Lincoln, realizado e produzido por Steven Spielberg, é o grande nomeado da 85ª cerimónia dos Oscars: Melhor Filme, Melhor Ator Principal, Melhor Realizador entre outras nomeações que perfazem um total de 12. A cerimónia acontece a 24 de fevereiro e, em Portugal, a estreia nas grandes salas acontece hoje.

Estamos perante uma das melhores obras cinematográficas biográficas feita nos últimos tempos. Spielberg, conhecido por filmes como A Lista de Schindler e os dois primeiros da trilogia Jurassic Park, dá a conhecer a história do presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln nos últimos quatros meses de vida, época em que a 13ª Emenda da Constituição é aprovada no país e acaba com a escravatura. 2012 teve duas referências a Lincoln: ao dar a conhecer um dos maiores feitos políticos com a obra de Spielberg ou a dar uma nova figura ao reconhecido presidente sob a forma de vampiro. Que não haja divagações: estamos perante o que chamaria de quase obra-prima cinematográfica sobre uma personalidade política dos Estados Unidos, inspirada na obra de Doris Kearns Goodwin, intitulado Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln.

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Levanto-me e bato palmas num primeiro instante ao desempenho do ator Daniel Day-Lewis como protagonista desta história. Houve momentos em que nada mais importava no ecrã a não ser as suas palavras, as histórias que Lincoln contava aos colegas do partido para exemplificar o ponto de vista que queria transmitir ou a determinação com que defendia o fim da escravatura, ao longo das duas horas e meia de filme. Day-Lewis é um ótimo candidato a vencedor do Oscar de Melhor Ator Principal.

Um dos melhores momentos conseguidos no filme é também o desempenho de Sally Field, como a senhora Mary Tood Lincoln. Uma das melhores cenas da longa-metragem é oferecida pelo casal, em que é retratada a preocupação e amor com a família devido às mudanças provocadas por Lincoln. Field tem um desempenho notável ao mostrar toda a loucura e preocupação quando o filho mais velho quer alistar-se no exército e combater na Guerra Civil. São os dois lados da balança: Abraham com o lado calmo, prestes a mudar a Constituição dos Estados Unidos, amado pelo povo e Mary Tood preocupada com os filhos e atormentada pela determinação do marido.

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O apontamento contra Lincoln centra-se apenas na grande quantidade de política colocada nas mais de duas horas de filme. Trata-se de pura história política americana, em que muitas definições vão escapar à maioria dos portugueses e diria mesmo, a grande parte dos europeus. Não há um grande foco na Guerra Civil, o outro lado da história que podia ter tornado o enredo ainda mais interessante. Um outro ponto negativo do filme é a ausência do aparecimento e destaque de algumas personagens, como é o caso de Rob Lincoln, o filho mais velho e determinado a deixar a Universidade de Direito em Harvard e alistar-se no exército. É uma das personagens que pouco aparece mas deixa curiosidade e desejo de se saber mais, para compreender a determinação na sua decisão.

Encontra-se nas salas de cinema portuguesas um dos melhores filmes de 2012 e um excelente candidato a consagrar-se o grande vencedor da noite dos Oscars deste ano. A minha aposta recai no desempenho de Daniel Day-Lewis. Lincoln oferece ao público, de uma forma sábia, um dos grandes feitos nos Estados Unidos da América: a abolição da escravatura. Trata-se de um dos melhores filmes biográficos feito nos últimos tempos.

8/10

Ficha Técnica:

Título Original: Lincoln

Realizador: Steven Spielberg

Argumento: Tony Kushner, baseado no livro Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln de Doris Kearns Goodwin

Atores: Daniel Day-LewisSally FieldDavid Strathairn Joseph Gordon-Levitt

Género: Histórico, Biográfico, Drama

Duração: 150 minutos