Assumindo-se como um projecto Pop-Rock versátil e multifacetado, The Weatherman é o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro. Depois da estreia com Cruisin’ Alaska (2006) e do sucessor Jamboree Park at the Milky Way (2009), chega-nos este ano o terceiro álbum do cantautor nortenho. De seu título Weatherman, o disco chega às lojas no dia 28 de Janeiro e é dele que vamos falar hoje.

Canalizando para a sua música diversas influências do psicadelismo Pop anglo-saxónico Alexandre Monteiro tem vindo a criar, ao longo da sua ainda curta carreira, um universo de canções que tentam, com sucesso, transportar-nos para um mundo onde reina a nostalgia pelos anos 60 dos hippies e de Woodstock, em que a palavra de grupos seminais como The Beatles ou The Beach Boys assume uma força de lei suprema e incontestável.

Tendo em conta tamanhas referências, e com os dois primeiros discos a ressoarem de forma tão agradável na minha cabeça, não admira que tenha ficado com grandes expectativas para o terceiro álbum de The Weatherman, descrito pelo próprio como o mais autobiográfico até à data. E, depois de o ter ouvido, posso dizer que não fiquei desapontado; apesar de não estar, na minha opinião, ao nível dos seus antecessores, Weatherman é um registo sólido que demonstra um claro refinamento da “assinatura” de Alexandre Monteiro.

Ao nível da sonoridade, a primeira coisa em que notei neste Weatherman foi a forma como se apresenta muito mais direccionado e homogéneo que os discos que o precedem. Relegando o lado mais psicadélico da sua sonoridade para segundo plano The Weatherman traz-nos, neste seu terceiro LP, canções Pop bem alegres e upbeat que vão alternando entre uma Folk mais despida e um lado mais faustoso e barroco do Pop-Rock (e que chega a lembrar, por momentos, os We Trust, projecto que tem algumas ligações com The Weatherman).

Quanto à produção, a cargo de João André, é bem notória a escolha duma estética mais polida e refinada. Aliado a isso está também um uso extensivo de teclados, sintetizadores e arranjos orquestrais, algo que enriquece e embeleza a sonoridade do álbum. No que à lírica diz respeito, confirma-se a veia mais autobiográfica de Weatherman, que apresenta letras bem mais pessoais e intimistas, por contraste às deambulações psicadélicas e surreais dos registos anteriores.

Contudo, apesar de ter gostado bastante do disco na sua generalidade Weatherman sofre, a meu ver, de algumas imperfeições que o impedem de atingir um patamar mais elevado de qualidade e que fazem com que esteja algo aquém do nível estabelecido pelos seus antecessores. A questão mais premente é, sem dúvida, a falta de ousadia e variedade em relação ao que foi visto em Cruisin’ Alaska e Jamboree Park at the Milky Way; apesar de ser certo que um pouco mais de homogeneidade e “segurança” conferem ao registo uma maior solidez, a verdade é que não consigo deixar de sentir saudades do espírito audaz e experimental dos outros registos.

Na hora de destacar algumas faixas individuais, devo assinalar a gingona Out of My Mind, a açucarada Fab, a delicada I’ve Come Home, a expansiva We All Jumped In e a viciante Proper Goodbye como os pontos altos do registo. Por outro lado, as insonsas It Took Me So Long, Double Trouble e State of Mind são, a meu ver, as peças que demonstram mais fragilidades e que se encaixam menos neste Weatherman.

Resumindo, com o seu terceiro álbum The Weatherman decidiu jogar pelo seguro e trazer-nos uma sólida e consistente colecção de canções Pop feita para nos conquistar as ancas e derreter os corações. É certo que fica a perder em experimentalismo e, no geral, é um pouco mais fraco que os seus antecessores; porém, a verdade é que ao fim do dia Weatherman consegue cumprir os seus objectivos principais: fazer-nos passar um bom bocado e, acima de tudo, reafirmar Alexandre Monteiro como um dos nomes mais promissores do panorama musical nacional.

Nota Final: 7.0/10

*Este artigo foi escrito, por opção do autor, segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945