Com o lançamento de Live. Love. A$AP (2011), a sua deliciosa mixtape de estreia, o norte-americano A$AP Rocky afirmou-se como um dos mais promissores rappers desta nova geração e ajudou a dar estímulo à popularização do Cloud Rap, subgénero do Hip-Hop relativamente obscuro até então. Agora, passados dois anos cheios de polémicas pessoais e colaborações em canções alheias, o jovem nova-iorquino lança o seu primeiro LP, editado pela gigante RCA a 15 de Janeiro. A obra tem o título de LONG.LIVE.A$AP, e é dela que vamos falar hoje.

Apesar das suas letras serem algo sensaboronas e muitas vezes baseadas em estereótipos mais que gastos sobre o mundo do Hip-Hop, Live. Love. A$AP tinha a seu favor incríveis beats, uma brilhante produção (a cargo duma equipa donde se destacava Clams Casino) e um flow que, não sendo perfeito, se mostrava adequado para os tons negros e trippy que revestiam as canções da mixtape. Sem dúvida, uma vitória do som e da estética sobre a lírica, num registo que, na minha honesta opinião, tinha mais pontos fortes que fracos.

Por isso mesmo, o anúncio da estreia de A$AP Rocky num longa-duração deixou-me a mim (e estou que certo que a muitos outros melómanos) bem cheio de esperanças e expectativas, que conseguiram resistir aos inúmeros atrasos no lançamento e às colaborações com Lana Del Rey (yuck!). Contudo, após várias audições e uma rigorosa análise do disco, uma coisa ficou bem certa na minha mente: apesar de não ser um mau álbum, LONG.LIVE.A$AP revelou-se uma grande desilusão.

Uma das coisas que salta logo à vista na comparação deste registo com Live. Love. A$AP é a diferença de estética; apesar de se manterem, duma forma geral, os tons escuros e o som enevoado, LONG.LIVE.A$AP apresenta-se como uma obra muito mais acessível e directa que o seu sucessor, alargando também o leque de influências para além do Cloud Rap e misturando texturas, ritmos e sonoridades vindos de “sectores” mais comerciais e dançáveis do Hip-Hop e da música electrónica. Por isso mesmo, este registo acaba por ser muito mais expansivo e heterogéneo que a mixtape que o precede.

Esta nova direcção estará certamente relacionada com a escolha dos produtores para este álbum: enquanto Live. Love. A$AP primava pela participação de nomes relativamente desconhecidos do grande público (cuja grande excepção à regra era, sem dúvida, o já referido Clams Casino), em LONG.LIVE.A$AP a criação de sons e beats viu-se entregue a personalidades como Hit-Boy, T-Minus, Skrillex e Danger Mouse, o que ajudou a dar à produção um aspecto mais polido e aprumado. A isto juntam-se as boas participações de nomes como Drake, Schoolboy Q, Kendrick Lamar, Joey Bada$$ ou Big K.R.I.T. (num “elenco” de luxo cuja única fava é Santigold), e o bom flow de A$AP Rocky, factores que dão qualidade ao disco.

Contudo, se é verdade que a produção e o flow se mantêm como os pontos mais fortes da música de A$AP Rocky, também o é que as suas letras continuam a ser, infelizmente, a sua maior fraqueza. Apesar de podermos encontrar, pontualmente, algumas tentativas de aprofundar a sua lírica (particularmente em Phoenix, uma faixa intimista sobre o peso que a fama coloca em cima dos artistas), o conteúdo das letras de A$AP Rocky continua a ser muito unidimensional e a centrar-se nos estereótipos exagerados da vida dos rappers; tudo isto, quando combinado com o decréscimo de qualidade da produção em relação a Live. Love. A$AP, faz com que seja cada vez mais notório que, à excepção duns beats maneiros e duns sons bem-feitos, este jovem nova-iorquino não tem grande coisa à acrescentar ao Hip-Hop.

Quanto aos pontos altos deste LONG.LIVE.A$AP, o destaque vai para a infecciosa Goldie, a deliciosamente fútil PMW (All I Need), a incendiária Fuckin’ Problems, a marcante 1Train (uma posse track como há muito não se via, com participações irrepreensíveis) e a glamorosa Fashion Killa. No reverso da medalha, as pavorosas e insípidas Hell, Pain e Suddenly surgem como algumas das piores peças deste LP, sendo exemplo dos defeitos de que este padece.

Resumindo, LONG.LIVE.A$AP é um disco que defrauda quase todas as expectativas geradas por Live. Love. A$AP e revela-se como uma obra que põe em evidência todos os defeitos e fragilidades de A$AP Rocky enquanto rapper e MC. É certo que não é um mau álbum, e que a produção consegue, aqui e ali, evitar desastres de maior e salvar a honra do convento. Porém, quando comparado com a mixtape de 2011, LONG.LIVE.A$AP deixa-nos um amargo sabor na boca e acaba por ser, em última análise, um LP demasiado mediano para causar algum tipo de impacto duradouro.

Nota Final: 6.0/10

*Este artigo foi escrito, por opção do autor, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945