espécie de western citadino nos anos 50, não se desenvolve a história ou a interioridade das várias partes que vão sendo integradas nela – mas deixadas praticamente abandonadas. O filme sabe sempre a mais do mesmo, a repetição.

É demasiado aparato sonoro e visual e pouco sumo ao nível de narrativa. O resultado é óbvio: é difícil ter vontade de ficar a ver do princípio ao fim com um alto nível de concentração na ação.

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Garantindo uma boa fotografia e consistência na recriação histórica ao longo de todo o filme, Fleischer consegue surpreender sobretudo em planos que fogem do nível dos tiroteios e das perseguições, em que joga bem com a iluminação, numa fase mais próxima da reta final do filme.

Apesar de o elenco não desapontar, há que dar destaque para a interpretação de Sean Penn, que acaba por construir um Mickey Cohen que quase poderia figurar na lista dos melhores mafiosos do cinema. A sua interpretação é sólida do princípio ao fim, sendo capaz de deixar incomodado quem assiste ao filme perante a falta de escrúpulos da sua personagem.

Força Anti-Crime não é de todo uma obra-prima do cinema nem parece que se vá tornar uma referência nos filmes de gangsters. Cumpre a sua tarefa de entretenimento numa ida ao cinema e dá a conhecer a Los Angeles de 1949. Fora isso, são fórmulas repetidas até à exaustão.

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6,5/10

Ficha Técnica:

Título Original: Gangster Squad

Realizador: Ruben Fleischer

Argumento: Will Beall baseado no livro de Paul Lieberman

Elenco: Sean Penn, Ryan Gosling, Emma Stone, Josh Brolin

Género: Ação, Crime Drama

Duração: 113 minutos