Também és daquelas que acha que São Valentim foi uma figura emblemática da história e da religião, mas que podia muito bem ficar apenas na consideração (e no calendário, vá…) de todos nós sem ser exigível que todos os dias 14 deste mês vejamos coraçõezinhos cintilantes e ursinhos exasperantes por todo o canto das ruas ou das montras das lojas?

Se respondeste parcialmente “sim” a esta questão, estás no sítio certo… Aqui encontras algumas sugestões meio bipolares – que vão do muito cómico ao extremamente trágico e biográfico – para esqueceres o facto de que (ainda) não encontraste a tua cara-metade mas, apesar disso, és feliz! Além disso, ainda podes acabar o dia mais culta a nível cinematográfico. Aqui não te impingimos comédias românticas com a Julia Roberts nem juras de amor eterno perante uma fogueira ou um paraíso à beira mar. Hoje dizemos não ao adorado cliché do Felizes Para Sempre. Palavra de solteira!

1. All About Eve  (1950)

Para todos aqueles que apreciam clássicos do cinema este é, sem dúvida nenhuma, um daqueles imperdíveis. Baseado no pequeno conto de Mary Orr, The Wisdom of Eve, conta a história de uma estrela da Broadway em decadência, Margo Channing (Bette Davis), e da aproximação de uma jovem (aparentemente) com uma história de vida conturbada: Eve Harrington (Anne Baxter). Esta fã de Margo acaba por se revelar muito mais do que uma inocente aspirante a actriz…

Um filme muito bem conseguido, com um sentido de humor refinado e sarcástico graças ao desempenho da grandiosa Bette Davis. Não é por acaso que o filme de Joseph L. Mankiewicz ganhou 6 óscares, entre eles o óscar de melhor filme e melhor realizador, em 1951. Foi ainda a primeira vez na história do cinema que as quatro actrizes foram nomeadas para o óscar pelas suas interpretações (Davis e Baxter para melhor actriz principal e Holm e Ritter para melhor actriz secundária). Ah! O filme conta ainda com a glamourosa presença de Marilyn Monroe.

 

2. Vicky Cristina Barcelona (2008)

O filme de Woody Allen com a participação de Javier Bardem (Juan Antonio Gonzalo), Rebecca Hall (Vicky), Scarlett Johansson (Cristina) e Penélope Cruz (Maria Elena) conta a história complexa de duas amigas americanas (Vicky e Cristina) que viajam para Barcelona nas suas férias e, apesar de muito próximas, tem personalidades completamente diferentes e vêem o amor e os relacionamentos de formas opostas. No entanto, o encontro com o mulherengo Juan Antonio e o fim-de-semana na casa dele, em Oviedo, será marcante para as suas vidas. Para complicar ainda mais a trama, surge a ex-mulher de Juan, a artista Maria Elena, interpretada por Penélope Cruz, numa excelente performance de “doida varrida” e ciumenta compulsiva, que lhe valeu o óscar de melhor actriz secundária.

3. Into The Wild (2007)

Este filme é um drama realizado por Sean Penn a partir do livro do jornalista Jon Krakauer sobre a história real do jovem Christopher McCandless que troca a sua vida de recém licenciado e todo o seu dinheiro (doando-o à caridade) pela incerteza  de partir em busca de um lugar junto à mãe natureza, isolado de tudo e de todos, para finalmente se encontrar.  O elenco conta com Emile Hirsch no papel do jovem McCandless que sai dos EUA rumo ao Alaska; e ainda com Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Catherine Keener, Vince Vaughn e Kristen Stewart.

Uma história de coragem realmente emocionante, ainda mais por ser verídica que nos faz pensar nas nossas vidas e no apego que todos temos aos bens materiais. Não valerá mais o “ser” que o “ter” para alcançar a felicidade?

 

4. El Secreto de Sus Ojos (2009)

O filme hispano-argentino – com realização de Juan José Campanella –  e vencedor do óscar de melhor filme estrangeiro foi baseado no livro de Eduardo Sacheri La pregunta de sus ojos.  Retrata sobretudo o passado que é melhor compreendido no presente. Através da escrita, o ex-funcionario da justiça penal, Benjamin Espósito (Ricardo Darín) tenta reconstruir um crime hediondo nunca resolvido envolvendo a morte de uma mulher, mas que ele mesmo tentou decifrar 25 anos antes. Para isso, Espósito reencontra e fala com alguns dos personagens fantasmagóricos do seu passado enquanto é levado a reencontrar a sua paixão antiga por Irene Hastings (Soledad Villamil) com quem tudo poderia ter sido de outra maneira, anos atrás.

Um filme envolvente e de cortar a respiração. Aconselhado para todos aqueles que nutrem um carinho especial por casos policiais e gostam de ver a verdade prevalecer, mesmo quando parece ser tarde de mais…

5. Mujeres al borde de un ataque de nervios (1988)

Uma autêntica comédia dramática e nonsense de Pedro Almodóvar, absolutamente imprescindível para os fãs do realizador. Conta com as interpretações de Carmen Maura como Pepa, Antonio Banderas como Carlos, Julieta Serrano como Lucía e Rossy de Palma como Marisa. A história passa-se em Madrid e envolve mulheres grávidas mas que ninguém sabe, mulheres abandonadas pelos amantes ou maridos e loucas à sua procura, mulheres noivas mas que adormecem porque beberam gaspacho com  uma dose elevada de soníferos.  E, como se tudo isto não fosse confuso o suficiente, há ainda uma mulher traída, em tal estado de “nervos”, que planeia matar o marido. Um filme onde IvanFernando Guillén – é amante, marido e amante. E algo me diz que está em maus lençóis…

 

6. Lost In Translation (2009)

Este filme de Sofia Coppola é um drama com Scarlett Johansson no papel principal de Charlotte, contracenando com Bill Murray, enquanto Bob. O filme é interessante na medida em que faz o paralelismo entre duas pessoas de idades muito diferentes: Charlotte, uma jovem recém casada a viver em Tóquio mas sem saber muito bem qual é o seu rumo e a sua missão na vida, (muito menos naquela terra desconhecida) e Bob, um actor de meia-idade em final de carreira, que vai para a cidade japonesa para gravar alguns anúncios publicitários. O ponto comum destas duas personagens, aparentemente tão distintas, é o sentido de vazio nas suas vidas e a ajuda preciosa que cada um pode, inesperadamente, oferecer ao outro. O argumento é original de Coppola e valeu-lhe o óscar em 2004, entre inúmeras nomeações e outros prémios.

7. Elizabeth: The Golden Age (2007)

A história do filme de Shekhar Kapur, com guião de William NicholsonMichael Hirst centra-se no reinado da rainha protestante de Inglaterra, Elizabeth I (sendo a continuação do filme homónimo de 1998) quando ela já governa há quase 30 anos, em pleno século XVI durante a era de ouro, na sua luta contra o rei de Espalha, Filipe II, que pretende derrubar o reinado de Elizabeth e disseminar o catolicismo na Inglaterra. Cate Blanchett dá vida à rainha e protagoniza na perfeição o papel de mulher com pulso de ferro, destemida e determinada que não deixa nada nem ninguém retirar-lhe o seu poder. Também conhecida como Gloriana ou The Virgin Queen, pois renuncia ao amor, aqui personificado por Walter Raleigh (Olive Owen), em detrimento da coroa e luta como uma guerreira até ao fim.

8. Little Miss Sunshine  (2006)

“Everyone just pretend to be normal” é uma das taglines e que define esta comédia/drama na perfeição. O filme do casal Jonathan Dayton e Valerie Faris, com argumento de Michael Arndt, é bastante centrado nos dramas familiares e nas relações de amor que se estabelecem mesmo quando tudo parece um caos. Estreou no Festival de Sundance nesse ano e, além de ter sido um sucesso a nível da crítica (venceu dois óscares), foi também um sucesso de bilheteira. Conta a história da pequena Olive (Abigail Breslin) que quer participar num concurso de beleza infantil na Califórnia e que, por isso, junta toda a sua disfuncional família numa Kombi amarela onde partem para o encontro dos seus problemas individuais e do amor que nutrem uns pelos outros. No elenco temos ainda Steve Carell, que é Frank, o tio gay que tenta o suicídio, o pai Richard (Greg Kinnear) e a mãe Sheryl que fuma em demasia (Toni Collette),  Dwayne (Paul Dano), o irmão mais velho que se encontra em voto de silêncio pois quer ser à força piloto da força aérea e, claro, o grande pilar de todos: o avô paterno (Alan Arkin) que ensaia a neta para o concurso Little Miss Sunshine e a faz acreditar no seu potencial.

 

9. Happy Go Lucky (2008)

Este filme britânico conta a história singular da londrina Poppy (Sally Hawkins) que é uma pessoa absolutamente comum, com uma vida comum, com um trabalho enquanto professora primária bastante comum, mas uma felicidade totalmente fora do comum. Ela é alegre com a vida e sabe aproveitar cada momento com positividade, ao contrário de alguns que a rodeiam. O filme de Mike Leigh é uma lufada de ar fresco e, ao mesmo tempo, um choque eléctrico para todos aqueles que passam a vida a lamentar-se por não terem isto ou aquilo (sim incluindo um namorado(a)!) e não sabem viver a ser simplesmente felizes com a vida que têm, tirando dela o máximo partido. 100% saldo positivo. A não ser que tenhas alguma síndrome que te impeça a expressão facial não vais conseguir parar de sorrir ao vê-lo.

10. The Help  (2011)

Na década de 60 na América sabemos que muitas injustiças tomaram lugar dos brancos contra os negros. Esse paradigma era alimentado pela ideia de que os negros eram inferiores e nascidos para servir (resquícios da era esclavagista tão intrincada nas mentes limitadas desses mesmos americanos). The Help,  de Tate Taylor, é um filme baseado num livro (de Kathryn Stockett) mas é, sobretudo, uma realidade histórica que merece ser contada e não pode ser esquecida pela humanidade. Fala da audácia de Eugenia Skeeter (Emma Stone), uma jovem jornalista bastante à frente do seu tempo, que pretende escrever um livro sobre empregadas vítimas de racismo nas casas abastadas no estado do Mississippi, contando as suas histórias. Claro que, naquela época, teve de fazer todas as entrevistas escondida de todos e foi um verdadeiro acto de coragem publicar o livro. Mas, no final, a recompensa é maior do que tudo o que possa ter deixado para trás. De destacar ainda as personagens interpretadas por Viola Davis (Aibileen Clark), Bryce Dallas Howard (Hilly), Octavia Spencer (Minny Jackson) que venceu o óscar de melhor actriz secundária, e ainda Jessica Chastain (Celia Foote).

Bónus: 11. The Purple Rose Of Cairo  (1985)

Para terminar esta lista em beleza (e para não se dizer que os solteiros não têm coração) nada melhor do que outro filme de Woody Allen na sua fase menos “realista” por assim dizer. A Rosa Púrpura do Cairo é um filme mágico e apaixonante, mas não no sentido comum ou cliché do termo, mas sim de uma forma absolutamente inesperada. Já pensaram como seria se personagens dos nossos filmes preferidos saltassem da tela do cinema para a vida real? É sobre isto que este filme fala, fazendo-nos sonhar acordados com as suas fantásticas possibilidades. Mia Farrow, Jeff Daniels, Danny Aiello são os principais nomes que protagonizam este romance tão atípico passado durante os anos 30 e a Grande Depressão Americana.

Podes ler aqui a versão masculina, 10 filmes para solteiros no dia dos namorados.

*Este artigo foi escrito, por opção da autora, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945