Ver Crystal Castles ao vivo é bem mais do que assistir a um simples concerto. É uma experiência única que resulta numa explosão de “luz, cor e movimento“, capaz de levar os fãs à loucura. O espetáculo no espaço TMN ao Vivo, no passado domingo, não foi exceção.

O concerto começou pouco depois das 22 horas, mas hora e meia antes já eram várias as vestes negras (e algumas jovens, “sósias” de Alice Glass) que se juntavam à porta do TMN ao Vivo para receber a dupla canadiana Alice Glass e Ethan Kath, na sua quinta visita a Portugal.

Com uma Alice Glass (felizmente) mais sóbria do que se esperava e Ethan Kath sempre no controlo da maquinaria eletrónica, a dupla, acompanhada de um baterista, subiu ao palco ao som de Plague (tema de III, o mais recente disco do grupo), sendo recebida com uma ovação apoteótica. O jogo de luzes strob acompanhou de forma excelente todos os temas da banda.

Seguiu-se Baptism, um dos grandes hits da dupla canadiana, cantado a plenos pulmões pelo público e na qual foi impossível ficar-se imóvel e não ser contagiado pela euforia que inundava a plateia. Foi também neste tema que Alice Glass invadiu pela primeira vez o público, deixando os fãs em êxtase.

Com algumas pausas instrumentais para recuperar o fôlego, o concerto continuou com temas dos três álbuns do grupo. Destacou-se a agressividade de Doe Deer, os clássicos Vanished e Untrust Us, bem como os temas eletrónicos e eletrizantes Suffocation, Empathy e Celestica.

O poderoso instrumental de Insulin abriria as portas para Not In Love, o último tema antes do encore, e através do qual, provavelmente, muitos dos fãs tomaram conhecimento da banda, pela sua versão emblemática em dueto com Robert Smith, vocalista dos lendários The Cure.

A banda sairia de palco mas voltaria de seguida para um curtíssimo (mas suficientemente estrondoso) encore, com os temas Insulin e Yes No, tema que já é habitual no términus dos concertos de Crystal Castles. Foi então a cantar “Yes? No? Mabye so?” que o público português se despediu da dupla canadiana.

Apesar da curta duração do concerto – cerca de uma hora e dez minutos – foi impossível sair-se indiferente do TMN ao Vivo. Se houve falhas técnicas, ninguém as notou. A energia avassaladora dos Crystal Castles levou a que, em quase todos os temas, não se conseguisse manter os pés no chão.

Para Alice Glass, interagir com o público não passa por dizer “obrigado”, “são um público fantástico” ou “Lisboa é uma cidade lindíssima”. Para Alice, interagir com o público é fazer parte dele. Entre saltos, berros, mosh e crowdsurfing, ficam as nódoas negras e a voz rouca para relembrar a montanha-russa de emoções que é ver Crystal Castles ao vivo. Fica também o desejo de repetir a experiência.

O Espalha Factos não teve autorização para recolher registos fotográficos do espectáculo.