É já na madrugada de 24 para 25 de fevereiro que se ficarão a conhecer os vencedores da 85ª cerimónia dos Oscars, os mais famosos prémios da indústria cinematográfica,  desta vez com Seth McFarlane como anfitrião. Como todos os anos, o Espalha-Factos oferece-te um olhar mais atento sobre cada um dos nove nomeados para o principal galardão da noite, o de Melhor Filme.

Amor

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Nomeado para melhor filme estrangeiro, Amor, de Michael Haneke, conseguiu também entrar na corrida para o grande prémio da noite. A longa-metragem austríaca debruça-se sobre o amor “na saúde e na doença”. Conta a história de Georges e Anne, dois octogenários, cultos, professores de música reformados. A filha, igualmente música, vive no estrangeiro com a família, e passa pouco tempo junto dos pais. Certo dia, Anne é vítima de um acidente e o amor que une este casal será posto à prova. Amor é um filme duro, perturbador e o menos hollywoodesco dos nove nomeados. Por estes mesmos motivos tem poucas hipóteses de se sagrar vencedor, não deixando, ainda assim, de poder revelar-se a surpresa da noite.

Crítica por Sara Alves

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Argo

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Forte candidato ao Oscar, ainda assim com a desvantagem do seu realizador, Ben Affleck não ter conseguido a nomeação para a sua categoria, Argo é um filme que muito diz aos norte-americanos. Baseado numa história verídica, a longa-metragem retrata a operação de risco para resgatar seis americanos na crise dos reféns no Irão, que esteve em segredo de estado durante décadas. A 4 de Novembro de 1979, quando militantes islamitas invadem a embaixada dos Estados Unidos da América no Teerão, fazendo mais de 50 reféns, seis deles conseguem escapar, refugiando-se na casa do embaixador do Canadá. Um especialista da CIA, Tony Mendez, tem um plano arriscado para os resgatar e fazer sair do país em segurança. Uma história onde os EUA são apresentados como heróis, com o universo do cinema em destaque.

Crítica por Inês Moreira Santos

A Vida de Pi

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A longa-metragem de Ang Lee reúne ao todo 11 nomeações para os prémios da Academia fazendo parte dos nove magníficos. A Vida de Pi, como o título indica, debruça-se sobre Pi Patel, filho do administrador de um jardim zoológico na Índia. Aos 16 anos, Pi junta-se à família que decide emigrar para a América do Norte num navio cargueiro, juntamente com os habitantes do zoo. Mas quando este se afunda, Pi vê-se na imensidão do Pacifico a bordo de um salva-vidas acompanhado por uma hiena, um orangotango, uma zebra e um tigre de Bengala. Em breve restarão apenas o jovem e o tigre, e a única esperança para sobreviver é descobrirem que precisam um do outro. Espiritual e visualmente atrativo, A Vida de Pi tem dividido opiniões mas é potencial vencedor de algumas estatuetas nos Oscars deste ano. Quem sabe se não arrecada também a de Melhor Filme?

Crítica por Ricardo Rodrigues

Bestas do Sul Selvagem

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Talvez um dos mais inesperados dos nove nomeados para Melhor Filme. Certo é que Bestas do Sul Selvagem conseguiu quatro nomeações, incluindo Melhor Realizador e Melhor Atriz, com a mais jovem nomeada (a talentosa Quvenzhané Wallis, de nove anos) de sempre nesta categoria. O filme de Benh Zeitlin apresenta-nos  uma comunidade esquecida mas desafiante de uma zona pantanosa separada do mundo civilizado por um extenso dique, onde a pequena Hushpuppy, de seis anos, vive entregue à sua sorte, com o seu pai, Wink, descontrolado e doente. Quando a tempestade do século faz subir as águas em torno da aldeia e ferozes criaturas pré-históricas acordam dos seus túmulos gelados para investir através do planeta, Hushpuppy vê entrar em colapso a ordem natural de tudo o que lhe é querido. Uma história onde a fantasia e a realidade se juntam de forma harmoniosa.

Crítica por Simão Chambel, aquando da antestreia no Lisbon & Estoril Film Festival

Crítica por Wilson Ledo, aquando da estreia comercial

Django Libertado

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Ausente na categoria de melhor realizador, o sempre controverso Quentin Tarantino vê contudo figurar o seu Django Libertado entre os nomeados a Melhor Filme, reunindo, ao todo, cinco nomeações aos prémios da Academia. Django é um escravo comprado por Dr. Schultz, um caçador de recompensas alemão, que quer a sua ajuda na captura dos assassinos Brittle. O seu sucesso dá a liberdade a Django, mas os dois decidem permanecer juntos, perseguindo os criminosos mais procurados do sul. No entanto, Django está concentrado em encontrar e resgatar Broomhilda, a sua mulher, que perdeu no comércio de escravos. Nesta busca, Schultz e Django chegam a Calvin Candie, o proprietário de Candyland, uma plantação onde os escravos são preparados para lutarem entre si. Um filme cheio de amor, violência e inúmeras homenagens ao cinema.

Crítica por Inês Moreira Santos

Guia para um Final Feliz

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Surpresa para alguns, banalidade para outros, Guia para um Final Feliz reúne ao todo oito nomeações, incluindo para Melhor Filme. David O. Russell trouxe aos cinemas a história de Pat Solatano que perdeu tudo – a casa, o emprego e a mulher – e depois de passar oito meses numa instituição estatal para pessoas com distúrbios mentais, regressa a casa dos pais. Pat quer reconstruir a sua vida e reconciliar-se com a mulher mas, tudo muda quando conhece Tiffany, uma mulher misteriosa e problemática. Uma comédia romântica clássica, com drama, neuroses e dança à mistura, tal como a Academia costuma nomear e/ou celebrar

Crítica por Inês Moreira Santos

Lincoln

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Lincoln, o mais nomeado dos candidatos a melhor filme (com 12 nomeações), chega pela mão de Steven Spielberg e retrata um momento decisivo da história dos Estados Unidos – o fim da escravatura. Em foco estão os últimos quatro meses de vida do Presidente norte-americano, nomeadamente a votação renhida pela 13ª emenda pela Câmara dos Representantes, que ilegaliza a escravatura. Entre os que o acham os diálogos políticos cansativos e os que se deixam levar pela emotividade do assunto em causa, Lincoln não deixa ninguém indiferente, isso é certo.

Crítica por David Pimenta

Os Miseráveis

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O musical realizado por Tom Hooper é outro dos nove magníficos, e conta, ao todo com oito nomeações aos Oscars 2013. Com a França do século XIX como pano de fundo, Os Miseráveis conta uma história de sonhos desfeitos, paixão, sacrifício e redenção, num testemunho intemporal da sobrevivência do espírito humano. Jean Valjean é um ex-prisioneiro perseguido durante décadas pelo cruel polícia Javert, depois de ter desrespeitado a sua liberdade condicional. Quando Valjean aceita cuidar de Cosette, a filha da sua operária Fantine, as suas vidas mudam para sempre. Com alguns momentos intensos, Os Miseráveis será decerto o eleito para os fãs de musicais.

Crítica por Ricardo Rodrigues

00:30 A Hora Negra

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Mais um filme muito americano e onde momentos marcantes da muito recente história dos EUA estão em jogo. Com cinco nomeações, 00:30 A Hora Negra, de Kathryn Bigelow (que está de fora da corrida para Melhor Realizador), traz para o grande ecrã os aspectos mais relevantes da operação que resultou na captura de Osama Bin Laden. Com Jessica Chastain como a grande mulher à frente da pequena e dedicada equipa da CIA que trabalhou arduamente durante dez anos para o localizar, este é um filme que mexe com as mais profundas emoções dos norte-americanos e interessa ao resto do mundo.

Crítica por Ricardo Rodrigues