Num percurso inverso ao habitual – após visualizar o filme The Perks Of Being a Wallflower (As Vantagens de Ser Invisível) – dei por mim a querer (muito) ler o livro original de Stephen Chbosky, lançado em 1999. Para além disso, apaixonei-me pelas músicas à medida que a longa-metragem ia passado à frente dos meus olhos: os meus ouvidos não resistiram e, logo de seguida, fui ouvir a banda sonora.

Aqui fica uma reflexão sobre estas três Vantagens de ser Invisível: ler, ver e ouvir.

-ESTE ARTIGO PODE CONTER SPOILERS-

 

Ver e Ler…

Julgar um livro e o seu respetivo filme pode ser ingrato e, muito frequentemente, a crítica negativa inclina-se para o filme por este ser superficial. No entanto, nesta dupla de produções (filme e livro) só vi Vantagens: o que um não dizia, o outro aprofundava; o que um não fazia sentir, o outro levava ao fundo da emoção; o que um não nos deu a entender, o outro explicou sem deixar dúvidas. Foi este misto de As Vantagens de Ser Invisível que me impressionou e cativou.

httpv://www.youtube.com/watch?v=QE7CGX1d6LU

Desde o início até ao fim, a vida de Charlie é esmiuçada, tanto no livro como filme, e facilmente nos apercebemos da profundidade das questões que o invadem. E, até mesmo, começámos a identificar as nossas vivências nas dele, caindo numa empatia imediata que faz prevalecer o enredo.

A magia d’As Vantagens de Ser Invisível está na identificação e na profundidade, assim como numa melancolia alegre que a aura desta história nos transmite. Um dos aspectos que me saltou à vista, enquanto estava a ler o livro, é que se nota uma evolução na escrita de Charlie, à medida que o professor lhe vai emprestando mais livros. Se o Charlie do livro nos parece um protagonista chorão – demasiado, a meu ver -, no filme a personagem principal fica mais humanizada, mais real, o que, de certa forma, ajuda.

the perks of being a wallflower

Tanto a relação de Charlie com a irmã como a relação do mesmo com o professor são muito mais aprofundadas no livro. Tal é normal, pelo limite de tempo do filme, por isso é que também aconselho a ler o livro. Caso tenham ficado fãs, é uma oportunidade para verem enriquecida uma relação tão interessante como a de Charlie com Bill. Ou, então, para se aperceberem o quanto este rapaz gostava da irmã: o filme passa ao de leve, porém, o livro vai bem fundo nesta relação atípica. No livro são ainda aprofundadas as relações familiares de Charlie, as quais acabam por dar razão a algumas atitudes que vemos durante o filme. Nomeadamente, é de certa forma explicada toda a situação da Tia Helen. No livro tudo nos parece mais claro.

Mas não é só de momentos de reflexão e tristeza que o The Perks é feito. Há muito humor lá para o meio, daquele que nos agrada e que corta a carga emocional, sendo uma mais-valia. Exemplo disso são os momentos com  Patrick, interpretado de forma exemplar pelo ator Ezra Miller. Para melhor cena, tanto no livro como no filme – até a nível sonoro -, tenho de escolher a do túnel: a amizade do trio Sam, Patrick e Charlie é transparente, tal como o sentimento de pertencer a algum lado e da honestidade ali presente. É, sem dúvida, atingido o infinito.

Ouvir…

The PerksOs The Samples abrem o filme, assim como a banda sonora, com uma inspirada canção: Could It Be Another Change, a qual rapidamente nos transmite a alma d’As Vantagens de Ser Invisível.

Logo a seguir ouvimos a vibrante Come On Eileen, dos Dexys Midnight Runners, a qual marca a dança de Sam e Patrick no baile: é aqui que a the living room routine entra em ação. Uma música que nos faz, sem dúvida, querer dançar e celebrar a vida.

Asleep, dos The Smiths, é a música preferida de Charlie, o protagonista, trazendo-nos uma certa melancolia e um desejo que ecoa nas nossas mentes: I don’t want to wake up on my own anymore.

Os Sonic Youth brindam-nos com Teenage Riot, um hino para a juventude, a qual é retratada no filme. Toda a música transpira revolta, uma vontade de ser livre e um desejo de diversão constante: no fundo, é a procura da felicidade na conturbada época juvenil.

A penúltima faixa traz-nos a última carta do protagonista com um instrumental de Michael Brook. Tal como uma melodia, a voz de Charlie entra nos nossos ouvidos e a sua mensagem espalha-se, resumindo assim o objetivo deste filme. Esta é uma carta para todos os adolescentes ouvirem.

A terminar temos a Heroes, de David Bowie, que nos faz relembrar a épica passagem no túnel. O herói dentro de cada um de nós é acordado nesta música que, se a deixarmos, nos faz tocar no infinito.

As frases que marcaram…

We accept the love we think we deserve.

But even if we don’t have the power to choose where we come from, we can still choose where we go from there.

In that moment, I swear, we were infinite.

 

Imagem de capa: www.wallflowermovie.tumblr.com/