Os Metz, trio canadiano, preparam a sua dupla visita a Portugal. Em primeiro lugar, subirão ao palco do Plano B no dia 12 de Fevereiro, no Porto, acompanhados pelos barcelenses The Glockenwise. Depois, rumarão até à Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, onde atuam no dia seguinte com os Cangarra. E o Espalha Factos prevê a sua visita a solos lusos.

São três e vêm do Canadá. Os Metz metem-se (como não fazer esta piada?) nos lençóis do noise, do pós-punk, e do grunge. A banda é composta por Alex Edkins, que junta a voz lacerante aos poderosos riffs da guitarra; o baixista Chris Slorache e o frenético baterista Hayden Menzies, que juntos partem a loiça toda.

Com amplificadores ligados no máximo, muita distorção e feedbacks que se traduzem numa energia pungente, com descargas viscerais e sonoridade por vezes abrasiva, apresentam ao mesmo tempo agradáveis melodias. Já comparados a uns Sonic Youth, Pixies, Dinosaur Jr., A Place To Bury Strangers, Shellac, ou Public Image Ltd, não deixam, contudo, de apresentar uma sonoridade própria. Têm, também, sido apontados como a ressurreição do som grunge de uns Nirvana dos tempos de Bleach.

Em 2008, os Metz foram lançando singles e iniciando-se ao vivo, onde à boa maneira punk deram concertos imprevisíveis que se assemelharam a um grupo de amigos que se junta na cave para fumar umas ganzas e tocar, sem qualquer espírito de compromisso. No ano passado editaram o álbum homónimo (produzido por Graham Walsh, dos Holy Fuck) pela editora alternativa Sub Pop Records e metzeram-se (outra vez?) nas bocas do mundo. AS

Eles Metzem respeito. Depois de ter ouvido o homónimo dos Metz, álbum que classifiquei como sendo o melhor registo lançado em 2012, a curiosidade em ver ao vivo esta banda canadiana (não, apesar do nome não é uma banda francesa nem nenhum clube de futebol) despertou de imediato: aquele barulho desconcertava-me a cada instante. O álbum é simplesmente bombástico. Bombas noise, rebeldia punk, roupagens calibradas e minadas pelo post-hardcore e uma produção simplesmente demolidora. Está tudo lá, tudo aquilo é mel para os nossos ouvidos.

O que esperar dos concertos de Metz? Uma resposta raramente foi tão óbvia. Espera-se um dilúvio sonoro provocado por todo aquele barulho desconcertante musculado pelos amplificadores imponentes. Esperam-se cabeças a abanar como se o amanhã não existisse. Espera-se que abusem dos nossos ouvidos. Esperam-se litros de sange e quantidades infindáveis de hematomas. No fundo, espera-se de tudo, mas garantidamente só temos uma certeza aninhada na nossa cabeça: a certeza de que irá ser um concerto do caralhão.

Motivos para vos convencer a irem ao concerto? Também é fácil. Se procuram mandar muita coisa à merda e não têm coragem para isso, basta irem ao Plano B, no Porto, ou à Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, para saírem de lá completamente renovados e desinibidos a esse ponto. Se também se encontram em problemas típicos de adolescência e se querem provar que são homens de barba rija, aqui reside uma boa oportunidade para isso.

Não perceberem nada do que escrevi nem sabem, ainda, quem são verdadeiramente os Metz? Basta olharem para a capa do seu álbum de 2012, um puto notoriamente aborrecido que descansa sobre os seus materias da escola, numa espécie de “não quero ir mais à escola, é sempre a mesma merda“. Depois, é só clicar em play na Headache, a primeira música. Façam esse favor a vós próprios e até dia 12. Ou 13. Cumprimentos. Com Metz, até explodes. EG

Texto por Alexandra Silva e Emanuel Graça