O encenador Rogério de Carvalho foi galardoado pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro ( APCT) pelas encenações que realizou durante 2012. Para além deste, também o Teatro dos Aloés, Primeiros Sintomas e o fotógrafo João Tuna foram congratulados pelo trabalho realizado.

A APCT considera que os trabalhos de Rogério de Carvalho se incluem num “trajeto artístico de invulgar excelência e rigor”. O encenador estreou, no passado ano, Devagar para a companhia As Boas Raparigas, da qual é também diretor artístico, e ainda O Doente Imaginário, para o Ensemble. Estes dois trabalhos compunham, para o júri, “uma singular intensidade no trabalho sobre a voz e sonoridades com o rigor da inscrição do corpo dos atores num espaço que um belíssimo jogo de luz e sombras transfigurava de forma audaciosa”.

Juramentos Indiscretos, encenado por José Peixoto do Teatro dos Aloés, trata-se, para o júri, de “um marco importante na nossa vida teatral”. Este espetáculo, encenado a partir de um texto de Marivaux, marcou o panorama teatral português porque tinha por base “um autor conhecido de nome, mas longe de ser familiar do grande público”. Utilizando “uma tradução exemplar” e criando “um trabalho de atores refinado e inteligente” bem como “um dispositivo cenográfico totalmente adequado aos propósitos da peça e da encenação”, este espetáculo conta com o reconhecimento de melhor espetáculo de teatro do ano.

Salomé, criação da companhia Primeiros Sintomas a partir de Oscar Wilde, também merece destaque. Bruno Bravo, o encenador da peça, apresentou “uma versão imaginativamente erótica e lírica da peça em ambiente espesso como nevoeiro cerrado assombrado por palavras nascidas de um desejo subversivo e belo”.

O fotógrafo João Tuna receberá uma menção honrosa, pelo modo como “a cumplicidade com encenadores, cenógrafos, iluminadores e actores, entre outros criadores, que vem fotografando ao longo dos anos, vai muito além da objectiva.” A associação que atribui estes prémio justifica esta menção honrosa afirmando que “os espetáculos registados parecem só ter ficado completos depois da invenção de imagens deste fotógrafo, cineasta e dramaturgo, cuja visão de mundo é um teatro por si só”.

O júri foi constituído por Alexandra Moreira da Silva (dramaturgista, tradutora e investigadora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto), João Carneiro (crítico no jornal Expresso), Maria Helena Serôdio (que preside à APCT), Jorge Louraço Figueira (crítico de teatro no PÚBLICO) e Rui Monteiro (crítico de teatro na revista Time Out).

A entrega dos prémios terá lugar no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em data ainda a anunciar.