As músicas levam, tal como as drogas, à dependência. Os investigadores da Universidade McGill, no Canadá, confirmam que a sensação prazerosa que sentimos ao ouvir música, causada pela libertação de dopamina no cérebro é semelhante à reação causada por drogas ou comida. Esta relação entre música e dependência será analisada durante o simpósio Music, Poetry and The Brain, que se realizará no dia 25 de maio na Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa.

Todos nós, várias vezes na nossa vida, tivemos a clara impressão de estar viciados em determinada música, mas o que talvez achássemos que seria apenas uma “impressão”, era afinal realidade.

Não estamos longe da verdade quando falamos em canções viciantes. Os investigadores dirigidos por Robert Zatorre explicam que “a dopamina é importante porque nos faz querer repetir comportamentos. Esta é uma das moléculas que mais contribui para que as dependências existam. Neste caso, a euforia causada pela música é reforçada pelo nosso cérebro, tal como acontece com a droga. Se estados emocionais induzidos pela música podem levar a libertação de dopamina, como indicam os resultados, isso pode explicar o motivo pelo qual as experiências musicais são tão valorizadas”.

A música causa, pela libertação da dopamina, sensações diversificadas. Aumento do ritmo cardíaco, da temperatura do corpo ou arrepios são algumas das sensações verificadas. Verificou-se, entre os participantes observados por este estudo um aumento de 6 a 9% dos seus níveis de dopamina quando ouviam uma música que gostavam. No entanto, sabe-se que em estudos anteriores acerca de drogas psicoativas, como a cocaína, se registavam valores de aumento da dopamina no cérebro em cerca de 22%. Quando analisados indivíduos a comerem as suas refeições preferidas o aumento de dopamina no cérebro situava-se nos 6%.

O estudo indica assim que a música vicia e cria sentimentos de pertença, daí a sua utilização nas várias campanhas como arma de marketing. A equipa de investigadores apurou ainda que o sentimento de prazer dos ouvintes inicia-se antes do ato de ouvir música, apesar desta sensação ser proveniente de outra zona do cérebro que não é a mesma utilizada para ‘sentir’ a música. Nas palavras de Zatorre“este estudo mostra uma extraordinária interação entre a cognição, a cultura e a fisiologia da dopamina”.

O simpósio Music, Poetry and the Brain, que de forma aprofundada refletirá sobre estas questões, tem inscrições abertas até dia 15 de março no seu site oficial.